Álbum trazia a icônica faixa "Moments in Love" e o hit "Close (To the Edit)".

O ano de 2009 marca os 25 anos do lançamento do primeiro álbum do
Art of Noise (também conhecido como The Art Of Noise ou simplesmente AoN), uma das mais criativas - e loucas - bandas da música eletrônica dos anos 80 e 90. O AoN era um verdadeiro combo formado pelo produtor Trevor Horn (um dos donos da cultuada gravadora
ZTT), o jornalista Paul Morley e os músicos Anne Dudley, JJ Jeczalik e Gary Langan, sempre com convidados especiais. O grupo foi um dos mais inovadores no uso dos samplers, numa época em que isso ainda era um terreno a ser descoberto. A principal característica do som do AoN era o uso de colagens sonoras que faziam as melodias soarem quase que como se fossem "picotadas".
Tudo começou em 1979 quando Trevor gravou o mega sucesso "
Video Killed the Radio Star" fazendo parte do grupo
The Buggles (que foi inclusive o primeiro videoclip exibido na história da MTV), projeto que acabou se tornando apenas mais um daqueles one hit wonders da Inglaterra. Em 1983, Horn estava trabalhando como produtor do disco
Welcome To The Pleasuredome, que viria a se tornar o maior sucesso do Frankie Goes to Hollywood, e tinha Anne, JJ e Gary como integrantes de sua equipe de produção. Os quatro haviam se conhecido dois anos antes, quando juntos gravaram o álbum
The Lexicon of Love, do ABC.
Foi então que a ideia de formar um projeto próprio surgiu, impulsionada por um novo brinquedinho que Horn havia levado para o seu estúdio: o revolucionário sampler
Fairlight CMI (o qual diz a lenda que ele foi uma das primeiras pessoas no mundo a comprar). O Fairlight possibilitava que o usuário tocasse os samplers pré-gravados através de um teclado, o que foi um enorme hit entre os músicos de eletrônica da época.
A primeira gravação do AoN foi lançada naquele mesmo ano pela ZTT, o EP
Into Battle With The Art Of Noise. O disco fez um sucesso considerável nos charts alternativos e dance na Inglaterra e EUA, impulsionado pela faixa instrumental "Beat Box". Fazia parte deste EP outra faixa que viraria o maior cartão de visitas do grupo: "Moments in Love".
MOMENTS IN LOVECom seus dez minutos de duração e clima de lounge music esfumaçada, "Moments in Love" foi lançada como single pouco tempo depois do primeiro EP e foi incluída a tempo no álbum
Who's Afraid of The Art of Noise. Icônica é pouco para definir a faixa, que virou vinheta de vários programas de rádio ao redor do mundo (incluindo o Brasil), tocou no casamento da Madonna com o Sean Penn, foi usada em vários filmes e comerciais de TV e num incontável número de coletâneas de lounge, chill out, softrock e love songs.
"Moments in Love" trazia uma linha synth de poucas notas que eram repetidas por toda a faixa sob uma melodia doce e lenta, e com vocais femininos que apenas pronunciavam o nome da faixa.
"Moments in Love"
Mas o álbum
Who's Afraid of The Art of Noise não é apenas o "disco que tem a Moments in Love". Além da já citada "Beat Box", o álbum possui outras sete faixas onde samplers divertidos e inusitados passeiam por cima das batidas compassadas características do som do grupo. "A Time For Fear (Who's Afraid)" pega mais pesada nos elementos percussivos e cria uma faixa que lembra aqueles grupos performáticos como o
Stomp, que fazem música com latas de lixo, ferramentas e coisas do tipo.
Flash Content
The Art of Noise - Beat Box (Diversion One) (mp3)
Flash Content
The Art of Noise - A Time for Fear (Who's Afraid) (mp3)
"Close to the Edit" é outro dos grandes clássicos do grupo, com um vídeo que foi premiadíssimo em vários lugares (estrelado por uma menina punk bem "nervosinha") e, muitos anos depois foi sampleada pelo Prodigy em seu grande hit "
Firestarter" (os gritinhos de "
hey! hey!").
"Close (to the Edit)"
A VIDA DEPOIS DE "MOMENTS IN LOVE"Engana-se quem pensa que o AoN foi um banda de um disco (e um sucesso só). Vários outros singles do grupo foram muito bem nas paradas, apesar de todo o experimentalismo - e esquisitice - de muitas delas. Entre estas destacam-se "
Peter Gunn", "
Dragnet" (do filme de mesmo nome), "
Legs", a cover do Prince (que trouxe o cantor Tom Jones de volta à fama) "
Kiss" e a divertida "Paranoimia", cantada pelo apresentador de TV cybernético
Max Headroom.
"Paranoimia"
No começo dos anos 90 a banda se dissolveu definitivamente. Dez anos depois eles se reuniram para uma série de shows e algumas gravações, mas o projeto durou pouco. A inventividade do AoN havia mesmo ficado nos anos 80. Mesmo assim, os seus álbuns ainda cativam pela forma criativa e bem humorada com que eles tratavam a música eletrônica - e a música pop como um todo.
Mas, agora sou um feliz proprietário de dois LPs do AoN: In Visible Silence (de 86 com Opus 4, Paranoimia e Peter Gunn, etc..) e The Best Of The Art Of Noise (que tem Moments in love (editado, pffffff) e a capa clássica da virgem quadriculada). Recomendo todos! eheh
Ah, se alguém quiser achei aqui pra vender por sete contos ó: http://www.sebodomessias.com.br/sebo/(S(v1u2232kfz51kvnkwi01hlyc))/detalheproduto.aspx?idItem=174760
Um dos criadores do Fairlight, Peter Vogel,com o Fairlight CMI Series I em ação - http://www.youtube.com/watch?v=8y8BzEILdDw
Peter Gabriel trabalhando com o Fairlight CMI,e capturando sons externos - http://www.youtube.com/watch?v=ON8lVgJxMQA
Pena que era um instrumento suuuuper caro,mais de 20 mil doletas,mas era duka.
Tem uns vídeos bem interessantes na rede que mostram como o Fairlight CMI funcionava,é uma coisa de louco,dava mó trabalhão pra programar os sons,bons tempos. E esse disco do AoN tem vários tímbres clássicos dessa belezura de sampler...sou fã confessa dele.
A Anne Dudley chegou a fazer alguns trabalhos pós-AoN,como a trilha sonora incidental do filme "Ou Tudo ou Nada". E o Trevor Horn continuou produzindo mta gente bacana dentro do pop/rock,com o Seal,Mike Oldfield(outro usuário de Fairlight CMI - na trilha do filme Os Gritos do Silêncio),entre outros.