Entre batidas ora frenéticas, ora lentas, multi-instrumentalista lança quinto álbum
Junte trompetes, órgãos, violinos, oboés, synths, uma percursão digna de bandas de marcha e um punhado de melancolia. Sobreponha a tudo isso várias camadas de vozes e um falsete inconfundível. Poderia ser mais uma dessas bandas com infinitos integrantes, com a diferença de ter apenas um: o multi-instrumentalista sueco Emil Svanängen, o Loney Dear.
Dear John é o quinto álbum de Emil e dá sequência ao ótimo
Loney, Noir, que foi distribuído em 2007 nos EUA pela Sub-Pop e ajudou a dar mais visibilidade ao projeto. Antes disso, lançou três CDs de forma independente, o primeiro gravado no porão da casa de seus pais, e também participou da faixa "This Boy", dos conterrâneos I'm From Barcelona - além de ter ganhado um remix do Cansei de Ser Sexy para a faixa "The City, The Airport", de seu terceiro álbum,
Sologne.
Em "Dear John", Emil parece ter finalmente chegado a um nível de maturidade e elaboração que vem sido aprimorado ao longo dos lançamentos anteriores. A sensação é de um CD com músicas "cheias" - várias camadas sonoras sobrepostas. Uma espécie de folk eletrônico melancólico, e nada dançante.
ENTRE A ÂNSIA E A CALMA"Airport Surroundings", uma das faixas mais animadas, abre o disco já em clima de ansiedade, como quem corre atrás do tempo perdido (ou de alguém que se foi), enquanto o refrão canta "You were all that I want, you were all that I want". A música é tensa e desnorteante e, bem ao estilo do Loney Dear, apoteótica. Dando continuidade ao rush desenfreado, "Everything Turns To You" chega a sugerir uma sensação de "mais do mesmo", mas logo fica perceptível que na verdade a ansiedade e a correria ainda não acabaram.
Apenas em "I Was Only Going Out" a bola baixa dá espaço para um pouco de respiro e tranquilidade (e até assovios). Outras faixas que merecem destaque são "Summer" e "Harm/Slow", uma balada com participação de Andrew Bird no violino, ótimas sutilezas de produção, um órgão de tom religioso e final inesperado.
"Dear John" consegue alternar a ânsia e a calma por todo o álbum, não somente com batidas ora frenéticas, ora mais lentas, mas também com a ajuda dos vocais de Emil e seus falsetes e graves. Em alguns momentos é romântico e tenso ("Harm/Slow", "Airport Surroundings"), em outros, quase circense ("Dear John", "Summers"). Mas, sem dúvida, melancólico.