Watchmen - o filme
Watchmen
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ficha técnica
Direção: Zack Snyder
Elenco: Malin Åkerman, Billy Crudup, Matthew Goode, Carla Gugino, Jackie Earle Haley, Jeffrey Dean Morgan, Patrick Wilson
Duração: 162 min.
Nota: 4 / 5
Ano: 2009
Estilos: ação
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Watchmen - o filme
Ou "a árdua tarefa de se transpor um clássico dos quadrinhos para as telas de cinema".
09.03.09 09:45
O diretor que resolve levar para as telas uma graphic novel de sucesso tem mesmo que ser um "cabra macho". Tarefa essa das mais árduas, adaptar uma história em quadrinhos cultuada para a linguagem do cinema é chegar perto de um formigueiro com o corpo coberto de açúcar. Sim, você vai ser comido vivo, querido diretor.

O fato é que poucos fãs são tão fervorosos quanto os amantes de HQ. E neste universo em quadrinhos, Alan Moore é Deus. E na obra dele não se mexe. Ou quase.

rorschach


Watchmen - o filme baseado numa das melhores e mais aplaudidas graphic novels já criadas até hoje e que, coincidentemente, é obra de Moore (com a arte de Dave Gibbons) - estreou nos cinemas na semana passada gerando a corrente de críticas mais polêmica desde, quem sabe, o incrível Sin City (2005) ou o premiadíssimo Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), duas obras de Frank Miller. Quem nunca leu Watchmen e curte cinema de ação com certeza vai amar. Mas os fãs da graphic novel já colocaram a cabeça do diretor Zack Snyder a leilão.

Esse não era um terreno desconhecido dele, sendo que seu trabalho mais famoso é justamente outra adaptação, o filme 300 - também obra de Frank Miller - que valia mais a pena pelo seu excelente visual (tirando Rodrigo Santoro, é claro) que sua história. Seria esse também o caso de Watchmen?

Vou me inserir numa categoria mediana entre estes dois públicos (sou fã de Watchmen e do trabalho de seu criador, mas sem ser extremista). Assim, cheguei a conclusão que Moore não tem um bom karma com o cinema. Suas criações foram feitas para as páginas coloridas e envernizadas das HQs e, na maioria das vezes, deveriam ter ficado lá mesmo. E neste mesmo caso, Frank Miller tem muito mais sorte.

Watchmen


Do Inferno (2001) foi a primeira investida da Sétima Arte com uma obra dele, e era um filme até que bem interessante, levando em consideração que não era uma transposição total da graphic novel para a tela, diferenciando-se bastante do texto original. Mas depois vieram os péssimos A Liga Extraordinária (2003) e Constantine (2005), este último mais um abacaxi com a marca Keanu Reeves impressa na capa.

E então tivemos V de Vingança (2006). Produzido pelos irmãos Wachowski - os mesmos da trilogia Matrix - tido por muitos como uma pequena obraprima, mas que causou náuseas nos HQ maníacos e enfureceu Moore, que mandou tirar seu nome dos créditos, dizendo que o roteiro estava cheio de "buracos".

Afinal de contas, se dá melhor aquele diretor que opta pelo caminho da transposição total da obra em quadrinhos para a tela ou aquele que apenas usa seu enredo como pano de fundo e lança seu próprio olhar sobre ela? Snyder opta pelo primeiro caminho, com algumas mudanças aqui e ali, acertando a mão em alguns detalhes e escorregando em outros.

Curiosamente esse relacionamento imprevisível entre o cinema e os quadrinhos se dá mais forte em Hollywood que em outros países: veja o caso dos filmes japoneses baseados em mangás, como os revolucionários Akira (1988) e Ghost in The Shell (1995). O próprio Moore em si é um ávido e forte crítico do cinema americano, revelando que não iria de jeito nenhum assistir ao filme: "Watchmen é infilmável", profetizou.

Dr Manhattan


O FILME
Do ponto de vista de quem vai ao cinema atrás de diversão descompromissada, é um prato cheio. As cenas protagonizadas pelo Dr. Manhattan são verdadeiras obras de arte tamanho seu apuro visual - e sim, não há como deixar passar despercebido seu avantajado "dote" (que mais parece um ator coadjuvante). As sequências de lutas e brigas esbanjam sangue voando para todos os lados, no melhor estilo do cinema gore asiático de filmes como o insuperável Tokyo Gore Police (2008).

A graphic novel de Moore marcou época por apresentar um tipo diferente de super-herói. Diga adeus ao Super Homem de olhos azuis que salva gatinhos presos em cima de árvores e luta contra o mal. Estes novos heróis são distorcidos, cometem erros, têm vícios, conhecem o lado negro da força tão bem quanto as palmas de suas luvas. São "heróis de verdade", vivendo num mundo real. O Comediante, por exemplo, está muito mais para o Coringa de Batman do que para o Homem Aranha.

O Comediante


Mas Dr. Manhattan, por mais belo e zen que seja, não se equipara a ótima performance dos dois vilões-heróis mais empolgantes da história, Rorschach e O Comediante, que roubam as atenções em qualquer cena. A cena de Rorschach na prisão deixando bem claro a todos que "Eu não estou preso com vocês, vocês estão presos comigo" é de deixar qualquer psicopata com o rabo entre as pernas. E O Comediante, por mais cruel, maluco e sociopata que seja, não nos impede de sentirmos uma certa ligação perigosa, quase apaixonada por ele.

Do ponto de vista de quem leu a história, as duas horas e quarenta minutos do filme são pouco para contar tudo, explorar cada detalhe e personalidade destes heróis caídos, com muita coisa deixada de lado. "Watchmen necessitaria de pelo menos cinco horas de duração", declarou Terry Gilliam, o primeiro corajoso a se aventurar a filmá-lo - e depois cair fora. Quem sabe a versão em DVD com cenas e material extra resolvam isso?

Boa parte do filme é ocupada com a apresentação do passado de cada herói, como os antigos flashbacks de LOST (cujos produtores são fãs assumidos de Moore), o que funciona perfeitamente quando vem divididos em capítulos de uma revista impressa, mas que na tela ficam um tanto quanto arrastados - tão arrastados que você até esquece que tem uma Terceira Guerra Mundial marcada pra acontecer ali em poucos minutos. O final, que é diferente do original, fecha bem a história, talvez até melhor do que se fosse feito totalmente igual ao da HQ.

Ozymandias


Sim, temos vários clichês de filmes deste tipo: abuso do slow motion em sequências de ação e explosões que cobrem a tela inteira, cenas de sexo um tanto quanto desnecessárias e a trilha sonora por vezes confusa, misturando hits pop dos anos 80 com rock/folk dos 60.

Watchmen é um filme ruim? Não, longe disso. Mas aproveite que a série foi relançada agora em vários formatos, leia do começo ao fim e tire suas próprias conclusões.

Alisson Gøthz
Alisson Gøthz
www.twitter.com/alissongothzzzz
comentários
13 comentários
Raffael Rocha
Raffael Rocha(02.04.10)
0AprovadoQueima
achei o filme incrivel nunca vi os quadrinhos mas de qualquer forma é outro departamento.
Fernando Baldan
Fernando Baldan(05.05.09)
1AprovadoQueima
não li a HQ e não kero ler por enquanto porque tô imerso no filme. o visual anos 80 dos quadrinhos me repele um pouco. gostei do filme e tô me divertindo muito com o aplicativo de montagem de fotos de Watchmen no Facebook rs
Fabilipo
Fabilipo(10.03.09)
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é como eu escrevi lá no blog, o filme é uma adaptação, não dá pra comparar com os quadrinhos!
mas que o filme é bom, isso é.
Gil Barbara
Gil Barbara(10.03.09)
otima resenha! :)
gostei do filme, mas nao comparo com a HQ.
Vinicius B
Vinicius B(10.03.09)
0AprovadoQueima
whoaaa, filme fodão!