Em 2003 Karin e Olof explodiram ao mundo de cara limpa, com electro maluco e disco teatral
06.03.09 14:25
A Fever Ray (aka Karin Dreijer) reacendeu a vontade de The Knife, então vamos falar da dupla sueca. A voz única e a imagem austera e misteriosa da frontwoman da dupla sueca galga novos passos - mais femininos e de introspecção delicada - mas a fama de Karin e seu irmão Olof despontou há seis anos, em 2003, com Deep Cuts.
É o segundo disco da banda, de onde nasceu "Heartbeats", o primeiro grande hit ("Kino" é do primeiro disco, homônimo à banda - 2001, mas fez sucesso na web na época Deep Cuts), que virou até propaganda de televisor Sony numa versão do indie José Gonzalez. A batida tropical, em contraponto com o synth motorizado, elástico, e a voz agonizante de Karin falando do amor perdido criaram um dos hinos do electro da década, longe de rotulações de gênero, e completamente imersos na personalidade de um artista.
Quando surgiu no fim de 2002, "Heartbeats" provocou na já voraz mídia musical online uma curiosidade que foi saciada no vasto e diverso Deep Cuts, que marcou o The Knife não mais como aquela banda sueca de electro ambient que em 2001 não chegava aos pés do combo Kid A/Amnesiac (Radiohead). E isso valia tanto para roqueiros quanto amantes do beat eletrônico.
2003: Karin e Olof Dreijer, sem máscaras para promover "Deep Cuts"
São 14 intermináveis faixas, com "Heartbeats" abrindo, seguidas pelo synth raivoso de "Girl's Night Out" e "Pass This On" - outro hit, principalmente pelo clipe. Há os outros hits, como a não muito clara homenagem ao vermelho (!) de "You Take My Breathe Away" (veja o clipe abaixo, dá para ver Karin sem máscaras, cantando e dançando com Jenny Wilson); e "You Make My Like Charity", em que electro significa aquele balanço old school, recortado por notas em rajadas e as boas intervenções de Karin com o vocoder (aqui ela soa infantil e como um homem. Não é Orlof cantando, ele nunca canta).
YOU TAKE MY BREATH AWAY
Mas ainda mais interessantes são as faixas dispostas nesse ínterim de hits - algumas soam como rápidas intervenções teatrais, outras são puros interlúdios: o gore metal de "The Cop", os palavrões fálicos de "Hangin' Out" e a cândida "She's Having a Baby". A insistência num tipo de MIDI electro acelerado, frenético e HI-NRG é marcante no álbum, e lembra aqueles fliperamas de dança - "Listen Now' é o maior exemplo, um trance encapsulado. "Is It Medicine" é MIDI também, e a que mais se aproxima mais do gosto electroclash, é como se as cordas vocais de Beth Ditto fossem metalizadas e ela cantasse num musical de Tim Burton.
Para terminar a listagem de faixas, tem "Rock Classics", melhor exemplo da teatralidade The Knife tão latente em Deep Cuts e nos seus shows, mas que no cotadíssimo Silent Shout (2006) ficou em segundo plano pelo fator "bizarro" deles, praticamente uma definição-clichê. Na canção, a boa composição (sempre de Karin) que não define um arquétipo, mas sim um pequeno momento de um personagem oculto, a loucura é costurada com o mundano numa narrativa em batida cardíaca e notas de bom humor irônico
Karin ao vivo
- fora os gritinhos de backing vocal, sensacionais.
De modo que Deep Cuts, se não foi a porta de entrada para muitos fãs da dupla anos atrás, foi uma absurda surpresa para quem achou o disco após entrar em contato com o pantanoso e político Silent Shout. Mas as interpretações e ambientações cinematográficas deste segundo disco são mais marcantes e consumidas como um todo: diverso, cheio de histórias bizarras em que o mote parece ser o humor (tanto quando fala de música, do nascimento, da raiva) - no álbum seguinte, o tema é o assombro. Assim, Deep Cuts tem aquela sensação de ser o livro predileto de seu grande ídolo - mas não necessariamente a obra mais bem cotada e comentada.
Para quem não conhece o The Knife, que este texto seja uma boa amostra, partindo pelo que há de mais curioso, e não o que há de mais óbvio. Para ambos vale comentar aquela sensação tão comum dos admiradores da dupla, de como foi sinistro conhecê-los. Há um vídeo que retrata bem isso, e que a banda espertamente lançou no lançamento inglês de Deep Cuts. Assista.
Divino o texto, e ponto extra pela tag: inclassificável. Assisti ''when i found the knife'' assim que comprei o dvd do show (já desiludido de uma apresentação deles por aqui) me identifiquei mesmo....! rs The Knife é G-E-N-I-A-L!
amo "heartbeats" e suas versões (knife e jose).
até tenho um projeto com a glaucia++ com este nome, rs.
abs !
Assisti ''when i found the knife'' assim que comprei o dvd do show (já desiludido de uma apresentação deles por aqui) me identifiquei mesmo....! rs
The Knife é G-E-N-I-A-L!
The Knife é mágico.
Não conhecia aquele video "When i found.." bem legal.
"i want cry and i want laugh at the same time,
i feel hot and i feel cool at the same time."