
A
estréia do MSTRKRFT foi importante por vários motivos. Em 2006, por incrível que pareça, o indie e a eletrônica não se misturavam de forma dançante. Bandas como Death Cab For Cute e outras de "indie bonitinho" eram os responsáveis pelo synths dentro do rock, que hoje em dia é impossível não identificar. Essa revolução aconteceu em parte por causa da morte prematura do Death From Above 1979, antiga (e ótima) banda de Jesse Keller, para a formação do MSTRKRFT.
Com a morte da dupla de rock, os fãs, que na época eram muitos, continuaram seguindo a carreira dos seus integrantes. Enquanto Sebastien Grainger sumia aos poucos, a dupla eletrônica formada por Jesse participava, junto a uma série de novos produtores, de uma nova era para a música eletrônica: a tomada dos b-sides de bandas indies. Saíam aquelas faixas que não eram boas o bastante para entrar no álbum e entraram os remixes. Além da óbvia inspiração no Daft Punk, que serviu para moldar, pelo menos, o início do maximal.
Apesar da estréia promissora repleta de hits temporais, o MSTRKRFT começou a virar alvo de piadas, quando começaram a perceber que quase todas as suas músicas partiam (e desembarcavam) no mesmo lugar. E assim, mesmo com o título de melhores remixers do momento, surgiam inúmeros bootlegs falsos do MSTRKRFT. E infelizmente, três anos após sua estréia,
Fist of God soa exatamente como um desses bootlegs.
As faixas sem vocais são absurdamente reconhecíveis entre si e suas inspirações. "1000 Cigarettes" só não é mais Daft Punk porque o MSTRKRFT se apropriou dessa fórmula enquanto a dupla francesa aproveitava as férias. Mudam os synths, mas não o desenho das linhas. "Fist Of God" pode ser mais maximal e beber um pouco da fonte do Justice, mas no final só se parece como um remix mais pesado da fórmula.
Quando as inúmeras participações começam, parece que as melhores faixas são as que parecem remixes feitos de músicas originais de outros artistas, porque se não cai nessa cansativa fórmula da dupla. Até agora não dá para entender porque "Click Click" é uma música diferente de "Fist of God".
Já "Bounce" é a típica faixa que anima a blogosfera em seu lançamento, mas que qualquer produtor com o mínimo de experiência consegue reproduzir (aliás, essa faixa tem mais de Crookers que o MSTRKRFT gostaria de acreditar). O lado puramente eletrônico só é salvo pelos alternantes humores de "Vuvuvu", que havia sido lançado originalmente como b-side de "Bounce".
HYPE MACHINE SCHOOL OF MUSIC"It Ain't Love" é uma das poucas faixas boas presentes em
Fist of God. Talvez pela ordem que se encontra - abrindo o álbum - que faz com que você ainda não tenha cansado desses sintetizadores. E antes que suas esperanças acabem, a dupla faz algo diferente em "Heartbreaker". O R'n'B eletrônico da faixa é cantada por John Legend e tem cara de hit de FM (sem nenhum preconceito). O refrão é aquele pegajoso honesto que fica na sua cabeça sem necessariamente te irritar.
"So Deep" é uma daquelas com cara de remix bom da dupla. Os sintetizadores e as batidas estão lá exatamente onde você os espera que estejam, mas devido ao vocal inédito de Jahmal do The Carps, ela soa como uma boa mistura de maximal e R'n'B. O cantor também participa de "Breakaway" que parece uma jornada synth-pop entre a rádio do começo do século. Não é incrível, mas cumpre sua função.
Sampleando a si próprios, sendo criativos apenas quando parecem remixar fórmulas alheias, o MSTRKRFT passam de criadores da cena a apenas outra dupla que sofre da síndrome do Hype Machine, onde toda a faixa tem que ser impactante nas pistas de pessoas que acreditam cada vez mais que um sintetizador distorcido é sinal de hit. E enquanto em 2006, eles criaram essa síndrome, em 2009 eles infelizmente só parecem mais um dos seguidores.
Adorei o album desde a primeira vez que ouvi (quando vazou antes do lançamento).
Ahhh bem lembrado
O album do Shadow Dancer é muito foda, pesadaço.
Estou precisando.....
Mas se fosse um EP de 4 faixas seria ótimo!