The Whitest Boy Alive - Rules
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ficha técnica
Nota: 4.6 / 5
Ano: 2009
Selo: Bubbles
Estilos: Indie, dance pop, indietronica
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The Whitest Boy Alive - Rules
Soft rock, funk e uma deliciosa pegada eletrônica para narrar o amor racional
04.03.09 10:20
Mais do que uma irônica sacada nórdica, o The Whitest Boy Alive é de fato branco até o último fio de cabelo de seus cinco integrantes, agrupados em 2003 na capital alemã pelo norueguês Erlend Øye, metade do Kings of Convenience e agitador do indie e da eletrônica. Seu recém-lançado segundo disco, Rules é prova: indie dançante através do bass sofisticado, clima cool de jam session . Fora o bom funk criado por garotos branquelos de 1.90m de altura, óculos e franjas vintage.

A alvura artística desses jovens é mais um exemplo da dualidade da música entre o som negro (espontâneo, dançante, sensual) e o branco (harmônico, melódico, racional). Porque dá para dizer que Rules se propõe ambiracial - claro que a sua medida européia, e com todos seus cacoetes e herdados do indie (sim, Erlend é indie, sua ligação com a eletrônica é por ter assombrado os nerds do Pitchfork com o minimal techno de seu DJ-Kicks, de 2004).

As 11 faixas descem macio numa sequência de menos de 45 minutos, em que o vocal de Erlend é protagonista, mas não exige atenção integral como no Kings. Aqui ele dialoga o tempo todo com a guitarra de poucas e sutis notas (que ele mesmo toca) e com o baixo que conversa junto, mas em ritmo oposto, só que não menos funkeado. Completando a instrumentalidade está a bateria sossegada, o piano Rhodes e o synth vintage italiano Crumar, ambos dando uma ambientação disco mais atual do que vintage.

Flash Content
The Whitest Boy Alive - Courage (mp3)

Essa composição toda é bem audível na melhor faixa, "Courage". O ritmo cadenciado explode no refrão, em que Erlend reproduz no gogó o mesmo efeito de versos repetidos das colagens de computador - é o ápice da faixa. De maneira mais letárgica e chill, ele também canta assim em "Timebomb", em que os synths dão um ar moderno a tanta sensação oitentista (no fundo é isso). Eis outro paradoxo: um sintetizador italiano velho e um piano Rhodes (que teve ápices no pop nos 80s com Herbie Hancock e nos 2000s com o Radiohead), é que tira o mofo retrô da banda, encrostado tanto sonora quanto visualmente.

Falando em referências e similaridades, Rules lembra o rock soft do Dire Straits por sua pegada funk - claro que falo dos hits mais acinturados da banda de Mark Knopfler: "Money for Nothing" e "Sultans of Swing". Em dois extremos, dá para pincelar o blues rock de Eric Clapton e até a cafonice de Rod Stewart no galho da árvore genealógica musical em que o Whitest Boy se encontra (não à toa, a guitarra de "Keep a Secret" lembra em alguns momentos o tetêteretê de Stewart/Jorge Ben).

"Promisse Less Or Do More" é o melhor exemplo do minimalismo indie (expressão bem usada para designar o som da banda na ocasião do primeiro disco), com Erlend soltando versos desabafados e tensos, acalmados pela guitarra praiana e as notas maduras do Crumar.

Erlend Øye e o restante da banda: brancos como leite
Erlend Øye e o restante da banda: brancos como leite


Em suas composições, Rules é como uma DR que passa a limpo e põe em cheque um interlocutor amoroso oculto. A já citada "Keep a Secret" é das mais dançantes do disco, com notas crescente bem no estilo DFA; quando o clima é mais bailado, como em "Rollercoaster Rider", Erlend enfim é destacado como um cronner dos amores inconciliáveis, ninado por um clima jazz.

Dito que o disco saiu após poucas sessões ininterruptas de estúdio, ele representa uma evolução da banda, que descobriu maiores possibilidades e expressa muito mais nuances que Dreams (2006), este bem destacado mais pelo charme intrínseco do que pela consistência musical de fato. Neste novo CD, "Intentions" é a que mais se aproxima da simplicidade (aka minimalindieletrônico) tão associado ao Whitest Boy.

De modo que, de volta às questões raciais, são cinco rapazes branco com influências adquiridas na melodia caucasiana, mas também no beat e no funk negro, que criam ilustrações próprias dessa fusão sem deixar de utilizar suas características nórdicas como approach visual e de composição sonora (a melodia, as letras sobre o amor racional, instrumentalidade afinada). E no fundo, raça à parte, todo mundo só quer se divertir, não é mesmo? Como eles fazem ao vivo no palco, soltando até versões de banda para o hitaço "House Music". Sente só..

MP3
Flash Content
The Whitest Boy Alive - Keep A Secret (mp3)

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The Whitest Boy Alive - Promise Less Or Do More (mp3)

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The Whitest Boy Alive - Rollercoaster Ride (mp3)

Flash Content
The Whitest Boy Alive - Timebomb (mp3)


Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
6 comentários
Thiago Augusto
Thiago Augusto(06.03.09)
0AprovadoQueima
ótimo!
Rodrigo Roman
Rodrigo Roman(05.03.09)
1AprovadoQueima
"E no fundo, raça à parte, todo mundo só quer se divertir, não é mesmo?"
Jade, e não é isso q tem acontecido desde "desde"...ou seja...desde pelo menos a década de 30 do século passado? jazz, blues, bee bop, Elvis dançando como negão em transe???

Fato é q qquer coisa feita hj em dia no mundinho pop, vem da África...jazz, blues, rock, soul, funk, disco, hip hop, techno e demais adjacências...com raras exceções...muito raras. São todas elas expressões culturais nascidas em solo ocidental (norte-americano em sua totalidade) mas criadas a partir de raízes africanas..."coisa de negão".
Fabio Spavieri
Fabio Spavieri(04.03.09)
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Me gusta !
Lucio Ka-hara
Lucio Ka-hara(04.03.09)
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Este album está incrivel!!
Alex Kidd
Alex Kidd(04.03.09)
1AprovadoQueima
Vamô criar rótulo?
Disco-mais-gostoso-de-ouvir-do-ano-EEEEEE!
Courage dá vontade de sair gritando na rua (e pq não pros covardes que aparecem na sua frente). Intentions é música de preparar drinque. Faltou falar de 1517, pô!