Referências ao Prodigy de décadas passadas é o mote principal de novo álbum do grupo
Comecei a ouvir o álbum novo do Prodigy justamente na mesma semana em que resgatei da minha coleção uma esquecida coletânea que veio de brinde numa antiga revista Mixmag chamada
I Love 1992 - Underground Anthems. Tal coincidência não poderia ter sido mais bem vinda.
I Love 1992 é recheada de clássicos indiscutíveis da dance music underground dos anos 90, com faixas como (segura as lágrimas) "
Injected With A Poison" do Praga Khan, "
Dominator" do Human Resource e "
Valley of the Shadows" do Origin Unkown. São pequenos hinos que marcaram de forma definitiva os primórdios da cena raver de uma forma diferente da que nomes como The Shamen e o Prodigy fizeram, se mantendo fora das paradas e da grande mídia. Lá elas eram conhecidas como "hardcore", e aqui no Brasil - em pistas como a da Sound Factory, em São Paulo - como "underground".
E é nessa mesma sonoridade que
Invaders Must Die se baseia. O disco resgata as raízes do Prodigy como nunca, revisitando seu passado sem medo de soar datado. A tão aguardada volta do Prodigy é mais uma volta para 1992 do que para 2009.
RAVIN'.... I'M RAVIN'!!!!
Ouvir as faixas de
Invaders Must Die é quase como um jogo dos sete erros, onde você se vê tentado a encontrar cada referência que Liam Howlett e sua trupe anárquica recriaram de seus trabalhos anteriores, como o divertido e mais eletrônico de todos
Experience de 1992 (olha ele de novo ai!), e o nervoso e inquieto crossover rock e eletrônica dos multiplatinados
Music for The Jilted Generation (1994) e
Fat of The Land (1997). Dá pra achar fácil referências à clássicos como "Out Of Space", "Charly", "Voodoo People" e é claro "Smack My Bitch Up". É claro que as influências não são tão fechadas assim, e nomes como o já citado Praga Khan, além de Altern8, LA Style (lembram de "
James Brown is Dead"?), SL2 e tantos outros também se fazem presentes.
Inegavelmente as duas melhores faixas de
Invaders Must Die são "Take Me to the Hospital" e "Warriors Dance", ambas com o selo de qualidade Prodigy estampado em todo lugar. A primeira é bem o tipo de faixa que se tocada numa pista vai levantar todo mundo, vai ganhar gritos e transformar o DJ em herói por pouco mais de três minutos. "Take Me to the Hospital" tem todos aqueles barulhinhos característicos das faixas rave/hardcore e a velha mistura esperta de rock e dance que só Liam Howlett consegue fazer.
Flash Content
The Prodigy - Take Me To The Hospital (mp3)
Já "Warriors Dance" tem vocais beeeeem anos 90, e é outra faixa pronta pra qualquer pista. Chega a lembrar por vezes outro grande clássico do grupo - "No Good (Start the Dance)" - e rouba o sax hipnótico do melhor remix que "Sweet Dreams" (Eurythmics) já ganhou na vida, o "
Nightmare Mix" de Dave Angel e Dave Dorrell .
Flash Content
The Prodigy - Warriors Dance (mp3)
"Worlds of Fire" começa meio chata e roqueira demais, mas logo pega fogo quando os teclados entram e levantam o pique da música. "Run with Wolves" é bem a la "Firestarter" e "Poison", com paradinhas estratégicas, guitarras pesadonas, o indefectível vocal de Keith Flint e a participação de Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters) na bateria. "Thunder" é puro punk rock eletrônico, nervosa e urgente - e resgata também os vocais ragga que dominavam os primeiros singles da banda. "Invaders Must Die", o primeiro single, também tem um ótimo pique.
Flash Content
The Prodigy - Run With The Wolves (mp3)
Flash Content
The Prodigy - Thunder (mp3)
Algumas edições do CD trazem as faixas bônus "Black Smoke" (destaque para a bateria árabe e um clima meio Chemical Brothers) e "Fighter Beat", uma ótima faixa techno kraftwerkiana.
Flash Content
The Prodigy - Fighter Beat (Bonus Track) (mp3)
DE VOLTA PARA O FUTUROMas uma hora a gente acorda e percebe que estamos mesmo é em 2009, e a fusão rock e dance já é tão lugar comum que infelizmente algumas faixas de
Invaders Must Die acabam soando como se uma daquelas bandas de funk metal dos anos 90 (Faith No More, Living Colour, etc) estivessem agora tentando "atualizar" o seu som. É o caso da confusa "Piranha" e de "Colours". "Omen" é animada e pulsante, mas lembra demais a pior fase da new rave multicolorida - algo como um Klaxons com mais testosterona. "Stand Up" parece totalmente perdida no meio de tudo, e soa mais como um single do Go! Team do que do Prodigy.
A pergunta é: faz sentido um álbum novo do Prodigy em 2009? E ainda por cima um álbum tão nostálgico? Se a primeira posição que o álbum alcançou essa semana na parada inglesa (vendendo mais de 100.000 cópias) é sinal de alguma coisa, então talvez a resposta para as duas perguntas é sim.
Saiu um bacana este mes pelo selo Cut & Run (ja tenho, eba!). Eh isso... Prodigy eh fundamental, principalmente quando o Liam produz aquela linha hardcore/breakbeat que a gente adora.
THE PRODIGY RETURN !!!
WITH THEIR 5th STUDIO ALBUM...
http://www.htfr.com/more-info/MR294385
TRACKLISTING:
01. Invaders Must Die
02. Omen
03. Thunder
04. Colours
05. Take Me To The Hospital
06. Warrior's Dance
07. Run With The Wolves
08. Omen Reprise
09. World's On Fire
10. Piranha
11. Stand Up
[s]
Liam com sempre encabeçando o grupo e descabeçando a gente.
Hai.
é a essência, não dá pra fugir.
eles são impecáveis e o topo nas paradas inglesas provam que nem tudo na música eletrônica é urgência pela novidade.
Boa Lobbão!