Rio Music Conference - 1º Dia
RMC 2009
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Rio Music Conference - 1º Dia (18/fev)
19.02.09 10:35
Rio Music Conference - 1º Dia (18/fev)
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Rio Music Conference - 1º Dia
Confira os ponto altos das palestras e workshops na Marina da Glória
19.02.09 10:55
 
Teve início ontem às 19h na Marina da Glória, Rio de Janeiro, a primeira edição da Rio Music Conference. O evento que visa discutir a música e a cena eletrônica no Brasil e no mundo começou duas horas depois do horário previsto, atraso causado por problemas na finalização da cenografia. O público médio parecia ter cerca 300 pessoas, e pela estrutura, debates e aprendizado gerado, pode-se dizer que o evento foi de fato um sucesso em no primeiro dia.

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Entre estandes culinários, de agências de DJs e de núcleos do mercado da música eletrônica havia a RMC University - alcunha criada para o conteúdo debatedor e de aprendizado do evento: ontem foram três palestras e três workshops que movimentaram a bem decorada estrutura montada sob a quente brisa marítima da Marina, região centro-sul da cidade. Na primeira mesa, a imagem da música eletrônica na indústria do entretenimento e na propaganda. Paulo Zillioto, da Adidas, explicou como é a abordagem de uma marca "jovem" com os artistas, dizendo que mais que dinheiro, oferece-se parcerias e produtor - "um DJ ou produtor só vai usar nosso produto por livre vontade, se gosta". Camilo Rocha criticou a imagem óbvia, mas também depreciativa, que a dance music tem como cultura de balada. "Nunca se vai além disso, falta olhar com profundidade para uma cultura que tem origem lá nos anos 70 - não que todo mundo deveria saber a origem de tudo, mas seria bom valorizar mais a cultura". E listou algumas iniciativas bacanas do mercado, como o selo Bacardi B-Live e o Kids Music Festival, além de anunciar que está trabalhando em uma compilação dançante para se ouvir na academia. Ao palestrante da 3Plus, Wagner Paco, foi perguntado sobre como um artista iniciante pode despontar hoje, e a resposta "internet, claro" esteve na ponta da língua dessa pergunta que se repetiu várias vezes durante a noite.

Completando a mesa, estava Sergio Eleutério, da Plataforma Jovem da Skol (AmBev). Perguntando com insistência sobre o Skol Sensation, um exemplo negativo dessa imagética "baladeira" da e-music hoje, ele disse que apesar deste novo projeto buscar um público "que não atende 10% dos frequentadores do Skol Beats", a marca ainda investe na divulgação da cultura eletrônica, citando o portal de notícias Skol Beats como exemplo. Especulado para um indefinido segundo semestre, a cerveja Skol Beats tem ligação direta com a RMC como produto, sendo seu patrocinador direto.

NOITE LEGAL
O delegado de Polícia Civil Marco Castro apresentou as diretrizes e conceitos do projeto Noite Legal. Ele, que também é DJ nas horas vagas, disse que não dá para reclamar perante a imagem negativa que eventos de eletrônica tem na sociedade se os produtores de evento não seguem as rígidas normas para realização de uma festa, rave ou mesmo de um baile funk. "Sabemos que um evento é sempre a administração de um problema do começo ao fim, de fatalidades a uso entorpecentes, o projeto serve para educar, para cuidar da segurança de um modo que não aja repressão e preconceito", e citou como exemplo exageros como artistas que fumam baseados no palco e explicou que certos zelos, como a instalação de câmeras de segurança, podem ajudar a proporcionar tranquilidade principalmente para os organizadores. Em breve o rraurl.com aboradará o tema com mais atenção, fique ligado, pois não é sempre que a própria Polícia cria programas de conscientização que visam a própria quebra de preconceitos.

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Enquanto a segunda palestra era montada, o histórico DJ Memê contou histórias e deu dicas preciosas em seu workshop de remixes. Disse para uma sala lotada (60 pessoas, bem acima da lotação oficial) que para criar um remix autêntico, "under", é necessário "decidir as intenções e ações de forma autoral, não ter medo". E dissecou "Lança Perfume", de Rita Lee, explicando com um bom humor deliciosamente didático conceitos como kick, loop, harmonia (o humor da música) e como DJs que não sabem tocar instrumentos ajudaram a revolucionar as versões de músicas ao longo dos anos - "não ter vergonha nem medo de samplear é um preceito para essa poderosa revolução sonora tão associada à dance music", lembrou Memê.

Na segunda mesa da noite, o tema "Clubes e Eventos: A Força da E-Music no Mundo" teve foco no gigantesco microcosmo e nas peculiaridades da cena brasileiria. Fernando Moreno, da SmartBiz lembrou que é importante investir em novos talentos para fugir da arraigada cultura de supervalorização de nomões e DJs gringos, uma característica reclamada com certo desencanto por Leo Sanchez, do Grupo Pacha/Sirena. "São Paulo saturou. Se a gente faz uma noite só com brasileiros na Pacha, ninguém vem, é como se não tivesse tido festa aquela noite", reclamou, lembrando que neste caso de clubes para mais de três mil pessoas, a mistura de público é maior e gera uma expectativa menor em termos de especialização musical e novidades sonoras "com a crise, a gente tem investido mais em festas temáticas, que tenham outros atrativos além da música". Ainda sobre o assunto, Joel Dibo do clube Garage (Campo Grande/Cuiabá) lamentou como é penoso criar festas disputadas por conta dessa valorização excessiva em torno de certos nomes, mesmo que a cena do Centro-Oeste se encontre em franca expansão.

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Erick Dias falou em nome do grupo No Limits (Tribe, etc), e admitiu que de 2002 até hoje as raves foram bombadas por um modismo e pela ramificação da eletrônica, explicando como a empresa gera milhares de empregos diretos e indiretos. A sensação geral foi de que, apesar da crise e da supervalorização de DJs gringos, a cena eletrônica no Brasil passou faz tempo da novidade e hoje encontra-se madura, principalmente em termos de mercado. "Numa Tribe alguns anos atrás, metade do público estava lá pela primeira vez. Hoje quase todo mundo já foi numa festa antes", contextualizou Erick. E Leo Sanchez exemplificou com um bom exemplo ao lembrar que, quando o Sirena deixou de abrir todo dia para chamar público da Pacha SP, as pousadas de Maresias se reuniram e pediram encarecidamente que o clube reabrisse.

DO VINIL AO DVJ
Enquanto o produtor audiovisual Jodele Larcher e o VJ Spetto traçavam um histórico da cultura VJing, explicando a importância de EBN, ColdCut, Addictive TV e do escritório UVA (United Visual Artists, a última palestra adquiriu ares internacionais, com um representante do site Awdio.com (que transmite sets de clubes em tempo real), o PR do Beatpor, o DJ Oliver Klein e Rodrigo Vieira (UC Music Group) comentando a queda do vinil e a ascenção do mercado digital. Vieira abriu bem mostrando os números superlativo dessa cultura musical em bits. Alguns:

- 550 milhões de assinantes de banda larga; 2,5 bilhões de celulares no mundo
- 140 milhões de MP3 players; 1,7% downloads legais em 2008 (aumento de 53%)
- Um mercado que gerou US$ 3,7 bilhões no ano passado.

Ele lembrou como de 2003 até hoje a música passou de 10 para mais 100 formatos possíveis de venda de música, exemplificando que das 19 milhões de unidades do CD FutureSex Lovesounds de Justin Timberlake, apenas 20% eram em CD. E para o Brasil, números significativos e alarmantes: 89% das 2.9 milhões de pessoas que baixaram música o fizeram de forma ilegal; estima-se que 53 milhões de CD-Rs tenham sido queimados, número 13% maior do que todo o mercado nacional (!). Com os dados a postos, a apresentação do Awdio e do Beatport serviram mais para exemplificar estes novos rumos de comercialização e broadcast digital, com o representante do Beatport explicando que o próximo desafio da megaloja eletrônica virtual é conseguir vender certas faixas sem permissão para comércio internacional, que seriam levadas ao consumidor através de novas licenças e "selos espelhos" (sub-labels com permissão para vender internacionalmente).

MARKY, SEGUNDO DIA E COBERTURA RRAURL
A primeira atividade da RMC foi um workshop com Marky sobre DJing, que perdemos por causa do traslado. Mas conferimos mais tarde à noite, na festa da 3Plus no Lounge 69, que o DJ ainda é rei da técnica e do repertório DNB, refinado e empolgante ao mesmo tempo - colocou uma festa meio desanimada para sacudir as pernas. Ele que em março lança no Brasil sua compilação Influences, já lançada no exterior.

A RMC continua hoje (qui, 19/fev), e amanhã você confere a cobertura do último dia de RMC University, que terá participação do rraurl também em palestra. Os debates serão seguidos por quatro dias de festas com top DJs no carnaval (saiba mais


Fotos: Eduardo Llerena

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
Gaía Passarelli
Gaía Passarelli
comentários
11 comentários
SanyPitbull
SanyPitbull(27.02.09)
1AprovadoQueima
Linda nada.. Maravilhosa Gaía
Com todo respeito.
Psycho
Psycho(25.02.09)
1AprovadoQueima
"100 formatos possíveis de venda de musicas"?
Me contem 20?
NeWMaris ::
NeWMaris :: (24.02.09)
1AprovadoQueima
O mudinho virou mundão!
Samo
Samo(19.02.09)
1AprovadoQueima
@Rômulo Gomes... seria ótimo!
Danilo Poveza
Danilo Poveza(19.02.09)
-2AprovadoQueima
Foi tudo sisudo assim? Em 2010 eu vou pra Convenção da SAMORC, então...
=D