Aos 30 anos, o inglês Henry Smithson aka Riton é uma figura curiosa. Jovenzinho, lançou seu primeiro disco em 2001; três anos depois pesou nos vocais parar criar um beat próprio, gordo, marcante e indefinível (seria electrohouse não tivesse sido aloprado) em
Homies and Homos, que seguiram pela década sempre em contrapontos a synths e loops eletrocutados.
Agora, no terceiro momento de sua carreira, nada é ao mesmo tempo tão natural quanto surpreendente que Riton assumindo uma alcunha experimental, chamada
Eine Nacht Kleine Musik (Uma Noite com Música, nome da 13ª serenata de Mozart). Aqui, o krautrock é a sonoridade e o campo ideológico para um "saudável exercício nostálgico" como
bem grifou a concorrência. O disco homônimo do projeto saiu em julho de 2008 na Europa, mas acabou de ser lançado nos EUA pela Modular - que faz bem ao buscar o experimental para limpar um pouco seu nome dos infindáveis sucessos e hypes do electro-pop australiano.

No começo de
Eine Nacht Kleine Musik, Smithson abusa da semente psicodélica do krautrock (termo usado para certo rock experimental dos 60s/70s que misturava sintetizadores com elementos do rock progressivo). "Ertrinken" é a comissão de frente de uma viagem sideral em que os synths soam como a vértice criada por máquinas rumo ao espaço, até culminar em confortantes baterias viajandonas tão usadas pelo Chemical Brothers pós-
Surrender (1999). Na segunda faixa, o estica-e-puxa de notas orgânicas que remetem à bucólica
Tonto's Expanding Head são alternadas em disparos de acid techno, tão comuns ao Riton.
O apreço pelos sintetizadores aparece no som do Riton desde seu famoso cover de
"Killing na Arab" (The Cure) até seus
EPs mais recentes, e em certo momento do disco a previsibilidade dançante do synth some e o colorido alucinógeno é abandonado em busca abrigo numa simplicidade camponesa. Caso dos aparentes banjos de "Die Fontäne", que viram suntuosas cítaras na sequência em "Bardolator". E para quem gosta da experimentação, mas não abre mão do lado clubbing, "Besuchen Sie Mich Einmal" é pancada certa através da bateria dura e preguiçosa, dos lampejos celestiais e rasgos sintéticos que pipocam enquanto notas cantam a melodia. Contrapondo esses momentos, o encerramento soturno com a dedilhada "Das Regenecho" e "Quecksilber", de synths bucólicos e surrealistas.
EINE KLEINE NACHT VIDEO!Para o álbum do Eine Kleine Nacht Musik, o jovem produtor trancou-se no estúdio com músicos amigos buscando a organicidade retrô que faz do projeto uma boa dose de eletrônica easy listening. E também criou um filme de dez minutos dirigido por um tal "The Phantom" (!) em que esta viagem sonora e espacial inspirada por aparelhos germânicos ganha complemento audiovisual de coerência psicodélica, transformando-se de fato em algo muito além de um simples "exercício experimental" de um artista eletrônico já consolidado. Assista um trecho no YouTube abaixo, e a íntegra está no
site do projeto.
eu gostei bastante desse album... e me fez ouvir can, faust, harmonia e outros krauts