Já um ícone pop dos nossos tempos, inglesa larga o agito do reggae e mergulha em baladas eletrônicas no seu tão anunciado segundo álbum

A fantástica arte de lançar a mesma música doze vezes e ainda assim fazer um álbum se não memorável, pelo menos aproveitável.
Lily Allen deu uma entrevista recente dizendo "não se achar nada talentosa" e que "tem certeza que todo mundo esta prestes a descobrir isso". E foi exatamente esse tipo de reação que tive ao ouvir o seu segundo álbum
It's Not Me, It's You, que teve seu lançamento mundial na última segunda-feira (Brasil incluído). Não me entenda mal, o álbum certamente se mantém gracioso na maioria de seus 40 minutos, e vários estilos inéditos à carreira da cantora são utilizados. O problema é que o vocal de Lily não decola - se mantém praticamente idêntico em todas as faixas.
O álbum foi produzido por Greg Kurstin, do fofo The Bird and the Bee, e de cara soa bem menos imediato que
Alright, Still concebido por Mark Ronson. No lugar dos samples de reggae, ska e funk mais velhos que a própria cantora, Greg usou camadas eletrônicas extremamente polidas, suaves, inofensivas e por ora tanto modernas, mas que muitas vezes afundam no massante dance de baladas radiofônicas.
"The Fear" e "Everyone's At It", os dois primeiros singles, fazem parte do segundo time. Ambas são guiadas por um piano dramático digno das odisséias pop do Coldplay e afins, enquanto o resto do instrumental se apresenta em batidas animadas e alguns sintetizadores joviais. Ainda que sejam sucesso comercial, serão facilmente esquecidas - algo que "Smile" e "LDN" não foram até agora.
A VOLTA DAS TEMIDAS BALADASAo menos em termos instrumentais o álbum não aparenta ser uma versão piorada do primeiro CD, pelo simples fato que são muito diferentes. "Not Fair", por exemplo, é um western dedilhado com velocidade junto a uma típica batida militar cheia de caixas e pratos. "Never Gonna Happen" introduz uma sanfona de conquistar fãs de Gogol Bordello, mas quando o refrão surge vira uma tortura. A faixa fica infantil e previsível, de modo que só pode ser hit entre as crianças.
Aliás, não apenas uma faixa possui refrões pegajosos apto a serem aproveitadas por audiências não críticas: donas de casa inglesas. "22" parece um B-side fracassado das Spice Girls, repleto de efeitos sonoros batidos incluindo o refrão com eco cafona. E se "Fuck You" não fosse guiada por um palavrão, poderia ser hit no próximo natal inglês com sua melodia cheia de tilintares extremamente natalinos.
DO COUNTRY AO SYNTH-POP COM A MESMA LINHA VOCALE as bases continuam mudando (às vezes não muito), o vocal permanece o mesmo: muitas camadas da voz de Lily (ora cantando, ora sussurando) para alcançar um efeito semi-cantado. As vezes tem-se impressão de se ouvir um álbum de remixes - a mesma melodia vocal com instrumental diferente. E mesmo que qualquer letra da cantora imprima mais realidade e veneno que a carreira de qualquer outra popstar contemporânea, que reclama sem receios sobre um boquete que ela teve que fazer, até entrar em assuntos mais delicados, como quandose reconciliou com seu pai. Em todos esses momentos Lily soa extramente segura.
No final das contas, o álbum da Lily Allen cai naquela (batida) frase popular: bonitinha, mas ordinária. Quando a inglesinha parar de tentar colocar sua personalidade em músicas radiofônicas (no sentido mais negativo da palavra), ela não precisará dizer que "não tem talento". Enquanto isso, ela recorre a produtores para reinventar a carreira do mesmo jeito que todas as outras popstars que ela tanto critica. Fica a dica, Lily: pede para sua gravadora ligar pro Mark Ronson e encomendar um
Alright, Still 2.
Será que a Amy vai salvar a moral de todas essas meninas que gostávamos tanto?
:/