Com mais de dez participações especiais, era de se esperar mais do projeto de Norman Cook
O grande problema de álbuns multi-estrelados capitaneados por um artista é que dificilmente eles apresentam uma unidade necessária para chamá-lo de álbum. E acabam soando como uma compilação de artistas que muitas vezes não tem nada a ver um com os outros e por fim não deveriam ser chamados de álbum. A estreia do time dos sonhos de Norman Cook (aka Fatboy Slim) teve seu conceito
bem explicado desde o ínicio; artistas gravando música dos anos 70 nos anos 70.
BRIGHTON: o capitão está nu!

Tirando esta brincadeira cronológica, a parte que diz respeito ao som seguiu à risca o prometido, mesmo andando por caminhos diferenciados como rock, pop e ritmos jamaicanos como reggae e ska.
I Think We're Gonna Need A Bigger Boat é preenchido pelos mesmos clichês de álbuns de convidados (o que faz seu título ser sugestivo). De cantores que aproveitam todas as oportunidades de se juntarem a novos projetos, até os que tentam se distanciar musicalmente do que normalmente fazem. E como em qualquer álbum pop, há hits natos e faixas que passam longe de serem singles - mesmo não sendo necessariamente ruins.
EMBARCAÇÃO LOTADA PODE NAUFRAGARO problema é quando um dos artistas que você gosta é escolhido para o papel secundário. Jamie T, uma espécie de rapper britânico também influenciado pelo rock do Clash, derrama seu pesado sotaque numa base mediana em "Local Town", mas podia ter feito algo muito melhor. E Emmy The Great parece estar cantando música de propaganda de celular, apesar de fazê-lo muito bem ainda que distante do potencial da cantora.
Martha Wainwright canta em "Spade", que parece aqueles reggaes produzidos por Mark Ronson para Lily e Amy. E a cantora faz muito bem, passeando por notas e reforçando a imagem de boa cantora que já é anexado a ela. O clima bolero de "Should I Stay Or Should I Blow" cantada por Ashley Beedle lembra bastante David Byrne.
O arroz de festa Byrne dança em "Toe Jam" com sua melodia ensolarada e seu toque africano de inspirar o Vampire Weekend. A faixa consegue sair um pouco do caminho óbvio quando Dizzee Rascal passa rimando rápido, mas volta rapidamente ao clima caribenho até o fim de seus três minutos e meio. Em "He's Frank (Slight Retrun)", o eterno punk Iggy Pop soa grave em base chiclete com cara de Beck nos anos 90 (inspirado pelos 70, claro). Interessante não é, mas nem por isso menos charmosa.

Parceiro de longa data de Norman Cook, Simon Thornton mostra que além de produção também sabe cantar na leve e inspirada "Superman". Outro que eu não tinha idéia que cantava é o produtor Cagedbaby conhecido por seus remixes para artistas como Empire of the Sun, Alphabeat e Sneaky SoundSystem. E ele também se sai bem, apesar de "Superlover" parecer como algo que o Robbie Williams lançaria. Bem pop também é a participação de Olly Hite com "So It Goes".
O álbum acerta em se manter focado em estilo ensolarado. Mas no final das contas, ouvir aos 40 minutos de
I Think We're Gonna Need A Bigger Boat acrescentam tanto à sua vida quanto ouvir a Alpha FM num domingo de manhã. Músicas que te acompanham bem num segundo destaque, mas que jamais tomam a frente. E sinceramente, num álbum que tinha nas mãos Iggy, Jamie, Dizzee, Emmy, David, Martha e tantos outros, o impacto causado poderia ter sido muito maior.