Chromeo, Shitdisco, Amanda Blank, Vicarious Bliss e The Bewitched são os nobres convidados da pomposa estréia do produtor francês
Yuksek esteve na nossa
lista de apostas para 2008 - e ele não decepcionou. Lançou um excelente EP (
Tonight), fez vários remixes e um
bom live em São Paulo, no entanto, ficou faltando o tão esperado álbum de estréia. Sorte que no começo de 2009 o francês tomou conta dessa falha e lançou
Away from the Sea, um álbum repleto de participações, novas idéias e força suficiente para empurrar o maximal de volta as pistas esse ano - ao contrário do terrível álbum do Birdy Nam Nam,
Manual For Successful Rioting, produzido por Yuksek (mais sobre eles depois).
Mas para quem tem a missão de salvar o electro da repetição e do exagero que preencheu boa parte da
bloghouse, Yuksek começou mal ao escolher "Break Ya" para abrir o álbum. A faixa é praticamente a mesma que surgiu em 2006: os típicos vocais recortados, o sintetizador Ed Banger e uma melodia que não vai a lugar nenhum podia representar o futuro antes, mas em 09 só a torna datada. Sorte que na sequência "Tonight" revive as expectativas utilizando vocoders, breaks e sintetizadores afiados de machucar pistas. De maximal ainda há "Take A Ride" (ok), "I Like To Play" (boa) e "Eat My Bear" (horrível).
O ponto alto são as faixas que fundem vários estilos e se mantém dançante. "A Certain Life" é tão orgânica e leve que lembra os melhores momentos do
Friendly Fires - até o modo entediado de cantar é parecido. "Extraball" é o encontro dos sintetizadores de
† (Cross) com as rimas rápidas de Amanda Blank (Spank Rock) e Yuksek cantando um pegajoso refrão. "I Could Never Be a Dancer" tem construção corajosa e sintetizadores épicos.
Flash Content
Yuksek - A Certain Life (mp3)
ME, MY FRIENDS AND MEN LIKE MEAlém de Amanda Blank, o álbum conta com mais quatro participações. The Bewitched canta na electro-pop "So Far Away From The Sea" com todo um clima
Passion Pit; "This Is Not Today" tem os sobreviventes da new rave ShitDisco cantando com vocal grave fantasmagórico e robótico repetindo que "não precisa de seu rock'n'roll". Aparentemente ninguém precisou do deles também. Chromeo participa meio synth-pop em "So Down", mas infelizmente a faixa não acontece - apesar de deixar uma boa impressão. Vicarious Bliss aparece turbinando "Little Dirty Trip" com remix dramático idêntico ao presente no EP de 2007
Composer.
No lado mais calmo do álbum, "Freak O Rocker" parece um shoegazer eletrônico de tão intimista e leve que é. E a reprise de "Tonight" aparece como faixa bônus após a ruim "Eat My Bear" e alguns minutos de silêncio. A reprise conta, mais uma vez, com a participação do Bewitched (com a mesma versão presente no EP
Tonight). A faixa parece que foi composta em torno de uma fogueira com palmas, chocalhos e muita emoção.
Mesmo que mais da metade do álbum já fizesse parte do catálogo antigo do produtor, e ainda que as faixas inéditas sejam colaborações com outras bandas, o álbum tem de tudo para ser o melhor de electro desse ano, grande parte por sua diversidade - álbuns monotemáticos dificilmente são bons - mas também por conseguir resgatar um gênero que de tão batido estava se aproximando do cemitério musical.
:)