Banda toca todas as faixas da estréia, duas covers e uma inédita e público ainda pede mais
O Little Joy não precisava ser bom. O álbum poderia ter sido qualquer coisa, o show não precisava ter sido animado e ainda assim a resposta do público teria sido a mesma: uma tietagem quente e bem aceita pela banda. Mas felizmente a estréia do projeto paralelo de Rodrigo Amarante (Los Hermanos), Binki Shapiro e Fabrizio Moretti (Strokes) nos palcos foi ótima: um som californiano low-fi, trilha de verão preguiçosa, repleto de melodias gostosas e vocal doloroso.
No entanto, mesmo sendo boa a estréia (
a nota do rraurl 3.5/5), o disco do Little Joy é arrastada demais para soar bem no palco - pelo menos essa era a expectativa geral. O trio se torna um sexteto ao vivo e não teve pressa em mudar a expectativa de ninguém, iniciando o show com "Play The Part" - uma bossa nova cheia de lamúria, acompanhada de uivos e alguns acordes de violão.
Após calorosa resposta, a banda finalmente entre em cena e "The Next Time Around", a faixa que abre o álbum, é acompanhada por gritos e pessoas cantando letra por inteiro. Quando Binki canta bem tímida o trecho em português, o público vai ao delírio e ela ri. "How To Hang A Warhol" mantém a temperatura alta com seu ritmo sessentista casando com um baixo caipira, e "No One's Better Sake" encerra a animada e fácil tríade.
Binki muda o humor do palco em seu momento solo com "Unattainable" e passeia por várias notas sem aparentar nenhum esforço - apesar de parecer pouco confortável com a exagerada atenção recebida. Ela é carismática sem tentar, ao cantar olhando pra baixo, destraída com suas mãos... Nada contra Rodrigo Amarante, a voz dele é ótima tanto no show quanto no estúdio, mas Binki certamente é a melhor voz do palco.
"Shoulder To Shoulder" e "With Strangers" dão sequência ao lado mais intimista do Little Joy, que funciona com a platéia já toda nas mãos da banda. O transe minimalista é encerrado com a strokiana "Keep Me In Mind" - Amarante até que lembra um Julian Casablancas melódico, enquanto o guitarrista Noah Georgeson emula o melhor do som garage dos meninos do Stroke. Mais uma vez, o público agradece.
PORTUGUÊS MACARRÔNICOUm falante Fabrizio, visivelmente breaco, conversava com o público em português e fazia questão de dizer que estava tendo um ótimo momento em São Paulo. E por incrível que pareça, Amarante também o acompanhava nos elogios. "É muito bom estar de volta. Eu não consigo nem explicar". Numa dessas ondas de boa humor, ele anunciou que a banda iria tocar a cover de Helen Shapiro ("não é a tia da Binki", ele explicou).
Então Binki Shapiro começou a cantar Helen Shapiro. O
hit dos anos sessenta animou e foi uma das melhores faixas da noite. Depois, outra cover, dessa vez do Kinks para "This Time Tomorrow", cantada por Fabrizio. Outro clássico que ajudou e muito o repertório da banda. No final, Binki deu um selinho no novo cantor que comemorou dizendo que "não sabia cantar" e que "conseguiu".
Um animada música nova, ainda sem nome, e a leve "Don't Watch Me Dancing" encerraram o show. Após alguns pedidos de retorno, Amarante volta ao palco sozinho e canta a última faixa do álbum "Evaporar". Essa é a única faixa cantada totalmente em português e a que mais lembra a carreira dos Los Hermanos - especialmente o último álbum. A banda retorna completa ao palco e o single "Brand New Start" encerra a noite.
Entre gritos histéricos de fãs do presente e do passado, três amigos se divertiam e apresentavam todas as faixas de um álbum bem sucedido, fora algumas covers e uma inédita. O clima do Clash se manteve amigável durante toda a noite quente e só comprova o que havíamos dito sobre o som do Little Joy: é a trilha sonora para o verão.
O show estava marcado para começar às 22h00, só começou às 23h, ainda assim com a banda de abertura, o Cidadão Instigado. O Little Joy mesmo só entrou aos palcos 0h15, horário um pouco tarde para um dia de semana. O Clash podia tomar mais cuidado com isso nos próximos dois shows da banda, confirmados para hoje (29/jan) e quinta que vem (05/fev).
Fotos: Lucas Lima/UOL
Agora que o assunto está esclarecido, seria muito oportuno e justo que o último parágrafo do texto, que critica o clube por um suposto atraso, fosse modificado, já que parte de uma premissa falsa para chegar a uma conclusão igualmente falsa.