Eletrônico pero no mucho... Sintetizadores são adicionados ao rock dançante, mas o som dos escoceses continua quase o mesmo
Se o Strokes foi o responsável pelo ressurgimento do rock no novo milênio, o Franz Ferdinand foi aquele que o tornou sexy, dançante e pop. Desde sempre, os singles dos escoceses conseguiram conviver ao lado de qualquer coisa criada para as rádios, mesmo sendo uma música com camadas e repletas de referências históricas - sem mencionar o fator "arte" da banda.
No entanto, mesmo tendo dois ótimos lançamentos em sua carreira, a banda não demonstrou nenhuma evolução aparente. As mesmas guitarras angulares roubadas do pós-punk, os mesmos baixos funkeados e a mesma rigidez e agilidade da bateria estavam presentes em todos os hits da banda. E continuar no caminho esperado os manteve bem sucedidos, mas os afastou de qualquer desafio musical - o que, criticamente, é um crime.
Assim, após toda a superexposição causada pelo
You Could Have It So Much Better o Franz Ferdinand decidiu entrar em férias para vivenciar novas influências para moldar
Tonight: Franz Ferdinand com novos elementos. Este terceiro disco, lançado essa semana, é a banda em seu primeiro contato com a música eletrônica, apesar de não necessariamente alterar suas fórmulas roqueiras bem sucedidas.
TONIGHT: SINTETIZADORES..."
I'm bored / C'mon let's get high" convida Alex em "Ulysses", primeiro single e faixa que abre o álbum, acompanhado de um ótimo baixo e de um tom safado que apresenta o sintetizador - ele irá te acordar do tédio do rock e te colocará novamente para dançar ao som das guitarras. O synth agrada, mas no fim das contas é o velho e famoso Franz Ferdinand. E se você enxerga algo a mais nessa faixa, deve ser, provavelmente, fruto da saudade de uma banda que ficou algum tempo fora do mapa.
É o que comprova "Turn It on", "No You Girls", "Send Him Away" e qualquer outra faixa presente no álbum, para ser bem franco. A new wave, o pós-punk e o perfect pop dos anos 60 tendo um relacionamento similar ao já apresentado - mistura de retrô e moderno - para ninguém duvidar que a mistura funciona.
... E TECHNO ALEMÃO?O grande desafio do álbum, a melhor e mais inesperada faixa do álbum, atende pelo nome de "Lucid Dreams" e tem inacreditáveis oito minutos de duração de pura mutação. Ela começa como uma faixa perdida dos Beatles - redonda, pura e com melodia afetiva - que se vê acompanhada por uma bateria raivosa até se tornar um clássico hit franz-ferdinandiano.
Porém, três minutos depois, guitarras distorcidas são gradativamente substituídas por um sintetizador e "Lucid Dreams" vira um techno de causar espanto em pistas alemãs: sintetizador seco dançando com batidas pesadas e um baixo imensamente grave. É surpreendente, de se torcer para que ela não acabe mais. Mas acaba, assim como o lado inovador de
Tonight... que volta a percorrer melodias lentas e já experimentadas pela banda.
Apesar do disco de estréia da banda ter mais hits, apesar do segundo álbum os terem colocados numa posição confortável como grandes nomes do rock dançante, esse álbum é o mais completo de todos. É o som que a banda deveria ter alcançado desde o começo de sua estréia - charmoso, energético, rico e eclético. Infelizmente, o Franz Ferdinand quase alcançou esse ápice em cada lançamento, o que tira um pouco do brilho do que esse terceiro álbum representa à carreira deles. Já que para ser bem sincero, todo mundo entendeu que a banda é boa no que faz, então rapazes, hora de assumir desafios e nos surpreender novamente.
resenha fodaça! tocou nos pontos exatos e eu realmente fiquei pasmo com os rumos que "Lucid Dreams" tomou em determinado ponto e queria sim que a faixa não acabasse mais. Mas acho que o Franz mandou muito bem com este disco: consolidou de vez a sua sonoridade típica e permitiu-se a algumas ousadias. Acredito que a banda ainda esteja alguns degraus acima da média, principalmente pela qualidade das composições, arranjos, etc. Mas exigir uma mudança radical eu acho que eles ainda têm alguns anos de estrada pela frente para poderem tomar tal decisão sem dar com os burros n'água logo tão cedo (ao contrário do que fez o U2 com Achtung Baby/Zooropa e que parece ser o modelo a ser seguido pelos apressadinhos de plantão já no segundo disco)
Agora é esperar pelos remixes, que certamente vão dar a liga aos fios desencapados que eles deixaram soltos com as faixas mais dançantes do disco.