O verão é músicado com elementos da space disco e do pop eletrônico na estréia do projeto americano produzido por Prins Thomas
O verão não é doce apenas na sonora
Escandinávia. O novo beat baleárico que cria cenários musicais em que o downtempo preguiçoso dita o ritmo do sol está sendo disseminado ao redor do mundo, em sua grande maioria por produtores maduros e tranqüilos, bem longe de claustrofóbicas pistas de dança - mas sim perto de brisas suaves que arrepiam a pele, amaciam os ouvidos e tocam o coração.
A profusão de diferentes elementos que passam de um lado pela (neo)disco e pela house music, e do outro pelo cancioneiro folk, por alguma levada punk e por certo sabor psicodélico via pop criam esta música ilustrativa, de natureza viva. É o clima presente em
Coastlines, álbum de estréia do projeto
Windsurf, união de dois produtores de São Francisco: Daniel Judd (aka Sorcerer) e Sam Grawe (aka Hatchback). O disco foi produzido por ninguém menos que
Prins Thomas, definitivamente o rei dessa prolífica nova cena disco/belárica e que lança o disco pelo
Internasjonal, subselo de sua
Full Pupp para lançamentos globais (Nick Chacona é um de seus afiliados).
Esta ponte aérea Bay Area-Oslo rendeu um álbum de dez canções que agrada a todos, e tem muito mais consistência que artistas similares, como o jovial
Low Motion Disco, que abusa das fábulas animalescas.

Como se trata de música cheia de doçura - em alguns momentos afetação, como na balada "Light As Daylight" -, os elogios podem parecer diabéticos, mas são justos e pontuais, já que
Coastlines agrada a gregos e troianos. Tem os elementos inorgânicos tão amados por alguns - a caída do beat de percussão
housy em "Future Warriors" é um bom exemplo. E tem a melodia electro-pop que pode agradar tanto um fã de Junior Boys quanto do violão de Erlend Øye.
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Windsurf - Future Warriors (mp3)
Os dedos mágicos de Prins Thomas são audíveis na faixa de abertura, "Moonlight Sun", uma prova de que esse conceito natureba e de amenidade musical de verão é cumprido. Notas em teclado onde ritmo é marcado e permanece, emanando arpejos elétricos em baixa voltagem. Ao fundo, aquela progressão
a la Moroder/Cerrone e os acordes característicos da safra norueguesa.
Aos amantes da música humana e orgânica, quatro cordas de um baixo potente comandam o deep house faceiro de "Pocket Check", em que a percussão também aparece, marcando o compasso - clima este seguido na esférica "Windsurf". Por sinal, caixas, breaks (aka paradinhas), quebradas em bongô, enfim, a percussão faz o disco todo ter um suingue tropical, fazendo ser música perfeita para um verão tórrido como o brasileiro.
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Windsurf - Pocket Check (mp3)
Sam 'Hatchback' Grawe e Daniel 'Sorcerer' Judd

Destaque do disco, "Cracking the Cube" é onde o clima 80s está mais latente (as memórias de infância sempre contem no baleárico, um gênero retrospectivo). Há uma mistura estranha de dark wave com elementos de new age (Enya!), e não new wave. Mas as palminhas e os acordes trazem a canção para o século 21. É também a quebra de um conceito, já que se utilizam notas e cordas da dançante e notívaga disco music para musicar solstícios. "Crystal Neon" fecha o disco com onze de experimentalismo, barulhos de cascatas e choques elétricos kraftwerkianos. Perfeita para quando o sol se põe.