RECOMENDAÇÃO PRÉ-LEITURA: Ignorar toda a história envolvendo a formação da banda, de onde vieram seus integrantes e o que faziam antes desse álbum. Foque em como a estréia do Little Joy é o perfeito álbum de verão, e como suas músicas se unem aos bons momentos da vida em épocas de sol forte e céu azul.
Sabe quando você conta uma história tantas vezes que já se sabe o caminho a seguir, a parte que as pessoas gostam mais e a reação que cada frase causa? Da mesma forma que alguns detalhes se tornam mais ricos, outros são adicionados e uns omitidos. É mais ou menos assim a estréia do projeto de Fabrício Moretti (Strokes), Rodrigo Amarante (Los Hermanos) e Binki Shapiro se comporta.
Num primeiro momento, ao ouvir as onze faixas distribuídas em pouco mais de 30 minutos de duração, nenhuma delas se destaca. Aliás, o álbum passa batido como trilha-sonora alheia, quase lounge, mesmo que permaneça uma sensação de conforto. E é por isso que você retorna a ele mais vezes. Com o tempo, o álbum começa a crescer ao ponto em que você decora todas as faixas, mas ainda não consegue citar uma como destaque.
FRAQUEZA? NÃO, PUREZAMais algumas vezes no
repeat e você já tem na ponta da língua o número de camadas de guitarras preguiçosas de cada faixa, aquela letra que parece que foi escrita para enquadrar uma passagem da sua vida e o porque de você gosta tanto do álbum - mas ainda não consegue citar só uma faixa como favorita. E talvez esse seja maior segredo do álbum: não aparentar força alguma.
O que pode ser interpretado como a falta de um ingrediente especial é o que torna tão único. Ninguém está tentando ter alta rotação em rádios. As músicas querem passar imediatismo, quando, na verdade, há ainda um longo caminho de assimilação. E isso não significa melodias excepcionalmente trabalhadas ou faixas resumidas a um violão e vocal sussurado - apesar de existirem faixas bem minimalistas.
A produção desse álbum remete a épocas analógicas. Dos vocais preguiçosos de Amarante acentuados por uma aparente sujeira dos microfones, até Binki Shapiro em sua melhor entonação da deusa germânica Nico, tudo remete a um som
garage ou amador se comparado à era do
auto-tune e mixagens nítidas. É no mínimo charmoso ouvir faixas sob essa "nova" perspectiva.
MISTURA DE SONS COM ALMA LOW-FI PARA DIAS ENSOLARADOSEntre a bossa nova, o indie, o beat scene e o reggae, o álbum tem um longo e ensolarado caminho de BPMs calmos, vocais contidos, guitarras suaves e muitas batidas quebradas que às vezes lembram o Vampire Weekend. Entre participações de Binki em algumas músicas, até a adição de frases em português, Rodrigo Amarante não inova na forma de cantar, apesar de sempre manter a bola sempre alta.
Músicas que não vão - e não estão - dispostas a revolucionar/mudar a vida de ninguém. No entanto,
Little Joy é um álbum contemporâneo inédito que está prestes a ocupar um pedaço da sua vida que você não sabia que estava faltando. É aquele tipo de banda que vai sempre ocupar os primeiros postos do seu Last.FM, mas não entrará na sua lista de melhores do ano. Melhor, é aquele álbum que você sempre vai reviver para ser o soundtrack do verão.
mas acabei ouvindo... e achei um porre! trilha do verão? mas que verãozinho xoxo seria esse, hein? este som me lembra cerveja quente, mormaço, flanelinhas, ou pior: trabalhar no verão, quando todo mundo está de férias.