DJ, um dos inventores do goa trance, fez turnê pelo Brasil em sets de ininterruptas 24 horas
Aconteceu no último mês de novembro mais um evento que busca uma nova fórmula para renovar a cena psytrance no Brasil, com uma proposta mais simples, sem grandes e caros nomes da cena, para um público menor e mais fiel, cansados das mesmas festas e sedentos por novidades.
Trata-se da festa que leva o nome do DJ Goa Gil. Chamado de "mestre" pelos fãs da vertente goa trance, Goa Gil comanda, aos 57 anos, cerca de 24 horas de festa com seu humilde tocador de fitas DAT (Digital Audio Tape). É a quarta vez que "velhinho" passeia pela América do Sul e nesta turnê passou por Fortaleza, São Paulo, Belo Horizonte e também Buenos Aires, em festas que contam com apenas um único nome no line-up: o seu.
DREADLOCKS É A LEI!A primeira coisa que impressiona é o publico, cerca de 1.200 pessoas de todas as etnias, lugares e valores, com muita, mas muita disposição, se misturavam na pista e celebravam dançando livres de paradigmas um trance coletivo guiado pelas rápidas batidas do darktrance. Sorrisos e cara de alma lavada era o que mais se via, e a organização da festa que deu um ótimo exemplo: a produção trabalhou em conjunto com uma equipe de reciclagem que fazia separação do lixo (inclusive do micro-lixo) ali mesmo, na frente do público, que ajudava fazendo sua parte jogando o lixo no lixo - os banheiros químicos, outro exemplo, conseguiram se manter usáveis ate o final da festa. Percebia-se claramente o bem-estar de todos, a satisfação de enxergar uma luz no fim do túnel, e que todos estavam ali por um mesmo motivo, que talvez ande esquecido nessa época atual saturada de mega-eventos que passam a impressão de que só com super produções e DJs pop-star é possível haver diversão, sendo que só há lucro.
Em São Paulo, a festa de Goa Gil começou às 20h numa fazenda perto de Sorocoaba, com uma espécie de ritual ao som de tambores tribais iluminado pela lua cheia e luzes negras da decoração flúor e simples (mas nem por isso menos psicodélica) requistada por Goa Gil. Entre outras exigências havia a proibição de um chill out, que fez falta em alguns momentos. Mas o público contava com uma boa área de camping e relaxamento, afinal ninguém é de ferro -
70s: tempos hippie

pelo visto só o próprio Gil, que durante mais de 24 horas só desce do palco para ir ao banheiro. Também rolava um espaço para palestras, uma sobre permacultura e outra sobre noções básicas de astrologia, com direito a oportunidade de observar a linda lua cheia através de um telescópio. O sol nasce e com ele vem um calor perto do insuportável, a busca por uma sombra fica essencial, mas mesmo assim público e DJ continuam presos na pista dançando loucamente, contrariando algumas leis físicas e mentais. A impressão é que os BPMs vão subindo cada vez mais, sem folga, e quando você olha pro palco lá esta ele, com a mesma cara de bom velhinho, como se nada tivesse acontecido.
PSICODELIA DE FATOEm cima da mesa, ao lado dos equipamentos, Goa Gil prepara um altar com objetos trazidos por ele mesmo da Índia, que o acompanham em todas as festas. Na frente do pequeno e baixo palco, bem pertinho do público, mais um pequeno altar com flores e uma estátua do Deus hindu Ganesha que ninguém ousava chegar perto. Uma tenda recheada de luz negra dava um tom azul à noite, e nas laterais lindos panos com cores fortes brilhavam e cercavam a pista de dança. Mais do que uma festa, o evento pode ser considerado um ritual, ou trabalho que tem como base o uso insistente da música para fazer o indivíduo se desprender do seu cotidiano e entrar em uma espécie de transe, que como o próprio
Goa Gil diz em vídeo: "Deixa as pessoas mais fortes para querer voltar ao mundo e dar mais atenção aos detalhes do que eles estão fazendo, com mais consciência. Fazendo seu trabalho com rapidez e eficiência para que no próximo fim de semana possam ir a uma festa novamente". O que não deixa de ser muito diferente de outros rituais, como o daimista, por exemplo.
O altar do mestre Goa Gil

A festa vai chegando ao fim e o que se vê é a grande maioria do público ainda presente, insistindo em permanecer até que o som se acabe, mas infelizmente eu não fui um deles, já que tive que encarar 400 km de viagem. Vou embora às 15h, cinco horas antes do fim da festa que terminou 20h com cerca de 300 pessoas na pista e, por incrível que pareça, Goa Gil ainda disposto a tocar por mais algumas horas depois de um dia inteiro a frente das picapes. É de impressionar tamanha disposição, assim como a força de vontade do público. Estou exausto como nunca, mas feliz da vida por conhecer e saber que ainda existe festas com o velho espírito trance, para um público que está crescendo e que anda meio solitário, sem ter pra aonde ir.
Fotos: Murilo Ganesh
goal gil é mais uma vertente e temos que respeitar tb
bom saber que tem apreciadores do genero aqui! e sim, o Techtrance (comecei a falar assim depois de longas conversas com um amigo, Samuel Wallerstein, hoje o Branco do Black and White, e ex integrante de um projeto de techtrance em 1998) eu tb nao sabia como defini-lo e chamava de psytech, ou progtech. as caracteristicas do psicodelico, nao só no som, mas no background dos artistas e no conceito fazem do estilo uma vertente do trance. sendo entao a unica vertente do trance psicodelico mixavel com outras batidas como house, electro ou techno. talvez esse seja um dos motivos pelo qual o psy é posto de lado musicalmente: é um estilo na sua estrutura atual, fechadasso. ou tocas, ou espera o dj de transiçao. meritos para o techtrance que universalizou a psicodelia eletronica. mesmo sendo para poucos conhecedores do genero.