Cine Marrocos

E finalmente aconteceu o derradeiro festival da nossa ainda magra temporada de eventos musicais. O
Nokia Trends 2008 rolou esse sábado no Cine Marrocos, um cinema dos anos 50 no centrão de São Paulo, hoje desativado. Cerca de 2500 pessoas passaram pelo festival que, se não foi uma unanimidade na parte musical, com certeza marcou pelo cuidado com o espaço e pela roupagem em matéria de evento proprietário .
Valeu muito pela locação: o Marrocos é uma das pérolas da cidade e foi o ponto alto da produção do festival esse ano - aliás, o Nokia Trends tem mandado bonito na categoria produção desde 2006. A entrada era por uma bela escadaria ilumidada e o salão principal do gigantesco cinema antigo serviu como caixas/bares, deixando a enorme platéia, de chão nivelado como um cinema "stadium", como pista de dança. O
branding estava presente, mas não era over: não tinha logotipo gigante da Nokia, não tinha promotor de vendas empurrando produto e a marca era apresentada pelas instalações artísticas expostas no lobby do cinema. Cores e formas que formam o logotipo Nokia Trends foram usadas nas luzes e comunicação de bares e caixas. O cuidado evitou o carão "festa de firma", problema tão comum em festivais mais tradicionais.
Mas nem tudo foram flores e problemas pontuais deram as caras, como o estacionamento oficial com serviço de van. O público não sabia onde ficava, sendo obrigado a ir até a entrada do evento enfrentando um chatinho congestionamento, para então pegar as indicações, estacionar o carro e pegar a fila e a van que atravessava o mesmo trecho de tráfego intenso, pagando absurdos R$ 30. Mais digno seria investir em bolsões de táxi e
shuffles, incentivando as pessoas a deixar o carro em casa e beber sem preocupação. Teve quem reclamasse dos banheiros, que eram químicos e limitados, e do calor intenso, que exaustores e ar-condicionados não sanaram, levando muita gente a ficar no hall de entrada e até na escadaria da frente do evento. Numa madrugada de clima não muito ameno, quem levou blusa ainda teve que encarar uma chapelaria de R$10.
Pista cheia (e abafada)

Na parte mais importante, a música, nenhuma atração da noite teve o efeito de um She Wants Revenge ou Phoenix, como foi na
edição 2007, e o Nokia Trends 2008 ficou devendo uma grande banda ou DJ que tornasse o evento memorável. Mesmo assim, valeu ter apostado num line-up pouco óbvio: quando o N.A.S.A. estourar em 2009 ou o club-rap conquistar mais a mídia brasileira, o festival vai poder dizer que saiu na frente.
O INCOMPREENDIDO BOMB THE BASSFoi um line-up difícil de entender, principalmente para quem esperava DJ tocando house/techno, banda de novo rock, o som mais tradicional dos festivais brasileiros. A abertura com
Mauricio Fleury valeu a chegada cedo: o momento mais 4x4 do festival, sensações jazzísticas sobre bases que iam do prog ao house, alguns momentos latinos pelos bongôs e outros bem chill pelo trompete. E quem esperava hits dançantes ou bombação maior deve ter esperado até a apresentação do
Roots Rock Revolution, lá no final, um pouco prejudicado pelo horário: tivesse trocado de lugar no lineup com o
Bomb the Bass, talvez tivesse esquentado a pista, bastante morna e com cara de perdida durante a apresentação do quarteto comandado por Tim Simenom, que fez uma descontrução bastante corajosa de seus hits da época do
Into the Dragon . A banda apresentou releituras difíceis e esparsas de faixas como "Megablast", só reconhecíveis nos samples, por ouvidos atentos, animando apenas quem estava disposto a entrar na viagem dele - não era um live de fato, as músicas vinham seguidas de pausas e "Beat Dis", que a gelara queria ouvir, encerrou o set numa versão letárgica.
CHEIA DE MARRADepois do intervalo com o
DJ Dubstrong misturando dubstep com M.I.A., Annie Lennox remixada e até Mariah Carey com bom-humor,
Kid Sister sucedeu com mais empolgação o Bomb the Bass. A
Kid Sister (dir) e sua trupe

rapper de Chicago veio acompanhada do DJ Gant Wilson - também MC - e de duas dançarinas raivosas, cheias de marra e estilão street americano. Samples de Michael Jackson e os primeiros contatos com o público ajudaram a pista desnivelada do Cine Marrocos a se agitar de fato.
"Pro Nails" foi o ponto alto, contando com da relativa fama em tempos bloghouse, e mostrou que Kid Sister sabe combinar bem verborragia rap e bases dançantes (não muito picotadas, alguns samples), sem perder o fôlego. Até "Family Reunion", sua canção mais recente, rolou bem, apesar da pegada mais tranqüila. Como um Bonde do Rolê sem a improvisação tosca, como um sound system móvel com o que há de mais cool em Chicago, foi uma apresentação bacana.
NORTH AMERICA, SOUTH AMERICA AND MARSMas o destaque da noite, em termos de número absoluto de mãos para a cima e gritaria no abafado público, sem dúvida foi a dupla
N.A.S.A., que se apresentou cercada de expectativa. Vestidos de marcianos e com estranhas dançarinas pintadas de verde no palco, o som de Zegon e Squeak E. Clean combinou com projeções a conhecida estética de misturar uma enxurrada de hits e estilos em menos de dois minutos - e dez scratches. Foi divertido o enfoque no bmore club, com petardos de Beastie Boys, M.I.A., funk e claro, a manjada "Killing in the Name of", do Rage Against the Machine. Só não mais manjada que "Smells Like Teen Spirit", que o DJ
Z-Trip soltou entre vários louvores a São
Zegon e Squeak E. Clean

Paulo e à própria festa saídos de seu microfone. Para quem se interessa mais por turntablism do que por repertório surpreendente, foi uma boa apresentação de hip hop.
De volta ao N.A.S.A., o público ficou meio de boca aberta com o estalo de morteiro seguido da aparição de dois monstrengos no palco: um ET mal-humorado e outro homem-olho com aparência de siri, tirados de seriados japoneses. Divertida as danças robóticas e a luta com os dançarinos humanos, mas tudo virou uma espécie de bagunça freestyle, bem no clima dos DJs e da festa no geral. Ao contrário dos sets ao vivo, o álbum
Spirit of Apollo deve apresentar o lado mais banda e orquestrado do N.A.S.A..
se eu sempre disse que sven vath é o cara, continuo dizendo. mas o z-trip é o melhor do mundo!
Seus comentarios foram os melhores até agora, ninguem aqui citou o Ztrip, e quem é de SP sabe que estacionar ia ser uma batalha......esqueceram do Ztrip pra falar do estacionamento.....o cara é o pioneiro do mashup, exatamente.....poucos aqui devem saber disso.....ele so foi citado por tocar nirvana-manjado....
como dizia fabio massari: "aventure-se pelo desconhecido que vale muito a pena"......
gostei muito dos coments, disse tudo!
O da frente do evento lotou cedo, ja q quase não tinha vaga. Infelizmente lá perto estava dificil de achar estacionamento e eu estava no carro da minha namorada, um fit zero. Nunca que ela ia por na rua. O que incomodou realmente foi a falta de noção da empresa responsável (superproduções) de colocar um evento deste porte num locar de acesso que possui excluviamente mão unica. Não só a rua do evento, mas quase todas a volta. Vi mais de uma pessoa além de mim que teve que dar voltas mirabolantes para poder passar pela rua novamente. Em são paulo, pela quantidade de gente e pela quantidade de carros, era algo que deveria ser pautado.
[]s