"Dear Painter, Paint Me" é CD de estréia do galã da M-nus, consistente por sua coerência
O ano era 2006, e embora membro do mais que conceituado selo M-nus, faltava algo para que o DJ e produtor norte-americano Jesse Siminski despontasse para valer no cenário da música eletrônica. E ele conseguiu. Siminski lançou uma daquelas faixas que qualquer DJ e produtor se orgulharia de chamar de sua: a melódica, minimalista, nebulosa e ao mesmo tempo cheia de autenticidade "Baby Kate". A estrondosa música que, segundo o próprio autor, teve como inspiração a problemática modelo Kate Moss, foi tocada à exaustão mundo afora pelos mais variados DJs, e bastou para que Jesse Siminski, ou simplesmente
Heartthrob, conquistasse a admiração e os ouvidos de inúmeros seguidores da música eletrônica. E as conquistas pelo jeito são com ele mesmo. Ironias à parte, em bom português, "heart throb", apelido conferido pela colega Magda, tem o significado de "galã conquistador de corações."
Flash Content
Heartthrob - Baby Kate - Original Mix (mp3)
E após continuar lançando outras faixas de respeito e colaborando ora em produções, ora em remixes do pessoal do selo (destaque para as
parceiras com Troy Pierce e Gaiser), em 2008 chegou a hora de Heartthrob lançar seu primeiro álbum. Ele, que é um dos poucos membros do M-nus a não residir em Berlim (por questões amorosas, o galã minimalista vive em Paris), rumou para a capital alemã disposto a ouvir alguns pitacos finais do chefe Richie Hawtin antes de concluir o trabalho. E eis que veio
Dear Painter, Paint Me, álbum cujo título um tanto quanto curioso foi emprestado de uma
série do pintor germânico Martin Kippenberger (1953-1997), uma idéia auto-biográfica, segundo o próprio Heartthrob.
BLIPS COERENTESMas se 2008 viu Heartthrob debutar na produção de álbuns, viu também diversos DJs e produtores de minimal techno mostrarem-se cansados do som que os projetou ao sucesso e partindo com tudo em busca de sonoridades mais próximas da house. Alguns tiveram até a ousadia de
cuspir no prato soltando refrões como "basta já de minimal". Mr. Hawtin e seus pupilos, por outro lado, se mantiveram fiéis ao minimalismo que fez do M-us talvez a maior referência do estilo atualmente, conservando a coerência e a originalidade nesses dez anos de existência do selo.
Heartthrob segue então à risca os mandamentos do selo nas oito faixas que compõe o álbum sem, contudo, deixar de dar ênfase às marcas registradas que caracterizam suas próprias produções: faixas melódicas, sombrias e repletas de variações. E com todas essas características presentes, o techno "Futures Past" abre dando uma boa demonstração do que está por vir.
Galã

"Signs", a terceira canção, foi a primeira divulgada, saiu como single em maio, um pouco antes do lançamento oficial do álbum no final de junho. Seguindo a linhagem de "Baby Kate" e em alguns momentos se confundindo com seu conterrâneo
Audion, "Signs" logo ganhou cadeira cativa nos sets de Richie Hawtin devido à alta aceitabilidade do público.
O ponto mais alto de
Dear Painter, Paint Me, no entanto, talvez seja alcançado logo na faixa que antecede "Signs": a excelente "Confession". Com mais de dez minutos, a música é um minimal techno dos mais sombrios, carregado de momentos hipnóticos.
A INESCAPÁVEL HOUSE MUSIC"Blind Item" é outra que merece atenção. De estrutura mais simplificada, a música segue uma linha diferente ao se aproximar um pouco mais do tech-house. Na seqüência, vem as complexas e cheias de efeitos "Interference" e "Slow Dance", ambas produções facilmente associáveis a Heartthrob. E se o álbum é realmente autobiográfico, a música que melhor personifica isso, ao menos quanto ao título, parece ser a derradeira "Heading for a Heartbreak". A melancolia fica restrita apenas ao nome da faixa, um minimal que põe fim a este consistente álbum de estréia em grande estilo.
ESSA SEMANA EM SP
Heartthrob se apresentar em São Paulo, no D-Edge, terça dia 02/dez ao lado de Richie Hawtin, como parte das celebrações dos dez anos do M-nus completados em 2008. Apresentação esta que tem tudo pra ser um live, já que ele raramente apresenta DJ sets de fato. Ótima oportunidade para os paulistanos conferirem de perto o que há de melhor em Dear, Painter, Paint Me.
10 anos sem pular de galho em galho.
com identidade própria, gostem ou não.
Mas, de qlq forma, concordo que qlq selo com 10 anos deve comemorar, sendo ele de músicas "ruins" ou "boas".
Agora a gente se entendeu.
Mas aí eu insisto na questão da comemoração em si. Se alguém faz 10 anos, independente c o guri é educado ou n, todo mundo da família bem como amigos dao parabéns.
Voltando pro selo, se eles tão a 10 anos fazendo "música ruim", tem q comemorar o dobro então, pq mesmo sendo "toscos" conseguem ficar bem acima no mercado deles.
Resumindo, sendo música boa ou n, eles tem motivos sim pra comemorar 10 de estrada. Só isso.
:)
mas que tem uns m_nus fanatics nessa discussão...aaaaa mas tem.