
"C'mon. Bring it on" é a deixa para que os teclados disco saiam direto dos anos 80 para a faixa "Live fast die old!", que abre o segundo álbum do projeto Munk,
Cloudbuster, antes uma dupla, agora música de um homem só. E se em um minuto você já é apresentado a um dos melhores refrões de 2008,cantado de forma tão sensual quanto pegajosa pela atriz e cantora italiana Asia Argento, no final dos quatro minutos da música você já tem duas opiniões formadas a respeito do novo Munk, que ainda comanda o bom selo Gomma.
A primeira é que aquele baixo pulsante que flertava com o disco-punk em 2003/04 aboliu qualquer referência nervosa e mergulhou de vez na disco. E a segunda é que o italo-alemão Mathias Modica está indo para uma direção mais orgânica e menos eletrônica (tchau, punk funk). E o resultado disso, baseado somente em "Live fast die old!", é uma evolução muito bem vinda.
Quando "Down in L.A." começa com um sintetizador que remete logo ao debut
Aperitivo, mas dois segundos depois volta para essa nova linha disco pop de vocais fáceis guiado por teclados. Pode ser tocado nas rádios à tarde com a mesma facilidade do que pode invadir inícios de festas - quando a pista ainda está esquentando. Inegavelmente deve atrair um novo grupo de fãs para o Munk, mas será que
Cloudbuster consegue agradar aos velhos?
Só se eles gostarem, além de electrohouse e disco-punk, de uma disco mais lenta e sensual. Pelo menos é assim com "You never see me Back Down", que tem cara de b-side de LCD Soundsystem com participação do Hot Chip. Falando em participação, o electrofunk presente em "The Rat Race" é acompanhado do vocal (pop) de Mattie Safer, do Rapture. Um hit atemporal criado pelo encontro dos teclados classudos e sintetizadores moderninhos.
LADO BA instrumental "Under Kontrol" faz a passagem do primeiro momento do álbum para o segundo. E o que começou como mais uma música ambiente guiada por teclado encontra no meio do caminho uma barreira eletrônica experimental (se comparado ao início de
Cloudbuster) quando um sintetizador assume o controle e abre as portas para o electro exquisito de "No Milk" e a jam espacial de "Bohemian Mud Strut".

"Monopteros" é um techno
hot chipiano que cumpre seu papel, apesar de parecer um tanto deslocada do resto álbum. E depois de mais um interlúdio (o segundo até agora),
Cloudbuster volta a investir no pop sexy com "Il gatto", que apesar de carregar alguma latinidade a mais em sua fórmula não foge muito do que já apareceu aqui. E quando "PsychoMagic" começa com o mesmo piano, você se pergunta se o álbum já não deveria ter sido encerrado há algumas faixas.
Após o terceiro (e final) interlúdio, Mathias mostra que alcançou o ponto ideal da aura disco com a experimentação eletrônica de "The Knight of Heliopolis", sem dúvida, umas das melhores do álbum. Tem algo de latino no modo quente em que os sintetizadores se comportam entre as batidas que, mesmo em seus épicos seis minutos e meios, te mantém acompanhando o ritmo com o pé.
Se Munk tivesse se assumido inteiramente como pop canalha, bebedor de Martini, e criado ambientes ainda mais lascivos, o álbum certamente soaria mais coeso. Porque as experimentações misturadas com a disco sexy acabam sendo longas demais. E uma vez olhando para as duas caras de
Cloudbuster, é fácil perceber qual delas você levaria para a casa.