Para alguns artistas o álbum de estréia é o único momento em que o hype dá as caras. Mídia e público batalham para conhecer mais a respeito da grande última novidade, enquanto ao mesmo tempo já ignoram o que saiu semana passada. Nada de novo ou inesperado nisso. Mas, apesar dessa ser a fase mais instável e corrida da carreira do artista, é a mais excitante. Ainda mais quando um mistério envolve um lançamento.
Fake Blood,
Keedz e tantos outros ganharam um espaço excessivo basicamente por causa de especulações a respeito da identidade por trás de seus codinomes. O
Empire of the Sun, ao contrário, nasceu - e se apresentou - como um projeto paralelo de Luke Steele do The Sleepy Jackson e Nick Littlemore do
PNAU. E apesar da introdução magra, a dupla veio antes do hype com "Walking On A Dream".
PNAU + SLEEPY JACKSON = MGMT + SYNTH-POP - ROCK?A faixa soa como um MGMT experiente, não afetado pelo hard rock e muito mais seguro de seu lado eletrônico. Como os hits dos americanos, "Walking On A Dream" tem um potencial gigante e atemporal. É leve, introspectiva e tem ótima letra acompanhada pelo característico vocal de Luke, a caminhar numa linha de desespero apaziguador.
Só que seria fácil (e um tanto desinteressante) fazer com que todo o álbum soasse parecido com a faixa título. Então o momento "Walking On a Dream" se limita às quatro primeiras faixas. "Standing On The Shore" tem vocais entediados e clima fantasmagórico soam mais densos, mas igualmente pop.
"Half Mast" possui sintetizador delicado e linhas familiares. Soa como um interminável refrão tamanho sua capacidade de fácil assimilação. Os últimos acordes de violão se desprendem de sintetizadores e de toda uma camada de produção, até que a acústica "We Are the People" se inicia. Ela, que talvez seja o segundo melhor momento do álbum, é desenhada de forma sutil para morar no fundo do seu cérebro.

Um rap deformado e barulhento dá início a "Delta Bay", e ao lado eclético do Empire of the Sun que passa em "Country" pela calma mistura de um violão desplulgado e sintetizadores do tipo que o Air usa quando quer fazer algo bonito e etéreo, até se transformarem na linda "The World", uma balada setentista com espaço suficiente para o vocal de Luke viajar junto a uma colorida influência psicodélica.
Se o
The Dø tivesse um filho com o Hot Chip, ele se comportaria como "Swordfish Hotkiss Night". O vocal grave com a junção das batidas e sintetizadores vieram do pai inglês, enquanto o francês deixou todas as pequenas interferências escondidas na base e os vocais sussurrados de forma estranha e sexy.
"Tiger By My Side" mistura a rigidez pop da primeira parte do álbum com as experimentações da segunda. E o resultado é uma faixa de personalidade forte e mutante, onde os vocais se alteram para acompanhar a base constante e longa. E encerrando com mais uma demonstração que a Austrália é o lugar onde o synth-pop escolheu para ressurgiu, "Without You" tem melodia simplista, arrastada e poderia ter sido criada nos anos oitenta apesar do vocal bem atual.
Walking On A Dream é um dos poucos álbuns do momento na bloghouse que dá para resenhar positivamente todas as faixas. E se depender da capacidade criativa da dupla por trás do Empire of the Sun, cada lançamento deles será tratado com o mesmo excitamento de quando ouvimos "Wild Strawberries" ou "Good Dancers".