Entre hits históricos e novas faixas, Tia Cyndi começa turnê com o pé direito.
Todo mundo tem uma tia doida na família. Daquelas que tem um penteado estranho, que sempre tem doce dentro da bolsa, ou que faz as coisas mais absurdas que deixam o resto da casa de cabelos em pé. Cyndi Lauper é a tia doida da música pop.
Com uma platéia bem menos gay e com uma faixa etária bem mais nova (incluindo aí várias - sim, várias, crianças andando pra lá e pra cá com seus país) do que no show da Kylie Minogue, Cyndi iniciou sua turnê brasileira ontem (13/nov) num Via Funchal lotado e muito a fim de diversão.
A proporção entre homens e mulheres também era muito mais igual do que na sauna gay que foi o show da Kylie, e do que muito provavelmente será o da Madonna. Tirando duas drags presentes e alguns clones da Cyndi (uma incrível garota com o visual igual ao da cantora nos anos 80, incluindo uma saia de jornal), a discrição imperou.
Cyndi entrou no palco às 21:30h quase escondida, calada e séria. Mas logo que bateu com um martelo no chão (!!) e os acordes de "Change of Heart" começaram, tudo mudou. Tia Cyndi em cima do palco sabe bem como comandar uma platéia - afinal são trinta anos de experiência.
O mais interessante do show sem dúvida nenhuma é ouvir canções que você passou séculos escutando no rádio diretamente da voz da própria Cyndi. E que voz! Se em disco a voz da cantora vez por outra soa até esganiçada, ao vivo é poderosa e afinadíssima, e enchia todo o Via Funchal.
É importante notar também que, enquanto Kylie e Madonna contam com um enorme aparato tecnológico como suporte, no palco Cyndi segura a bola só com sua voz e sua banda. Numa situação destas não tem como fingir - ou você tem talento e carisma, ou já era. Divertida, Cyndi brincava o tempo todo com um dicionário português/inglês nas mãos, tentando se comunicar com o público. Muitos risos.
"She Bop" chega numa versão mais rocker e um pouco mais lenta, mas é o único "clássico" que aparece em versão mais distante da original. Daí pra frente, com exceção de um acorde a mais e um arranjo a menos, todos os outros são facilmente reconhecidos por nossos ouvidos.
As faixas mais novas, apesar de desconhecidas da maioria dos presentes, também conseguiam agradar, especialmente a sequência das dançantes "Echo" e "Night Life", que deram início á melhor parte do show. Hora dos hits.
"All Through The Night" faz todo mundo cantar junto, seguida da ótima "I Drove All Night". Nessa hora, Cyndi já tinha ganhado a noite. "Money (Changes Everything)" é energética e conta com um duelo vocal entre ela e sua backing vocalist. "Time After Time" fecha o ciclo com todos cantando a letra inteira numa só voz. Hora de segurar as lágrimas.
All Through The Night
A pedidos, a faixa tema do filme
Goonies, "Goonies R Good Enough", é incluída no setlist em cima da hora, sem muito ensaio, para alegria dos fãs brasileiros. O mesmo acontece com "Rocking Chair". A fatídica "Girls Just Wanna Have Fun", uma das músicas mais emblemáticas da década de 80, começa estranha mas logo toma conta do local, fazendo pular até quem não estava muito a fim.
Cyndi reservou para o final uma versão intimista de "True Colors", sua melhor balada até hoje. Sentada no palco e tocando seu instrumento, ela entoava os versos sem precisar fazer muita força pois o público cantava tudo em uníssono, emocionado. Momento de várias lágrimas caindo. Fim de um ótimo show.
SetlistChange Of Heart
Set Your Heart
Grab a Hold
When You Were Mine
She Bop
Echo
Night Life
All Through The Night....
I Drove All Night
Money (Changes Everything)
Time After Time
Goonies R Good Enough
Rocking Chair
Girls Just Wanna Have Fun
True Colors
Fui esperando muito menos e me surpreendi...