No calor do sol argentino que tarda a se por, muitas surpresas e algumas frustrações no melhor line-up da temporada sul-americana em 2008
Se em
2007 o frio foi um problema, o calor passou dos 30º C no sábado na capital argentina. O jeito foi beber algumas cervejas e acalmar o espírito antes de se embrenhar no
Creamfields Buenos Aires, o mais importante festival de música eletrônica da Argentina - provavelmente o maior festival de música eletrônica da América Latina em 2008. A noitada prometia ser boa no autódromo portenho: 80 DJs se revezando em seis arenas, palco principal e uma tenda VIP. Como de praxe, esta oitava edição do festival foi aberta por vários DJs locais no meio da tarde, quando pouca gente arriscava enfrentar o sol forte que aqui só se põe depois das oito da noite. E foi por volta dessa hora que o Creamfields começou a pegar fogo.
Hernan

Alguns problemas técnicos deixaram DJs e lives na mão, e a proximidade entre algumas tendas comprometeu a qualidade do som. Um ponto positivo foi a farta distribuição gratuita de água e a animação do público, que chegou a 50 mil pessoas no auge do festival. Este ano o evento inglês comemorou dez anos de aniversário, Buenos Aires foi a primeira tentativa da marca de uma festa internacional, em 2000.
A primeira DJ argentina de renome internacional a se apresentar foi
Romina Cohn, velha conhecido dos brasileiros desde os tempos de destaque na Gigolo Records. A DJ misturou sem muita novidade doses de electro e techno na Arena 2, que logo foi invadida pelo acid techno bombado da dupla
Spitfire, também conhecidíssimos por aqui. Miguel Silver e Luis Nieva comandaram a pista eufórica com velocidade e energia raver. Enquanto isso outras pratas da casa embalavam pistas diferentes.
A FAVORITA DO BAJOFONDO. E O FUNK DO GORILLAZNo Mainstage, o grupo
Bajofondo Tango Club conquistou a platéia no imenso campo em declive - o formato de arena foi muito bom para assistir aos shows. A organização do festival diz que nesse momento, por volta das 20h30, 35 mil pessoas já haviam entrado, e uma grande maioria entoava as músicas da banda de Gustavo Santaolalla, vencedor do Oscar pela trilha de
Brokeback Mountain e
Babel. Muitos brasileiros que vieram ao festival não se contiveram ao ouvir a introdução de "
Pa'bailar", música tema da novela global
A Favorita. Mas logo era hora de conferir o herói nacional
Hernan Cattaneo tocando para seus incontáveis patrícios na
Deadmau5

bombada Cream Arena. Cattaneo continua o DJ sulamericano mais descolado no circuito internacional de dance music comercial, e é isso. Não dá pra esperar muito mais dele do que linhas progressivas para as massas.
Parada para uma cerveja, e a surpresa: a única marca disponível era a brasileiríssima Brahma, hoje onipresente na Argentinca. E foi com ela que a multidão foi de uma tenda a outra para curtir as atrações internacionais que tocavam em horários sobrepostos. A correria para a pequena tenda em forma de circo em que tocaria o
Gorillaz Soundsystem foi grande. O grupo era um dos mais aguardados, mas o formato "delivery" do projeto de Damon Albarn (Blur) pareceu uma grande armação. Sem a presença do quarteto virtual, o Gorillaz "Sistema de Som" agora viaja pelo planeta com dois MCs, um DJ, um percussionista e um baterista. O mix de rock, funk carioca e reggae foi frustrante. E eles ainda ousaram saudar os portenhos com um funk da Tati Quebra-Barraco! Será que ainda acham que Buenos Aires é a capital do Brasil?
Correria para o palco com a chegada do
Deadmau5 (foto) que começou bem pra cima, mas logo debandou para um progressivo maçante, mas que não decepcionou as centenas de milhares de fãs do canadense Joel Zimmerman que, claro, tocou com as orelhas de Mickey Mouse doidão, sua marca registrada. Foi o momento para dar uma conferida no live do catalão
Marc Marzenit que tocou depois de duas horas de Hernan Cattaneo. Marzenit continuou na linha progressiva, mas com muita vibração levantou a maior e mais lotada das arenas do festival. Ele já remixou o
Funkagenda e tem trocado idéias com figurões como Tiësto e Angel Molina.
UNKLE LIVE

APPARAT: DESTAQUEEnquanto isso, na pequena Arena 4 o alemão
Apparat derrubou tudo ao rearranjar suas faixas que produziu com Ellen Allien (principalmente do álbum
Berlinette), e outras dele próprio. Um techno chic e potente, acompanhado de imagens incríveis de seu VJ. Em vários momentos Apparat (aka Sascha Ring), parecia que ia subir na bancada e quebrar o laptop. Um dos melhores momentos do Creamfields sem dúvida,
Apparat também passa pelo Brasil.
Fomos ver
808 State, que tocou para um público reduzido depois de Deadmau5 no palco principal. É sempre bom rever esses medalhões da eletrônica e ouvir belos hits como "
Pacific State", mas se tivessem escalado o próprio Apparat, a bola não teria caído no palco principal. Então a saga passou para a Arena 3 onde o
Crystal Castles, inédito na América do Sul e um dos melhores produtos da onda new rave, faria seu live act. O equipamento de som não funcionava, o público vaiou a demora e eles arriscaram uma música. Nada feito e a dupla Ethan Fawn e Alice Glass desceu do palco e se perdeu na multidão. O show havia terminado.
SIMIAN MOBILE FOREVERNo palco principal o
Simian Mobile Disco fez uma apresentação grandiosa com som e luzes impecáveis. O live foi um dos melhores momentos do festival com certeza. Fugiram da fórmula fácil da eletrônica new rave e centraram energia num misto de tech-rock-electro-house. Nessa mesma hora tocavam em tendas diferentes
Radio Slave, detonando no techno, e
DJ T., impecável nos timbres africanos de grave gordo e BPM alto. Ele terminou o set de papo com a dupla
M.A.N.D.Y., com house music que emendou muito bem no set do duo alemão. Só que eles inverteram tudo e lascaram "Music Non Stop", do Kraftwerk. Na mesma arena entrou ainda o
Modeselektor, que não pareceu muito instigante com sua quebradeira tech.
SMD LIVE

Vazando daí para o conferir
UNKLE no Mainstage, e o que se viu e ouviu foi uma rock band vestida de preto em estilo grandioso, mas não tão empolgante apesar da interação com o público. Na pistinha onde não rolou Crystal Castles teve
Nightmare on Wax se jogando no reggae, seguidos de
Boys Noize e
New Young Pony Club em um DJ set bacana apenas. Depois de tanta andança e festa, as forças foram sumindo, mas ainda deu tempo de dar a última rodada geral nas tendas. No palco principal o
Booka Shade não pareceu animar muito, mas o público a essa hora, cerca de quatro da manhã, era de 50 mil pessoas, segundo a organização do festival. Um mar de gente esperava por
Erick Morillo que encerrou o principal palco do Creamfields com super visual e uma ótima introdução de "Destination Uunknown" e o restou seguiu nessa linha mais baba até às 6h.
O TANGO DE GUI E UMA GRANDE SURPRESANo ínterim deu tempo para ver
Carl Craig pisando no acid techno depois de problemas técnicos. Correria para ver
Gui Boratto na mini pista onde Modeselektor estava desligando o equipo. Gui foi o único brasileiro escalado para tocar em Buenos Aires e era uma das sensações do
Carl Craig: no escuro por problemas de som

festival - antes de ir para o Creamfields ele foi se inspirar num show de tango. O que ficou da apresentação dele foi a sensação de que "Beautiful life" estava por baixo de todo o set prestes e entrar. Mas não deu para esperar o fim do set porque a multidão avançava para o final de Erick Morillo e Satoshi Tomiie.
Foi tempo suficiente para ver a grande revelação do Cramfields 2008, a dupla francesa
Cassius. Tocando com uma parafernália que incluía sampler, sintetizador, CDJ, toca-discos e uma mesa de som exclusiva, Hubert Blanc-Francard ‘Boom Bass' (com um estiloso fone branco) e Philippe ‘Zdar' Cerboneschi fizeram um verdadeiro mash-up de referências que decolaram o Cassius como um nome forte da eletrônica, uma promessa que lá em 1999 estava pau-a-pau com Daft Punk. Sem se prenderem aos cacoetes tão comuns da novata geração francesa (vide Ed Banger e Kitsuné), eles surpreenderam a cada virada, abrindo um dos três canais que usavam para mixar, num
teasing incessante. Pouco se ouviu do Cassius original, mas a pegada era dançante e no final o delírio do público com "Hey Boy, Hey Girl" (Chemical Brothers) misturada a um techno forte. Pena que Cassius não está escalado para tocar na etapa brasileira do Creamfields brasileiro, que esse ano será unificada numa única edição em Belo Horizonte, dia 15/Nov.
A predileção argentina pelo prog ainda é forte, e a intensa mistura de sons tão diversos em oito tendas obrigou uma saga clubber, mas isso só confirmou que Buenos Aires teve o melhor line-up da temporada sul-americana de festivais.
http://www.rollingstone.com.ar/nota.asp?nota_id=1068400
Tocaram bem antes. Eu cheguei no camarim, dividindo o mesmo com eles dois....
Bem mal educados...e bem diferentes das outras zueiras conjuntas....
Vi outras pessoas dividindo espaços bacanas, como, 808 State e Derrick May, ou Carl Craig com alemaes como Booka Shade ou Martin Buttrich...enfimm......odiei eles (Crystal Castels terem "roubados" meu scotch whiskey....
Odiei...mas logo eles foram embora...fiquei zuando com o Sascha Ring (Aparatt" e Martin Buttrich, adorei.....
Espero que seja diferente...apesar de esse Cream BS AS ter sido uma das melhores gigs que já "playey".....
Amei....
Da proxima, mais brasileiros estaraou presentes....se DEUS quiser.... :)
Bjs