Um Credicard Hall lotado, cuja platéia era 90% gay masculina (e destes pelo menos 50% eram barbies), assistiu a um dos melhores shows de música pop que a cidade já presenciou em muito tempo. A australiana Kylie Minogue chegou discreta à São Paulo, com pouca divulgação da imprensa e meio envolta na fumaça Madonna que se aproxima, mas calou a todos. Seu show foi - no mínimo - sensacional.
Os brasileiros tiveram a sorte de pegar Kylie justamente na turnê cujo repertório é baseado principalmente nas faixas de seu último disco,
X (2007), sem dúvida o seu melhor até agora. E nisso Kylie já levou uma enorme vantagem em cima de Maddy, que vem pra cá com um show cujo repertório enfoca os "hits" do pior álbum de sua carreira, o tal do
Hard Candy (2008) - mas tudo bem, pois na sua primeira vez no país ela veio com o excelente
Girlie Show, que tinha como base um de seus melhores trabalhos ate hoje, o álbum
Erotica (1992), e isso já lhe garantiu um lugar no céu..
Mas chega de falar de Madonna.
OUR DISCO NEEDS KYLIEKylie entrou no palco entre enormes caixas de som com "Speakerphone", desde já causando uma recepção histérica da platéia que continuou até a última música. Aliás, todas as faixas foram cantadas à plenos pulmões por todos - deixando Kylie e banda com um sorriso de orelha à orelha. E sim, ela cantou tudo ao vivo.
As faixas de
X, que originalmente são ótimas para as pistas, ao vivo transformaram o Credicard num enorme Studio 54. Entre as melhores estavam "In My Arms", "Wow" e "Like a Drug". "Slow" e é claro "Can Get You Out Of My Head", respecticamente dos discos
Body Language (2003) e
Fever (2001), também fizeram com que a voz da platéia se tornasse uma só.
In My Arms
Um dos pontos altos e digno de nota foi o telão no fundo do palco que exibia imagens que, além de terem uma definição altíssima (era como se estivéssemos vendo uma tela de TV digital), tinham design e estilo impecáveis. Uma pena que para sua turnê latino-americana Kylie teve que adaptar o show para palcos menores, deixando de lado alguns dos apetrechos mais incríveis das performances no exterior, como uma enorme caveira de brilhantes que fazia parte do cenário.
É claro que todo show deste tipo precisa de uma certa dose de cafonismo gay (quem já foi à uma apresentação do Pet Shop Boys sabe o que estou falando), e aqui esse momento foi marcado muito bem pelo momento "dança de salão" durante as faixas "On A Night Like This" e "Your Disco Needs You". Ok, uma derrapada destas a gente perdoa.
Kylie estava visivelmente encantada (e até mesmo abismada, fazendo caras de "Isso tudo é pra mim?") com a ótima recepção do público, e se rendeu aos pedidos dos fãs, fazendo um bis duplo improvisado com duas músicas que não faziam parte do setlist oficial da turnê há um bom tempo: a ótima "The One", cantada em cima das bases que o DJ soltou direto seu laptop e "Come To My World", essa que teve que ser cantada acapella mesmo. Simpática ao extremo, Kylie conversou com o público várias vezes, brincou com um pedido de casamento feito por alguém da platéia, e até tentou alguns passos de samba - que por incrivel que pareça não foram nada vexamatórios.
Com certeza o show deve ter aberto bem os olhos dos produtores de eventos no Brasil para que ela volte novamente - e desta vez com uma divulgação decente e com um show completo. Our disco needs Kylie.
Set listSpeakerphone
Boombox / Can't Get You Out Of My Head
In Your Eyes
Heart Beat Rock
Wow
Loveboat
Copacabana
Spinning Arround
Like a Drug
Slow
2 Hearts
On A Night Like This
Your Disco Needs You
Kids
Step Back In Time
In My Arms
Better The Devil You Know
The One
Come Into My World (acapella)
Love At First Sight
Créditos segunda foto: André Bernardo
Mesmo na diagonal da platéia superior 2 consegui curtir o show numa boa e dancei o tempo todo no exíguo espaço do assento dobrável, até mesmo durante a execução de Kids (música que não suporto) fui obrigado a dançar e cantar devido a empolgação e ao arranjo maravilhoso, mas meu presente veio na forma de Better the Devil You Know, música que amo e que quase me faz pular e me estabacar na pista lá embaixo!
A surpresa maior foi ver um público muito jovem e conhecedor até mesmo (ou até mais ainda) das músicas do cd X, delíriOOOOOO!
Sair do Credicard Hall ainda com voz foi um sonho não realizado, mas minha alma estava lavada!