The Jesus and Mary Chain - Psychocandy
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ficha técnica
Jim Reid - vocals, guitar, production
William Reid - vocals, guitar, production
Douglas Hart - bass guitar, production
Bobby Gillespie - drum kit, production

Nota: 4.2 / 5
Ano: 1985
Selo: Rhino
Estilos: rock, pós-punk, dark
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The Jesus and Mary Chain - Psychocandy
Influente debut da banda escocesa agrada a ouvidos treinados
06.11.08 18:35
Aqui na reunião de pauta do rraurl, essa semana, foi difícil escolher qual disco do The Jesus and Mary Chain resenhar. Uma banda com 20 e tantos anos de estrada, um punhado de discos, uma trajetória cheia de boas histórias pra contar - shows de vinte minutos com quebradeira de guitarras e brigas na platéia, colaboradores geniais (vale contar que Bobby Gillespie saiu da bateria do JAMC para formar o Primal Scream) e um hiato de oito anos com retorno em boa forma, na edição 2007 do megafestival Coachella, com direito a backing vocal de Scarlett Johanson. Influência declarada de gente como Pixies e responsável por pavimentar caminho para bandas como Stone Roses e My Bloody Valentine. Mas de sucesso comercial, digamos, discutível.



O escolhido foi Psychocandy, esquecida obra-prima de estréia da banda, gravado em 1985 na estreira do sucesso que os singles "Upside Down" e "You Trip me Up" fizeram no cenário do rock britânico. É esse o disco que abre com a baladinha "Just Like Honey", cuja entrada na trilha sonora do filme Encontros e Desencontros de Sofia Coppola foi responsável pelo re-release do disco e, quem sabe, também pelo retorno da banda aos palcos (e não aos estúdios) desde 2007. Mas não é essa a faixa, ainda que clássica, que dá o tom do disco. Psychocandy é uma seqüência de melodia e barulho, meio Beach Boys e meio Velvet Underground, duas influência claras. Só que aqui trocamos as costas oeste e leste dos EUA pelas paisagens nubladas e a cerveja forte da Escócia. É esse equilíbrio delicado de microfonia e uh-uh-uhs sussurados que o público do festival Planeta Terra vai ver/ouvir no próximo sábado.

Entre os que se inspiraram nessa fórmula estão alguns prediletos da (minha) casa como Death in Vegas, Interpol, Raveonettes e Black Rebel Motorcycle Club. Mas o Sonic Youth, uma das bandas seminais do rock independente norte-americano, também se serviu dessa equação de barulho + melodia e, como você sabe, foi esse tipo de composicão de ecos e ruídos que inspirou gente como o Nirvana conquistar angustiados corações jovens mundo afora.

AS CRÍTICAS
Os detratores da banda vão dizer que, na verdade, eles nunca souberam tocar direito e só jogaram em um caldeirão influências óbvias, de Phil Spector a Ramones, que parece demais o Velvet, que eles nunca conseguiram administrar a própria carreira, que exageraram no tom trevoso (canções como "Darklands", do disco homônimo, confirmam essa!) e que eles só voltaram por dinheiro. Mas o problema real de ouvir Psychocandy em 2008, que fãs me perdoem, é que é tanta microfonia pode ser cansativa. Ninguém mais se impressiona com noise, então o disco acaba ficando restrito à discoteca essencial de quem aprecia essa linha de barulho melódico - e não é todo mundo. Mas merece destaque o fato de que, em Psychocandy, o barulho é sempre belo, o "beautifull noise" que o pessoal do shoegaze preza. Não a toa, alguns dos mais duráveis momentos do disco são aqueles em que esse senso melódico caminha de braços dados e elegância com as guitarras que são a cara dos irmãos Reid: "Sowing Seeds", "Taste of Cindy" e "Taste the Floor" são belas canções para quem conhece apenas o JAMC de "Just Like Honey".

Mas, mesmo que a barulheira típica dos garotos bitânicos (os irmãos Reid são escoceses) crie momentos sublimes como "My Little Underground", uma canção curta que reúne tudo que é bacana no Jesus (a guitarra, a letra, a bateria rápida e rasteira, os efeitos, o vocal grave) criando uma canção de apelo pop para ouvidos, digamos, mais resistentes. Hoje, longe das brigas de palco, dos porres homéricos e afastados do cenário do rock inglês dos anos 80, veremos um JAMC quarentão e, dizem, mais calmo. Mas, espero, com a mesma capacidade de fazer zumbir os ouvidos da platéia.

Para ouvir mais: The Power of Negative Thinking, coletânea de raridades e lados-b que vale cada centavo do seu suado dinheirinho, na Amazon.
MP3
Flash Content
Jesus & Mary Chain - Cut Dead (mp3)

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Jesus & Mary Chain - In a Hole (mp3)

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Jesus & Mary Chain - My Little Underground (mp3)

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Jesus & Mary Chain - Never Understand (mp3)

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Jesus & Mary Chain - Sowing Seeds (mp3)


Gaía Passarelli
Gaía Passarelli
YYSSW
comentários
14 comentários
honeys dead e o melhor uahauh e ministry e fodaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa uhauahuahuah é isso ae andre uahua
tech no rest
tech no rest(09.11.08)
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Ah! Obrigado pelo "ouvidos treinados".
tech no rest
tech no rest(09.11.08)
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Como assim que disco?
Só se Psycocandy fosse café com leite pra haver disputa justa.
Impossível citar mais que quatro disco melhores que ele na história do rock!!!
Tem coragem?
SL
SL(07.11.08)
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Não perco por nd.
:)
André
André(07.11.08)
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"Psychocandy" é o disco certo para resenhar, porque foi o primeiro e estabeleceu as principais características do som do JAMC. Mas eu acho o "Honey's Dead" o melhor disco deles.

Uma curiosidade sobre o "Psychocandy": o Alain Jourgensen, do Ministry, disse certa vez que presenciou as gravações do disco, e que o álbum o influenciou tremendamente também. Ou seja: não foram só os "shoegazers" que beberam dessa fonte...