A ordem dos fatores altera o resultado: The National faz o melhor show da noite, mas é MGMT que encerra
Um pouco após as 21h, a banda nacional Cérebro Eletrônico iniciou a última noite do TIM paulistano com sua mistura psicodélica de sabores brasileiros, de um suspeito bom-humor - mesmo que essa não tenha sido a intenção. Problemas com o baixo e um som tanto grave e confuso não serviram como boa introdução para aqueles que não conheciam a banda. Fazendo com que grande parte do público os encarassem com aquele ar de "um barulho que me obriga a falar mais alto com meus amigos". Uma pena, pois foram a única banda brasileira nos palcos da edição paulistana do evento.
THE NATIONALAO CONTRÁRIO DO ESPERADO, SHOW FOI BARULHENTO, GRANDIOSO E EMOCIONANTE
Nota: 4Matt

O meu momento The National geralmente envolve madrugadas silenciosas, solitárias e frias. Aqueles momentos impossíveis de se compartilhar com outras pessoas. Onde você é acompanhado por estórias alheias bem escritas e instrumental bem cuidado. No entanto, o show da banda na última noite do TIM Festival foi exatamente o aposto. A tenda instalada no Ibirapuera nunca tinha visto tantas pessoas - mesmo com a constante distribuição de ingressos - nunca esteve tão quente e nunca tinha colocada o serviço da produção a avaliação.
Fato é que mesmo com as adversidades criadas por mim, o show do National, que começou as 22h, se mostrou muito mais que um lamúrio noturno. Eles soaram grandes e destinados a tocarem para grandes públicos. Grande culpa desse lado épico foram as músicas que entraram no set list do quinteto: apesar de quase dez anos de carreira e quatro álbuns lançados, o grupo deu atenção somente aos dois últimos lançamentos
Alligator e
Boxer.
O que separou toda a apresentação em dois grandes atos. O primeiro, e mais importante, foi o das faixas com um ar mais rock narrados com fórmulas indies, que vieram com muito mais energia do que as gravações levando algumas pessoas inclusive a dançarem (!), algo completamente independente da imagem que eu tinha deles. E o segundo, de momentos mais introspectivos, que davam destaque a performance perturbada de Matt Berninger, uma mistura menos poderosa da postura de Ian Curtis com a voz de Tom Waits.

Com uma estética que foge completamente da definição comum de hits, a banda conseguiu uma energética resposta da platéia, mesmo trabalhando com uma má equalização do som. E depois do Gogol Bordello ter tirado todo o charme do violino, foi bom vê-lo sendo bem utilizado (mesmo que não muito bem ouvido graças ao som fraco do festival na noite) numa das melhores performances de todo o festivall.
MGMTDUPLA AMERICANA DÁ MAIS ATENÇÃO AO ROCK E ANIMA O PÚBLICO EM DOSES HOMEOPÁTICAS DE HITS
Nota: 3.5Amigos mais afortunados do que eu vivam me alertando para não esperar muito do show do MGMT. "Eles são chatos ao vivo", logo seguido de alguma frase como "eu vi na Europa/EUA/Rio de Janeiro". O que tirou qualquer expectativa que eu tinha de ver a dupla responsável por um dos melhores álbuns de 2008, apesar de ainda estar ansioso. Após mais alguns tediosos minutos de troca de palcos com uma terrível trilha-sonora
*, Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser entraram acompanhados de três integrantes que substiuiram o iPod da fase Managment.
*DJ INVISÍVEL
É até vergonhoso ver que um festival de música com um line-up tão interessante não dê atenção para a música que toca entre shows e que poderia muito bem ser usada para criar um clima para as bandas. O que se ouviu nas quatro noites de festival em São Paulo, foi um CD em loop eterno com alguma espécie de música eletrônica de academia bem ruim. Ou seja, pré-show do National e seu indie adulto, você ouvia alguma coisa "eletrônica" que não faria, e nem fez, sentido na noite dançante do festival. Não custava queimar um CD temático pra cada noite, não? Afinal, com o valor cobrado noite não tinha como esperar nada abaixo de ótimo.
"4th Dimensional Transition" veio logo após uma gracinha com bichinhos de pelúcia sendo enforcados e mostrou o lado da banda que não está nos clipes mais vistos da MTV: o lado experimental menos psicodélico do que o divulgado, mas ainda bom. Demorou para ouvir o vocal agudo no meio da sujeira excessiva, e até agora estou tentando ouvir o teclado de Ben.
Problemas a parte, a banda continuava o show numa sequência tal como a do álbum
Oracular Spectacular: o minimalismo espacial de "Pieces Of What" e a excelente balada 'Of Moons, Birds & Monsters" com sua hipnótica linha de guitarra. Fechando o primeiro bloco do show veio o combo "Weekend Wars" e o último e grudento single, "The Youth". Apesar de um guitarrista tentando preencher todos os segundos de todas as faixas e o vocal um pouco mais gritado, essa levada semi-hard rock não chegou a destoar das versões conhecidas.

Metade do show já havia passado e a banda ainda não havia esboçado nenhuma tentativa de entrosamento com o público. Porém, nos primeiros acordes de "Electric Feel" o público "castigado" pela ausência de hits receberam motivos para acordarem e um mar de cabeças começou a se mexer só para voltarem a inércia em "Metanoia", b-side do EP
Time To Pretend, tocada em sua totalidade (13 minutos e 49 segundos, em estúdio).
Pareceu mais uma afirmação da banda contra o sucesso fora de controle de seus singles do que a necessidade de apresentar uma música boa. Até porque "Metanoia" não é muito potente nem com todos os aparatos de pós-produção. Ao vivo então, ela virou a música de ir ao banheiro e/ou comprar cerveja quente.
Aliás, esse foi o único show do TIM que a tenda do Ibirapuera foi colocada a prova e podemos dizer que ela quase passou. As filas do banheiro eram gigantescas, porém a dos homens andavam rápidas. Infelizmente as mulheres levaram desvantagens nessa. Amigas preferiram ignorar a bexiga cheia do que perder o show tentanto liberá-la. A compra de fichas e retirada de bebidas agüentou bem e com exceção do suco de frutas light, nada faltou - apesar de que cerveja exclusiva do festival, Itaipava Fest, foi servida a temperatura quase ambiente por R$5.
Ben

Com "Time to Pretend" o MGMT nos lembrou o charme do lado pop da banda. Porém foi com "Kids" que a banda brilhou pela primeira vez, mesmo que grande parte do brilho se chamasse playback. Pratos, sintetizadores e qualquer outra intervenção eletrônica apareceram numa base pré-gravada. Em contraponto, o guitarrista não parava de criar distorcidas linhas de guitarras sobre toda a faixa.
Mesmo assim esse foi o ápice de toda a noite, prova mesmo de que show do MGMT está longe de ser incrível, mas só foi chato mesmo para quem realmente não ouviu o álbum e esperava que todas as músicas fossem "Kids" - ou remixes do Justice.
Fotos: Marcelo Soubhia / UOL e Miguel Schincariol/FOTOCOM.NET
um detalhe q achei interessante foi q o show deles acabou quase 1am ... eles desencanaram da história de fechar a meia noite (ainda bem!)
nossa eu não acreditei qd vi a pessoa com a toalha na cabeça. O look "vim direto da sauna" rendeu boas risadas
"Metanomia" e "Indie Rokkers"
Gostei muito do show do MGMT... quem vai esperando ouvir aquela banda pop da MTV e que só conhece os hits vai achar chato mesmo... o legal é entrar no prog! HAHA De tanto que falaram que o show deles era cansativo e tal, ja fui esperando um show não tão bom... mas curti demais, metanoia foi lindo! Berrei muito em The Youth e Weekend Wars e entrei no mosh de Kids! Me diverti pra caramba.. e no final ainda peguei um bichinho fedendo cerveja-maconha-e-sei-la-mais-o-que :D HAHAHA
Valeu a pena!
*mas o DJ tava HOR-RI-VEL mesmo! Antes pegassem o iPod de qualquer um do recinto! Se tivessem um DJ decente e um estoque de bebida bom, poderiam continuar com uma balada depois do show.. aposto que bastante gente iria ficar e eles lucrariam bem mais com a venda de bebidas...