Direto do Reino Unido, Roots Manuva, The Streets, Dan Le Sac vs Scroobius Pip e Herbaliser
Enquanto a gente gasta o couro discutindo como os americanos desgataram o hip hop na ostentação do gangsta e do tal "bling bling" (a gíria da semana aqui no rraurl), lá do outro lado do Atlântico Norte, na Inglaterra, as possibilidades musicais e a criatividade são mais latentes. Some a isso um dos mercados musicais mais abastados e prolíficos do mundo e pronto, você tem terreno fértil para que o hip hop (ou a música negra no geral) seja pulverizada por todos os speakers da ilha britânica.
Para justamente encerrar nossa semana especial de hip hop longe dessa briga de blings blings e rimas pobres, embarcamos num concorde para Londres e fizemos quatro resenhas express de bons lançamentos do hip hop britânico, que vamos chamar aqui de
BRIT HOP!
Tem o grime do Roots Manuva, o
chav Mike Skinner aka The Streets, a poesia de Dan Le Sac vs Scroobius Pip e a classe jazzística do Herbaliser. Raphael Caffarena resenhou Streets e Dan Le Sac, e Jade Gola foi de Roots Manuva e Herbaliser. Check it out, mate!
ROOTS MANUVASlime & ReasonBIG DADA RECORDINGS
Nota: 4Rodney Smith, o Roots Manuva, é um dos pioneiros do grime britânico. E desde o começo da década e depois que "
Witness (1 Hope)" (2001) derreteu o bass numa pasta achatada que envolve a cintura, esse inglês ficou bem posicionado no estabilishment entre o underground de um gênero do gueto e o mainstream da música negra, bem nutrida também no UK.
Seu quarto e recente álbum,
Slime & Reason parece ser o passo que faltava para Rodney pular do East End londrino para qualquer rádio na ilha da rainha. Lançado em agosto, alcançou o 22º lugar do chart inglês (sua melhor marca), o disco segue sua fusão de humor ("
Buff Nuff") e de autobiografia de um jovem da periferia imigrante de Londres. Musicalmente, destaque para o bass paranóico de "c.r.u.f.f.", a sanfona jamaicana pasteurizada em "Again and Again" e "Let the Spirit", que tem produção do Metronomy e exemplifica o bom momento do
grindie, que é nada menos que o namoro do indie inglês com o grime. Dizzee Rascal cantando Tings Tings e em
parceria com Calvin Harris? Metronomy e Roots Manuva? Isso é grindie.
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Roots Manuva - Let The Spirit (mp3)
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Roots Manuva - I'm A New Man (mp3)
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Roots Manuva - C.R.U.F.F (mp3)
THE STREETSEverything Is Borrowed679 RECORDINGS
Nota: 4.1Ah, o amadurecimento. Ele faz com que pessoas imaturas e desbocadas entrem numa caminhada espiritual a procura de boas vibrações e superações, e quando se trata de músicos, isso leva a novas possibilidades para contar uma verdadeira e nova estória em um álbum. Ela desacelera BPMs, adiciona pianos, violões e acende uma aura soturna onde antes havia guitarras, ritmo pulsante e bastante energia. A maturidade faz com que
Everything Is Borrowed, quarto álbum de estúdio de Mike Skinner, o Streets, contenha algumas das melhores faixas que ele produziu e que seja o mais coeso de todos.
Suas letras bem descritivas param de falar sobre o cotidiano de um jovem beberrão inglês e do descartável mundo das celebridades para focar puramente no aprendizado. As bases sólidas refletem essa mudança, soando mais classudas e de alguma forma atemporal - ao contrário do datado nascimento do garage rock com grime de sua estréia. É preciso de algum muito talentoso para crescer, superar velhos (e bem celebrados) atos e não fazer isso parecer como um grande e chato monólogo.
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The Streets - The Sherry End (mp3)
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The Streets - Never Give In (mp3)
DAN LE SAC vs SCROOBIUS PIPAnglesSUNDAY BEST RECORDINGS
Nota: 3.8Angles leva a estréia da dupla inglesa de rap/spoken work muito além do anti-hype "Thou Shalt Always Kill", faixa que os levou às pistas e rádios do mundo, fora a comparações com o próprio Mike Skinner da resenha acima. É só ouvir a introdução do álbum, uma espécie de novo "Choose Your Life" (
Trainspotting), para ver que os assuntos tratados aqui são mais sérios e cheios de raiva do que a rádio ou Skinner poderiam aturar.
E o melhor é que, para ilustrar essas estórias, o produtor Scroobius Pip cria camadas intensamente (brit)pop, em faixas como "Beat That My Heart Skipped", "Look For The Woman" e "Letter From God To Man" (essa com seu ótimo sample de Radiohead). Mas não é só de pop que esse debut é feito, "Rapper's Battle" é comandada por uma hipnótica linha 8-bit, enquanto "Magician's Assistant" é psicodélica e assustadora. "Back From Hell" e "Fixed" (com sample de "Fix Up, Look Sharp" de Dizzee Rascal) são garage grime gordos feitos por grandes batidas e guitarras distorcidas. Com propriedade e um toque de ironia, Dan Le Sac e Scroobius Pip conseguem capitalizar o que surgiu de mais excitante na cena inglesa nos últimos tempos. Se ao menos eles tivessem criado algo novo...
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Dan Le Sac VS Scroobius Pip - Beat That My Heart Skipped (mp3)
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Dan Le Sac VS Scroobius Pip - Thou Shalt Always Kill (mp3)
THE HERBALISERSame as it Never WasBIG DADA RECORDINGS
Nota: 3.4Qual a distância entre o hip hop e o funk? Um
clipe do Lyrics Born ou dez minutos de Andre 3000 (
Outkast), talvez? Esses, na verdade, fundem ambas negritudes sonoras. Já a big band inglesa The Herbaliser, na ativa desde 1995, pula rápido do extremo funkeado para a malícia imigrante do hip hop.
Same as It Never Was é o mais recente álbum da banda, disco bifásico de jazz classudo (
quase brega) e hip hop bem produzido, adulto - nada de moleques reclamando em bases criadas em casa. A melhor faixa, "Just Won't Stop", traz o ótimo rapper Essa em scratches polidos e trompetes inseridos cirurgicamente. Se o álbum soa um pouco incoerente pela dicotomia, a exceção é "Street Karma', que mostra a safadeza hip hop com certa atmosfera jazzística de trilha sonora, criada pela banda quase num big beat próprio - o maior exemplo dessa nuance são faixas instrumentais como "Blackwater Drive" e "Amores Bongo", deliciosas.
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The Herbaliser - Just Won't Stop (Feat. Yungun aka Essa) (mp3)
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The Herbaliser - Amores Bongo (mp3)
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The Herbaliser - Street Karma (A Cautionary Tale) (Feat. Jean Grae) (mp3)
E essa coisas "Black" que saem ultimamente nos EUA a grande maioria é uma CAGADA SONORA pra minha pessoa.. . . . com já disse.. é Aché Bunca made in USA . . . e faz um sucesso danado aqui no Brasil...
Porque será ???? hehe