Do olodum ao electrohouse, o lesbo-rap das americanas é uma das boas sonoridades de 2008
É fácil louvar o trio (agora dupla) de hip hop/crunk Yo Majesty ao se comparar com exemplos do mainstream como
50 Cent e afins. Lado a lado com gangstas milionários, gostosas vadias e batidas descartáveis, o apelo do grupo lesbo-club-rap-party cresce, fica gigante. Mas isso seria simplista, é óbvio que o Yo Majesty está numa margem bem distante desses rappers.
Tal distância se confirma, melhor, aumenta com o debut dessas garotas da Flórida,
Futuristically Speaking Never Be Afraid, lançado em setembro pela poderosa Domino Records, padrinho do grupo após o barulho que essas meninas fizeram com EPs e catárticas apresentações ao vivo, recheadas de gritaria, bases aniquiladoras e seios de fora. Escaladas para tocar no TIM Festival desse ano ao lado de Neon Neon, Gossip e Klaxons, elas acabaram não vindo por problemas internos de relacionamento.
live!

O álbum é cheio de iniciativas e mostra a empolgação de novos artistas, catapultados pela expectativa geral das promessas - sem dúvida o Yo Majesty é o maior nome do tal club rap hoje. E o de musicalidade mais coerente com tal termo, já que a mistura de crunk do sul dos Estados Unidos, electro, ghettotech e outros pancadões criam um party rap que é instantaneamente associado à pista de dança. Faixas como "Club Action" mostra um apuro nas batidas mais comum na eletrônica do que no break gordo do hip hop. Quem produz e dá unidade a essas batidas é a dupla
Hardfeelings UK, que se apresenta com as garotas.
YO MAJESTY - CLUB ACTION
A produção é impecável e vai ao contrário da estética amadora e de improviso que o rap da dupla pode ter. Ainda sobre similaridades com a eletrônica, "Don't Let Go", por exemplo, não é nada mais do que um electrohouse com os vocais de Shunda K e Jwl B. Seen cristalinamente tratados. O extremo da produção é a baladinha R&B "Buy Love" e a fofura pop de "Get Down on the Floor", que talvez não agradem quem gosta da gritaria dançante do grupo, mas na verdade é um respiro nesse CD de 14 faixas barulhentas.
CONVIDADOSO Basement Jaxx foi escalado para azeitar o possível single "Booty Klap", um fidget acelerado que desafia qualquer nádega dançante. E como ser ghetto é requebrar, o CD tem outro ponto alto com o camaleônico Radioclit criando um olodum desgraçado em "Grindin' and Shakin'".
Flash Content
Yo Majesty - Booty Klap (mp3)
Flash Content
Yo Majesty - Gridin' & Shakin' (mp3)
Futuristically Speaking Never Be Afraid consegue soar coeso mesmo com tantas tentativas por parte das rappers e seus produtores. Parte dessa coesão é a gritaria (lembra até Christina Aguilera nos agudos) anti-misoginia, em que o homem é desafiado à altura e as mulheres são louvadas. É um riotgrrrrrl necessário num

gênero dominado por homens em que a mulher é elemento de desejo - muitas vezes só isso. Não que o Yo Majesty seja politizado, pelo contrário, para nós brazucas que possivelmente não vamos entender 80% das letras aglutinadas nesse crunk doido, o que mais importa é a batida. E o booty, que sapa nenhuma vai deixar de dançar em nome do feminismo, eu aposto.
Assim como a cultura gay é efervescente em exemplos musicais diversos (de Queen a Scissor Sisters), esse lesbo-rap é simbólico e será marca da música no biênio 2007/2008, ao lado de artistas como Gossip e CSS, não a toa companheiros de tour do Yo Majesty. É um dos shows mais a se lamentar que não veremos agora, consolável apenas pelas possibilidades inúmeras desse álbum.
gostei da resenha e o cd é muito bom, melhor que o black total ou luciano huck black hits.
shake shake potranca shake shake potranka!
hahahahahahahahahahaha