
Não é mais novidade para nenhum amante de música eletrônica que as coletâneas da Kompakt são fundamentais, ou então, intencionam tal feito. Para aqueles que não compram os 12 polegadas, os volumes da série são um refresco auditivo com o supra-sumo do que fora lançado anteriormente. Hoje, pode-se dizer, que a
Kompakt não é somente um selo, mas uma marca. Uma poderosa marca que carrega em si boas iniciativas de marketing, bons produtos voltados para o público interessado em música (não só DJs/produtores) e, especialmente, um grupo de artistas.
Sua expansão nesse sentido foi, de certa forma, uma "institucionalização" da marca e tanto já se discutiu a esse respeito que seria um clichê retomar a discussão. Sim, hoje a Kompakt posa como um dos mais poderosos selos em matéria de produção, relevância e confiabilidade nos caminhos e descaminhos da eletrônica, tanto por parte de seus inúmeros fãs, como por conta de suas coletâneas anuais.
Os dois álbuns dessa nona coletânea partem de uma sonoridade funcional, quase linear, até o que pode ser descrito como deliciosamente excêntrico. Demonstram ainda no
approach minimal do selo o cruzamento de disco e deep house com nuances mainstream (pop mesmo), um "poperô" noventista que marcam as produções dessa coletânea. Tal cruzamento é visível no primeiro CD; já o disco dois, embora mais pegajoso, proporciona as faixas mais épicas e melancólicas. É no segundo disco que estão as produções de Ale Reis e João Lee aka
Dubshape (duo paulistano) e para o mais que talentoso
Gui Boratto, os brasileiros da coletânea.
EXPECTATIVA ALCANÇADA?Quem abre o primeiro disco é
Justus Köhncke com "No Thanks For The Add," uma espécie de ode a cordialidade tão comum em sites de relacionamento. A faixa tem referências pulsantes da disco e flautas que surgem vagas, além de batidas cadenciadas e um dub que se arrasta por detrás. Esta canção, aliás como boa parte da coletânea, não foi pensada como algo apenas para dançar, mas para serem apreciadas em um primeiro momento.
A esta se segue uma faixa exclusiva do
DJ Koze, uma das mais visuais faixas de toda a coletânea, "Zou Zou", com seus sinos tubulares processados (instrumento que só foi popularizado na cultura ocidental por
Mike Oldfield em 1973 ao lançar o álbum homônimo,
Tubular Bells), com um quê de orientalismo. É quase uma reconstrução do tribal house - o elemento étnico que dá a tônica para a "construção" da faixa.
Flash Content
DJ Koze - Zou Zou (mp3)
Superfunkmayer

Além dessa, têm mais três faixas exclusivas na coletânea todas postas no primeiro disco.
Supermayer e sua "Hey Hotties!" mostra uma mudança até um pouco radical na produção disco funk estabelecida em "Art Of Letting Go", do álbum
Save The World. Foi adicionada alguma reminiscência do funky americano do início dos anos 80. Outras faixas exclusivas da coletânea são "Modernism Begins at Home", de
Jörg Burger, um dos sócios proprietários do selo, "With Wings", de
Thomas Fehlmann.
Flash Content
Supermayer - Hey Hotties! (mp3)
Dentre as onze faixas deste primeiro álbum, aquela que mais chama atenção aos ouvidos atentos é a faixa de
Jürgen Paape, "Come Into My Life". As batidas se completam com a andrógina voz de Alison Degbe que saudosamente nos agracia com a lembrança de Corona e todo aquele clima dance music, aqui revisitado, do limiar da década de 90. Já não se pode dizer o mesmo para a faixa de
Matias Aguayo, "Minimal." Produtor de músicas impecáveis e de boas passagens minimais, ao ironizar o prato que come, Aguayo peca pelo tamborinesco. Embora esta seja a faixa original, sua força está em seus remixes, especialmente, o do DJ Koze. Vale a audição.
Flash Content
Juergen Paape - Come Into My Life (Feat. Alison Degbe) (mp3)
Flash Content
Matias Aguayo - Minimal (mp3)
DEPOIS DA BONANÇA...MAIS BONANÇA!Dubshape / Gui Boratto

Apesar de todo o clima deep, o segundo CD é o que mais visa a pista. É também o que segue uma certa seqüência, cadência musical. Sim, este disco tem rosto e corpo de set magro e sem gordura saturada em suas também onze faixas.
Tudo começa com o duo brasileiro, Dubshape. "Droplets (Early night Mix)" não faz feio. Com uma breve e delicada referência a Detroit, Ale Reis e João Lee conseguem mostrar toda a levada deep que permeia suas produções e, aqui, ao costurá-la com o groove do house, fazem uma faixa quase etérea para se ouvir no início da noite.
E Gui Boratto consegue expressar toda a força de criatividade em "Anunciación", pondo a pista em suspensão, hipnotizando cada ouvinte com a toada quase trance, sem se esquecer techno. A construção da melodia se apresenta calmamente entre as batidas, e formam a imagem de um oásis sonoro parecendo mesmo a anunciação de algo, talvez o próprio clímax da música.
Flash Content
Dubshape - Droplets (Early Night Mix) (mp3)
Flash Content
Gui Boratto - Anunciacion (mp3)
Outra faixa que merece atenção é "Signifier", dos suecos
Rice Twins, de melodia marcante e cercada por uma linha de synth constante e ensimesmada, quase como numa odisséia. Esta faixa, quando ouvida em seqüência com a de Gui Boratto, fazem uma bonita dupla. E como nem só de músicas obscuras se faz uma pista,
Jonas Bering demonstra força pop em "I Can't Stop Loving You", uma cena de amor um tanto repetitiva e grudenta. A produção é amadora e sem melhores acabamentos, segundo o próprio produtor, feito de forma proposital que deixa a faixa com todo um charme lo-fi mas nem por isso consegue sustentá-la por completo. Afinal de contas, nem tudo são flores.
KOMPAKT TOTAL: NADA COMPACTASim , a coletânea tem momentos sublimes, mas outros nem tantos. E o único porém é o tamanho da coletânea, longa demais. O que nos leva ao ponto de apesar de sua relevância peca por ser repetitiva. Ora, são muitos os artistas talentosos da Kompakt e que dão ao selo toda chance do mundo de fazer um álbum não somente bom, mas fantástico. Esse atalho ainda não foi encontrado, mas está bem próximo de ser alcançado. Uma arrumação mais cuidadosa e alguns sacrifícios poderiam fazer desta não apenas uma bela compilação, mas sim um trabalho genuíno de arte.
=)
Kompakt ruless!!!
espero que meus vips tenham alguma utilidade então ehuehue..