Pendulum - In Silico
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ficha técnica
Nota: 3.7 / 5
Ano: 2008
Selo: Warner Music
Estilos: drum'n'bass
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del.icio.us
Pendulum - In Silico
Antes da apresentação no Skol Beats, conheça o mais recente trabalho do grupo australiano
26.09.08 08:00
Depois de dividir a Pangea, o que sobrou ao Pendulum para fazer? Muito pouco, para ser inteiramente justo com eles (saiba mais). No entanto, as opções a serem seguidas após um primeiro álbum de estrondosa recepção se resumiam tão-somente àquilo que costuma ser a "escolha de Sofia" para debutantes no feroz mundo pop: retificar ou reiterar a própria fórmula de sucesso. O risco da primeira reside justamente na possibilidade de errar a mão e alienar seus recém-adquiridos admiradores. O da segunda é pesar a mão e cansá-los. Entre os possíveis extremos do excesso ou da falta de novidade, eles acabaram por ficar com as duas opções.

O dilema não era só deles, pois o cenário musical como um todo havia se transformado, em grande parte por decorrência de seus próprios esforços. Desde o breakdown mais superlativamente épico do mundo até o snare mais perfeito que o ouvido humano possa captar, todas as invenções técnicas do geninho que sempre fora Rob Swire acabaram rotinizadas pela multidão de epígonos que naturalmente surgiu após seu primeiro êxito. Ademais, algo muito peculiar a respeito de suas carreiras até este momento era o fato de não terem desgastado seu som com inúmeros convites para remixar Deus, o mundo e seus respectivos bichos de estimação, como é costumeiro naquela situação de potencial em que seu encontrava seu profile após seu estrondoso debut, Hold Your Color (2005).

Eles se arriscaram e fizeram o inesperado: remixaram um clássico de uma banda que já enfrentou as mesmas intempéries há exatamente uma década sem a permissão devida. Isto resultou em sua queda direta nas graças do Prodigy, após o colossal serviço que fizeram em "Voodoo People" e cujo sucesso lhes rendeu todas as mordomias de um release oficial, com direito a vídeo próprio e tudo, como podem ver abaixo.


Prodigy - Voodoo People (Pendulum Remix)


"V" DE VENDETTA, VERVE OU VADIAGEM?
Claramente, não havia muito futuro para eles em um improvável retorno ao drum & bass puro e simples. Mesmo porque, além de contraproducente criativa e profissionalmente, eles se esforçaram muito em queimar qualquer ponte que os levasse de volta a essa circunscrita dimensão musical. Indo desde uma contenda excessivamente pública e tola com o ex-chefe Fresh a respeito de direitos sobre seus trabalhos, até incansáveis bate-bocas virtuais com inúmeros críticos ou detratores que pululam em forums como o www.dogsonacid.com, ironicamente um dos principais veículos de promoção de seus talentos até então.

Em contrapartida, enquanto o negócio fosse música, o trio sempre continuou a fazer o que sabe com elegância e arrojo. Tanto ao vivo como em estúdio, a cada nova aparição do Pendulum a impressão que se tem é a de que eles ainda têm muito a oferecer em diversos aspectos. Algo que fica bem claro assim que relembramos a energia e dedicação com que Gareth veio se apresentar no Brasil no início de 2006 ou mesmo a apurada técnica de Paul nos decks somada a uma ousadia que não tolera restrições, como pôde ser visto por todos que foram conferir um de seus sets na festa da Ram Records de Andy C no The End. Assim, não resta mais dúvida alguma de que os três garotos australianos são tão promissores quanto destemidos. Porém, a questão candente é: quando eles afinal vão entregar o que tanto prometem?

Live @ Sydney (Austrália)
Live @ Sydney (Austrália)


A PRIMEIRA FAZ TCHAN, A SEGUNDA FAZ TCHUN
E eis que nos é apresentado In Silico, nomeado com uma expressão bem contemporânea e amplamente usada por geeks pelo mundo afora. Referindo-se a simulações de situações reais em ambientes totalmente computadorizados, esta é uma corruptela que seria mais adequada no latim original se dita in silicium. Mas o que importa aqui não é isto, mas sim o fato de que este álbum já é um tomada de posição desde o título, pois ele fala para uma nova geração que tem em "In Utero" uma distante e deslocada referência.

Agora tendo o privilégio de fazer as premiéres mondiales de seus singles não mais através de programas como o de Grooverider, mas sim no de Zane Lowe, o Pendulum se resfetela no privilégio de possuir o suntuoso maquinário de uma major por trás de cada movimento seu e até engrossa suas fileiras ao trazer entre seus integrantes gente reputada como Paul Kodish, credenciado por uma trajetória como baterista dos tresloucados Apollo 440. O Pendulum torna-se cada vez mais uma banda "de verdade".

"Granite" aterrissou fazendo jus ao nome, como um meteorito que chega com velocidade e impacto tremendos, mas que, depois que a poeira de sedimentos fossilizados em riffs que remetem diretamente ao Led Zeppellin finalmente assenta, não deixa a impressão de que seja algo mais do que realmente é: um pedregulho e nada mais. O segundo single, "Propane Nightmares", chegou com mais firmeza e franqueza, fazendo bom uso da energia que lhes é característica e deixando uma boa impressão que apneas é estragada pela insistência nos inexperientes vocais. Um dos pedágios mais implacáveis do pop faz mais uma vítma incauta.

Flash Content
Pendulum - Granite (mp3)

Flash Content
Pendulum - Propane Nightmares (mp3)

Entretanto, o álbum prossegue firme e coeso (um mérito artualmente), contando com momentos muitos bons como a tensa "Midnight Runner" e a alegrinha "The Other Side", ou mesmo o clima grandioso de prováveis momentos inequecíveis em palco a que remetem faixas bem trabalhadas como "Mutiny" e "The Tempest", onde vemos eles entregarem um pop honesto, mas bem distante daquilo que esperariamos deles. Talvez a maior curiosidade aqui seja "9000 Miles", em que podemos testemunhar toda sua competência como compositores e produtores, com a vantagem de ser instrumental. E então surge outra dúvida: será que eles são bons músicos também? Os vocais deixam bastante a desejar, tanto que o restante da artilharia pesada de instrumentistas mal consegue compensar, mas o resultado final é sólido. Só resta saber se ao vivo a massa dá liga também.

A INSUPORTÁVEL CARÊNCIA DO SABER
Assim, fico meio indeciso quanto a este álbum, pois ele tem seus méritos, apear de nenhum deles ser algo original ou mesmo groundbreaking como talvez esperasse que o sucessor de Hold Your Colour pudesse ser. Então, parece-me inevitável virem à mente outros projetos que fizeram a difícil transição do mundinho da eletrônica para o mainstream, conseguindo, no processo, renovar sua proposta em um segundo installment. Dessa forma, vemos que Second Toughest In The Infants é magnífico em seu ecletismo centrado; Dig Your Own Hole é preciso em elevar a outra potência a violência e sujeira de seu antecessor; Music For The Jilted Generation é uma das obras mais fabulosas a operar a comunhão entre o stage rock e as parafernálias forradas de botõezinhos, indo do trance ao blues em 90 sublimes minutos, e poderíamos prosseguir ad nauseum...

Mas, e quanto a In Silico? Será que ele conseguiu operar a tão desejada síntese de atualização da sonoridade de um projeto que se tornou banda, ou será que ficou no limbo de acabar não sendo nenhum dos dois direito? Prefiro que o público do Skol Beats com menos de 21 anos responda a minha pergunta e espero que seja tão poderosa quanto a presença de palco do Pendulum, mas também mais uníssona do que eles próprios.
MP3
Flash Content
Pendulum - 9,000 Miles (mp3)

Flash Content
Pendulum - The Other Side (mp3)

Flash Content
Pendulum - The Tempest (mp3)


Raul Cornejo
Raul Cornejo
sheer persuasion
comentários
2 comentários
Cj Hal
Cj Hal(26.09.08)
0AprovadoQueima
Paul kodish é aquele demente que segura 160 bpm na mao tranquilamente... acho q tenho um cd de sample dele...
CAio C B
CAio C B(26.09.08)
0AprovadoQueima
vai ser louco!