Algumas coisas nunca mudam mesmo. O mesmo público que reclama que shows/festas durante a semana deveriam começar cedo (para que todo mundo tenha pique para agüentar o outro dia de trabalho), é o mesmo que só chega ao Studio SP uma hora após o primeiro show, causando atrasos. Felizmente, essa falta de sono de quarta-feira está sendo muito bem recompensada após as excelentes apresentações da primeira noite paulistana da edição 2008 de um dos melhores projetos brasileiros, a
Invasão Sueca.
Festival esse ano que teve sua mais bem sucedida edição com duas noites de ingressos esgotados no novo Studio SP, que comporta muito mais que a mini-pista da antiga casa na Vila Madalena. E grande parte desse sucesso se deve a escolha de seu line-up, que conta com
Peter Bjorn and John e
Shout Out Louds, ambas bandas com bastante seguidores brasileiros.
Por volta das 11 da noite, o quinteto Shout Out Louds inicia nossa primavera com suas músicas mornas e tenras. Era como se o The Cure escrevesse suas canções no momento em que se apaixonasse ao invés da típica amargura de fim de relação. Era quase dançante, era quase muito bonito, era quase... mas irritantes interferências causados pelas caixas de som da casa, que duraram cinco músicas, forçaram os técnicos a diminuirem suas potências para evitar que as mesmas voltassem a ocorrer. Tirou um pouco do brilho, mas nada que um sorriso tímido da linda tecladista, e uma melodia animada cantado por um inglês cheio de emoção, não te fizesse esquecer de qualquer coisa.
Apesar de bem formado quinteto, a mais inglesa das bandas suecas que eu já (ou)vi , a atenção de todos girava em torno de um só. Ted Malmros pode possuir toda a estranheza necessária a um baixista, Eric Edman segurar o ritmo e Carl von Arbin fazer as acrobacias mais interessantes com as cordas da guitarra, mas o quinteto facilmente pode se resumir ao vivo a Adam Olenius. O vocalista ativa todos os seus trejeitos de contador de história para cantar de uma forma que ele reforça cada uma das palavras que solta. Para isso ele bate nas cordas para dar ênfase a palavras, tira a meia-lua de seu pescoço e a bate incessantemente em canções. Ele também sussurra o que faz contraponto perfeito ao gigante som que emana dos teclados de Bebban Stenborg, instrumento com maior destaque e que dá forma ensolarada ao som da banda.
Após um pouco mais de uma hora de show, uma rápida cover de Clash e o domínio do público pouco dominável, o Shout Out Louds sai vitorioso mostrando que a única coisa que os impede de ser headliners de um festival como seus amigos Peter Bjorn and John é um hit mundial. Já que de hits brasileiros o quinteto está cheio.
INDIE POP COM ESPÍRITO DE ROCKTalvez o show do Peter Bjorn and John fosse metade do que foi se eles não tivessem uma excelente banda de abertura os acompanhando. Em
entrevista ao rraurl.com Bjorn disse que eles criaram seu último álbum, o instrumental
Seaside Rock, após o cansaço causado pela constante repetição das músicas de
Writer's Block, então se subentende que o show deles se centraliza nas canções novas, certo? Errado. A banda preferiu não arriscar tocar as difíceis músicas instrumentais após tão celebrada apresentação do Shout Out Louds.
Então, para a alegria da grande maioria, o foco maior do show do PB&J foi o álbum de 2006. Começando com "Start To Melt" para derreter corações com sua obscura melodia sessentista, cantada pelo baterista John, passando por "Detects On My Affection", "Up Against The Wall", "Paris 2004", "Let's Call It Off", e uma versão um pouco alterada de "The Chills". Tudo tocado com uma surpreendente energia roqueira, com direito a pulos, poses AC/DCianas e solos em cima da caixa de som de Peter, enquanto Bjorn se resumia a uma irônica introspecção quebrada apenas num momento para se apresentar com um falso inglês infantil ("I am Bjorn", disse pausadamente).
FFFF-FFF-FIIIU FIFIFIFIIIIPausa para "Young Folks", com Bebban fazendo as vezes de Victoria Bergsman. Clima de catarse pré-refrão e o famoso assobio aparece reverberado, alto e perfeito, tal como o CD. Claro, ele veio na forma de playback, o que não impediu a música de se mostrar tão contagiante e merecedora do sucesso ao vivo quanto no estúdio.
Após uma hora de show, a banda sai do palco sem se despedir. Deixa para o típico bis que veio, mas não por pedido do público. Peter voltou para pedir aplausos a Bjorn e John, que voltaram para encerrar com "Amsterdam". Que veio gigantesca, estendida ao máximo, com direitos a solos, distorções exageradas e mostra de técnicas e mais danças/poses. Perfeita para encerrar, a faixa foi cantada por Bjorn e Peter com backing vocal de John. Esperamos eles aqui novamente para fazer um show focado em
Peter Bjorn and John,
Falling Out,
Seaside Rock e qualquer outro álbum que venham a lançar.
Excelente noite praqueles que pagaram R$50 ou R$100; que gostavam mais de Shout Out Louds do que Peter Bjorn and John; ou mais de Peter Bjorn and John do que Shout Out Louds; ou para quem dormiu cinco horas ao invés de oito.
Fotos: Caroline Bittencourt - Coquetel Molotov @ Recife. As de ontem já estão chegando.
e eu vou no show hoje! can't wait!
Hoje to animado pro Club 8!
mesmo com o probleminha, a noite foi inesquecível! :o)