Minitek começa com pé esquerdo
Minitek: Coney Island foi o palco da diversão
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ficha técnica
Nota: 2.9 / 5
Ano: 2008
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Minitek começa com pé esquerdo
Festival de minimal techno em Nova York tem intervenções policiais em seu local de festas noturno, mas proporciona bons momentos durante o dia, em Coney Island.
15.09.08 14:10
As coisas não são fáceis para a vida noturna de Nova Iorque. Depois de se livrar do carma conservador de Rudy Giuliani, a cidade pode não precisar mais de licenças para dança (a lei do cabaré, oriunda do começo do século passado), mas ainda encontra dificuildades para ser sede de eventos e de uma vida noturna prolífica e abastada. O clima policialesco pós-11/set da cidade reflete na marcação cerrada para a realização de eventos.

No último fim de semana a cidade seria palco do Minitek, um novo festival focado no minimal techno e que teria no seu line-up nomes como Richie Hawtin, Magda, Troy Pierce, Alexi Delano, Marco Carola e afins. J. Ricardo Moderno, colaborador especial do rraurl, esteve em Nova Iorque e narra os problemas - e um pouco do que rolou de bom na música e no evento em geral. Segue o relato, com direito a pequenas entrevistas.

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SEXTA A NOITE - 12/set
A noite de abertura do Minitek começou com muita confusão. As pessoas que estavam na fila aguardando para entrar no evento foram dispersadas pela polícia de Nova York. O local do evento noturno, revelado praticamente às vésperas, foi o Penn Plaza Pavillion, que fica na rua 33, número 401, na região central de Midtown. Os policiais não só dispersaram a multidão, em sua maioria europeus, mas também fecharam o evento. O acesso de entrada foi totalmente tomado pela polícia e os organizadores não podiam deixar os convidados entrar.

A confusão na porta do Penn Plaza Pavillion (sexta a noite)
A confusão na porta do Penn Plaza Pavillion (sexta a noite)


Depois de driblar toda a confusão, consegui entrar com a ajuda de um dos organizadores. Em geral, o local e o som não impressionaram, porém o set de Paul Ritch agradou. Apesar de tudo, peneirei bem a experiência e consegui um papo rápido com Paco Osuna (DJ espanhol, nascido em Barcelona) uma figura carismática que sabe português, conhece o Brasil e que assume sua paixão pela acid house em seus sets e produções.

"Eu começei tocando Acid House, e acho que o que produzo hoje tem um pouco do Acid nos grooves, e os outros elementos talvez tenham alguma influência.", contou Osuna.

Público segue Paco Osuna para a festa não-oficial no Club Rebel
Público segue Paco Osuna para a festa não-oficial no Club Rebel
Infelizmente Paco não tocou no palco do Minitek, pois as luzes florecentes do Penn Plaza Pavillion foram acessas às 03h20 da manhã, quando as autoridades conseguiram enfir vetar oe vento. Os convidados se retiraram, porém, percebi que uma pequena multidão seguia os passos de Paco Osuna em direção do Club Rebel (duas quadras do Pavillion), onde a a festa não-oficial do Minitek continuou.

SÁBADO DE DIA - 13/set
O Minitek teve duas localidades no sábado. Durante o dia (12h às 23h) o evento rolou em Coney Island. A região é um ícone americano, pois já nos meados do século passado contava com três parques de diversão, e era no Astroland Park que o Cyclone, agora monumento histórico nacional, foi construido há mais de 75 anos. Justamente uma semana antes do Minitek, o parque fechou oficialmente, e sua estrutura, um verdadeiro cartão postal de Nova York, deve sumir em breve para dar lugar a novos empreendimentos imobiliários.

Desta vez não houve nenhuma confusão com a polícia. O som estava alto e com boa qualidade, e algumas pessoas chegaram cedo. Alexi Delano, Adultnapper e Derek Piaslaiko fizeram um revezamento três por três, e durante um breve intervalo conversei com Delano, que é chileno mas cresceu na Suécia.

Fale um pouco sobre o techno sueco e sua relação com Adam Beyer.

O techno sueco começou em um dos mais escuros invernos nos porões da Suécia. No começo haviam vários artistas e o estilo se diferenciou por ter influências diversas de outras tendências. Após a ascensão de uma gravadora de Cari Lekebush e a ascensão sucessiva de Adam Beyer, outros artistas também foram contemplados. E existe uma diferença para nós do techno sueco que as pessoas de outros países conhecem do techno sueco que nós conhecemos.

As suas produções se diferenciam por causa destas suas influências. Então fale um pouco das faixas "A Walk in the Dunes" e "Discoteca Butt".

Flash Content
Alexi Delano & Tony Rohr - Discoteca Butt (mp3)

Uau, interessante. "A Walk in the Dunes" é uma música do holândes amigo meu Terry Toner, e é basicamente um remix. "Discoteca Butt" é uma música minha e de Tony R. Eu acredito que esta foi a nossa primeira produção juntos. Quando conversamos sobre o projeto ele e eu falamos um ao outro "eu sei o que você gosta e eu sei o que eu gosto, então vamos inverter isto", e o resultado foi que vendeu mais de quatro mil cópias pela Internet. Interessante também é que as pessoas dos países em que me apresento pedem pra eu tocar "Discoteca Butt", e eu acho difícil colocá-la em meu set por que esta música é diferente de tudo que faço e que toco.

SÁBADO DE NOITE - 13/set
O Minitek na noite de sábado mudou de endereço para o clube Studio B no Brooklyn. O evento estava programado para terminar após às seis da manhã, porém a administração do clube teve que encerrar a festa às quatro devido a permissão de operação. Esclarecendo as coisas, Nova Iorque é extremamente restrita quando o assunto é licença de funcionamento. Os clubes por exemplo, tem que ter uma permissão para vender bebidas alcoólicas e outra para funcionar como clube/cabaré. Portanto, o melhor a fazer é seguir a lei estritamente ou correr riscos.

De dia, com a vista dos parques de Coney Island, a festa rolou de fato
De dia, com a vista dos parques de Coney Island, a festa rolou de fato


DOMINGO
Novamente o evento correu maravilhosamente bem na tarde de domingo em Coney Island. O som era de alta qualidade, a temperatura estava perfeita com uma brisa fresca trazida pelo mar. Desta vez, entrevistei Troy Pierce, que me contou um pouco mais os detalhes de sua carreira como DJ.

Troy você já morou em Nova Iorque. Conte como era a cena nos meados dos anos noventa por aqui.

A cena era muito ruim. Quando conseguíamos atrair cem pessoas para nossas festas já achávamos isso incrível mas sempre nos perguntávamos, por que não duzentas pessoas? Além do mais, o clubes tinham um sistema de som medíocre e as festas tinham que terminar às quatro da manhã.

Então você se mudou para Berlim. Como foi sua primeira festa lá?

A minha primeira festa foi em um after hours no domingo. O clube estava cheio e a festa terminou às dez da manhã. Depois da festa fui comer pizza e tomei cerveja andando na rua, algo que é impossível de se fazer nos Estados Unidos.

O que você acha da cena de Nova Iorque hoje em dia?

Eu acho melhor. Existem pessoas fazendo muitas coisas por aqui. Um ótimo exemplo é o Minitek.

Logo após o Troy, o purple stage do Minitek recebeu o live do Audion (Matthew Dear) enquanto no mint stage Guido Schneider e Davide Squilace se revezavam, fazendo os convidados dançarem intensamente.

Enquanto o sol se punha, Guy Gerber iniciou seu live no Mint Stage usando um MIDI controller e um Apple. Do outro lado, Mathew Dear se despedia com sons pesados e bem sujos de seu live. François K mais uma vez impressionou o público com seu set que foi variadíssimo, incluindo basicamente vocais finos. Em outra parte, a galera praticamente tomou o palco e dançou ao lado de Richie Hawtin até o final do evento.

CONCLUSÃO
Em suma, musicalmente o evento foi excelente. Produtores e DJs importantes fizeram parte do festival. As pessoas adoraram e mais uma vez o clima de uma verdadeira rave rolou na terra do Tio Sam. Os problemas não ofuscaram o brilhantismo dos artistas que por aqui passaram, e Nova Iorque agora também é alvo dos grandes acontecimentos da cena eletrônica, por mais que na big apple não exista a liberdade necessária para a vida clubber aflorar por completo - coisa que existe em capitais com Londres, Berlim e até mesmo São Paulo. Não que essas não tenham seus problemas e restrições, mas Nova Iorque se recupera, e promete. Espero ver muito mais.

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Fotos: João Ricardo Moderno, Tony Zeoli e Burak Arikan

Moderno
Moderno
Joao Ricardo Moderno
Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
comentários
8 comentários
Luiz Pareto
Luiz Pareto(18.09.08)
0AprovadoQueima
Essa bosta desse Giuliani maquiou a criminalidade (ou a sensação de segurança) de NY e o Bloomberg está dando os retoques. Conseguiram acabar com a noite da cidade. Por causa disso, a cena eletrônica fora do mainstream dos superclubes (que são os únicos que tem grana pra bancar a tal licença de dança) está padecendo. Esses megaclubes só tocam música comercial. Uma pena! Que ninguem aqui me fale em votar em conservadores como Alckmin. Não tô afim de assistir esse mesmo filme de extremo mal gosto por aqui.
Mark Joshua
Mark Joshua(18.09.08)
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OMG, vim comentar o post do meu amigo ricardo e encontro meu outro amigo XRS aqui tb! Hahahaha... NY, saudades...dezembro to de volta!
Moderno
Moderno(18.09.08)
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Aqui vai mais uma - o website do Minitek divulga uma carta de esclarecimentos e desculpas. Porem, vale a pena olhar as opnioes das pessoas no Resident Advisor. Os comentarios passam ja' sao mais de 700.
Moderno
Moderno(17.09.08)
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Muito bom os comentarios feitos no Resident Advisor pelos leitores da materia. Em especial um que fala sobre a conversa entre os policias.
Jade Augusto Gola
O Resident Advisor entrevistou os organizadores, check it out.
http://www.residentadvisor.net/news.aspx?id=9643