Esta dupla coletânea vem numa amostra globalizada da DFA, que fez do
Death From Abroad seu selo internacionalizado. O nome por trás de LCD Soundsystem, The Rapture e Hot Chip aparece em um flerte tímido com Berlim e o 4X4. Apresentando faixas do underground Supersoul Recordings, selo berlinense de dois anos idealizado pelo italiano
Xaver Naudascher, o disco alia duas vertentes: uma que fez o hype da DFA -e seus beats bastardos- e outra que atesta seu rótulo renovador 'tendencionista' - James Murphy parece ressoar timidamente ao fundo, "Hey, lembra do techno?". É isso. DFA, por DFA, na apresentação do selo que sustenta sua égide. Leveza, groove, e um quê de complexidade.
Voilá uma mistura de samples cujas fontes são indefiníveis; mas estão lá, reconhecíveis na aparência única do
space disco. Grooves inconfundíveis da influência de Detroit com a leveza pop, no entanto, da italo disco. Faixas-exemplo são as "Moon Unit's", de Mogg e do próprio Naudascher, em suas versões Pt. 1, Pt. 2, Pt. 3, Pt. 4. - esta última com um quê de EBM (Electronic Body Music). Fronteira esta também estabelecida e reconhecível na "Riot On Planet 10", presente na coletânea em duas versões. Uma industrial, abusando de batidas encorpadas e outra em remix de Blitz Gramsci, que a virou depois de um banho de Chicago, TR-808 e um passeio pela Noruega.
Além do tributo direto a Detroit, "Motor City", que, apesar de reverente está mais para acid house, junto com Resist. "Motor City", contudo, tem a mesma melancolia que fez Laurent Garnier produzir "Last Tribute to the 20th Century". Só que a mistura que em Garnier era meramente lingüística- "This is a Tribute to New York, Detroit and Chicago, cities full of soul, vision and inspiration" - aqui está espalhada em referências concretas. Está tudo lá: Krautrock, Italo Disco, Electro, Chicago House e Detroit Techno. Com alguma coisa dos noruegueses Lindstrom e Prins Thomas perpetuando todo o álbum, e que as ótimas "The Odissey Sound" e "A.I.P", exemplificam.
MINIMALISMO E ELECTROO
Supersoul Recordings dá vazão ao experimentalismo de Xaver Naudascher (
ouça aqui no rraurl edição do podcast Frisson com ele), DJ formado engenheiro do som em Sidney, figurante do que seria alternativo em musica eletrônica em Berlim. "A capital do chato minimalismo eletrônico", para citar
Plastique de Revê, outro importante produtor presente no álbum. O fato é que dissonante ou não nesse cenário tão techno e previsível para alguns, o álbum tem o seu quê minimalista em "After Life", Robert Hood depois de Gui Boratto; e em "Stopharia" (Max Brannslokker), tech-house em sua faceta minimal sofisticada.
Electro, "Lost in the City" (Plastique de Rêve), traz uma linha de baixo dançante e clean. O que seria mais DFA não abroad, talvez, é a faixa de Max Brannslokker com Katya Tykova, "Solar Trip", chic e hype como CSS, embalada com uma complexidade que diria o contrário. Essa extensão do Death From Above veio numa paquera com um trio que fez os anos 90 - Berlim, Chicago e Detroit. Conseguiu juntar muita coisa bacana, em um tributo indireto, sem perder a identidade e apostar no que está por vir. Nada de extraordinário. Complexo, imprevisível, no entanto. Excelente debut da Supersoul. Dá até pra resenhar dançando.