Marcel Duchamp e a arte que não é arte
Marcel Duchamp no MAM
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Marcel Duchamp e a arte que não é arte
Artista criou o que há de mais importante na arte moderna: o questionamento
07.08.08 11:35
"Pode alguém fazer obras que não sejam de arte?"

A frase, ditada por Marcel Duchamp em 1913, anunciava uma das mais importantes revoluções no mundo das artes em toda a história: antes dele, apenas nos resumíamos a meros contempladores das obras de arte. Depois de Duchamp nosso cérebro foi posto a funcionar. Será que um urinol é arte? O que será que significa? Porque ele fez isso? Posso achar isso bonito?

Duchamp (1874 - 1968) começou sua carreira como pintor, mas logo passou a desobedecer cada vez mais os padrões e idéias tradicionais que regiam o mundo das artes. E foi justamente esse comportamento libertário e anárquico que fez dele o mais influente artista dos séculos XX e XXI.

Duchamp e sua roda de bicicleta
Duchamp e sua roda de bicicleta
A exposição que acontece no Museu de Arte Moderna de São Paulo até o dia 21/set traz um ótimo panorama das principais obras do artista, apresentando mais de 120 peças dispostas em "temas" que abrangem todas as facetas de sua carreira: as ilusões de óptica, o uso inovador da perspectiva, as transparências, o acaso, o humor, o erotismo, e principalmente o ready-made, princípio criado por Duchamp que defendia a idéia de que uma obra de arte não deveria ser como algo sagrado, feita pra ser posta num pedestal e admirada passivamente, e produzida apenas em peças únicas e originais.

Ao retirar uma roda de bicicleta de seu contexto original e destruir toda a sua funcionalidade, chamando-a a partir de então de "ARTE", Duchamp subverteu a ordem e mudou o futuro para sempre.

Duchamp tirava suas obras de dentro das galerias, expondo-as em lugares completamente inusitados, e as produzia em larga escala. Inclusive, nenhuma das obras expostas no MAM são originais (todos eles já se perderam ou foram destruidas em algum lugar há muito tempo) e sim reproduções feitas pelo próprio artista ou autorizadas por ele a rodar o mundo. Entre os principais itens estão as várias maletas e caixas que traziam em seu interior dezenas de cópias de todas as obras de Duchamp, uma espécie de museu portátil que ele fazia para presentear seus amigos e garantir que elas permanecessem preservadas para sempre.

"Fountain"
A exposição também acerta em cheio ao mostrar todas as mais diversas áreas que Duchamp atuou, tendo sido o primeiro artista plástico a usar fotografia em seu trabalho (graças às hábeis mãos do genial fotógrafo Man Ray, bem representado aqui) e também participando de filmes experimentais e surrealistas, que também são exibidos em uma sala exclusiva para eles.

SIMILARIDADES
Não é estranho dizermos que a música eletrônica tem muito a ver com Duchamp. Ele foi o primeiro sampleador, o primeiro remixer de obras arte, um verdadeiro DJ que propunha que seu público demonstrasse seus pensamentos e emoções através de seu trabalho. Ele mesmo usou a música como suporte de sua arte várias vezes, criando obras cujo principal instrumento eram os sons ao acaso, muitas vezes experimentando com os primórdios dos sons elétricos.

Marcel Duchamp: Uma Obra de Arte que Não é Uma Obra "de Arte" é um ótimo programa para entendermos (ou não) a arte moderna.

SERVIÇO
"Marcel Duchamp: Uma Obra de Arte que Não é Uma Obra "de Arte""
pq. Ibirapuera - av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, portão 3, Parque Ibirapuera,São Paulo, SP.
Ter. a dom.: 10h às 18h. Até 21/9.
Ingr.: R$ 5,50. Estac. (sistema zona azul - no portão 3).

Anexo - Sala Paulo Figueiredo
Duchamp-me, mostra com cerca de 40 obras do acervo do museu de artistas brasileiros inspirados em conceitos do artista franco-americano.

Alisson Gøthz
Alisson Gøthz
www.twitter.com/alissongothzzzz
comentários
14 comentários
Camila Santana
Camila Santana(10.08.08)
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Essa exposição tá demais!
infatuation
infatuation(08.08.08)
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pro relax, http://www.youtube.com/watch?v=Q0N2RzDgxtk&feature=related
infatuation
infatuation(08.08.08)
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em outras palavras, quis dizer que infelizmente hoje em dia se pensa muito mais de forma racional do que intuitiva.
o mundo sob uma lei ditatorial (informaçao/internet) deixou tudo esteril e parecido. ao meu ver a arte de hoje é outra coisa. mudou, acoplou-se ao mundo de forma pacífica quando deveria ser o contrário. deveria-se, através da arte, expor a contrariedade e buscar liberdade mas nao é o que acontece. a arte de hj é puramente mercadologica. virou um business como outro qualquer. eu diria que a arte em sua essencia é moribunda, se ja nao morreu. e isso em qq forma de arte. a musica tbem perdeu virilidade para se moldar ao sistema. sem dizer que, ca para nos... ha muito pouca coisa bacana hj em dia. tudo é cópia modificada.
nesse sentido q digo q a tecnologia nos deixou burros.
e clones mal feitos. eu sei q vc vai replicar isso (ate pq é da tua natureza prolixa hahaha... please dear, nao me leve a mal. nada pessoal e gosto dos teu comments).
beijo pra ti augustuzs
Augustuzs Neto
Augustuzs Neto(08.08.08)
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Sim, mas como tudo que é de vanguarda e iconoclasta, um certo dia se transforma em mainstream e vira hype.
Assim é o mundo e na arte não é diferente.
Flavio M Hebaru
Flavio M Hebaru(08.08.08)
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Eu achei legal o a comparação que vc fez com a musica eletronica, sampleagem visual, cortes etc... eu sempre fiz a associacao de Duchamp e do Dadaismo com os punks... a ideia deles era a destruicao da arte em si, nao apresentar uma nova proposta de arte, como o futurismo e o surrealismo propunham.. isso me lembra muito a ideia de No Future...
O Manifesta Dadaista comeca com a frase:
"Não sou a favor da arte, sou a favor da natureza." quer coisa melhor?