Direto de Brasília, uma missão do rock cumprida. Nave, retornar.
Imersão, abdução, catarse...
Não, ainda não chegamos naquela parte de falar das fontes de inspiração e influências (que nesse caso são claras). Estou falando da sensação que fica assim que os amplificadores são desligados. Depois de dois shows em casas fechadas (Rio e São Paulo), os britânicos do Muse puderam descarregar toda sua potência a céu aberto para quase 20 mil pessoas no ultimo sábado, em Brasília.
O show que fechou a edição 2008 do Porão do Rock deixou claro, mais uma vez, a vocação da banda para performances ao vivo. Mesmo com um quinto da parafernália tecnológica que a banda costuma apresentar em seus grandes shows, é impossível desligar um só segundo do que acontece no palco. A questão aqui não é mais as projeções hipnotizantes e finais apoteóticos com fumaças e fogos, mas a forma como Mathew Bellany e companhia trazem o público pra dentro do seu mundo de arranjos grandiosos, falsetes, batidas eletrônicas, solos virtuosos (quantos dedos esse cara tem???), naves espaciais e apocalipse.
Brasília: 20 mil pessoas, ao ar livre

EXPECTATIVAS E REAÇÕESÉ preciso confessar: ninguém esperava menos. Claro que sempre há um ou outro desavisado, mas a expectativa era conferir uma das (senão a própria) apresentações mais elogiadas e premiadas recentemente. Lembro quando o Justin Timberlake chamou os caras ao palco para sua (incrível) performance no EMA (Europe Music Awards) de 2006, anunciando que era "inquestionável" que ali estava "a melhor banda daquela noite".
Não precisou mais do que a introdução de "Knights of Cydonia" para o público presente entoar em uníssono os acordes dramáticos da primeira música do show. E isso na proporção daquele número de pessoas ao ar livre foi realmente de arrepiar até o indie mais blasé que ali estava.
Daí por diante foi tudo como tinha que ser. Gritos em "Supermassive Black Hole", palmas marcadas em "Starlight", coro em "Invensible" e explosão em "Time is Running Out". O Muse teve todos em suas mãos, e ninguém queria que fosse diferente.
O setlist não teve surpresas. Foi o mesmo já apresentado nos outros dois shows em terras brasileiras. Vale ainda parabenizar a produção do Porão do Rock que permitiu que cada nota que vinha do palco chegasse limpa a qualquer um dentro dos limites do festival.
PORÃO 2008
A edição 2008 do Porão do Rock foi a décima do festival que aconteceu nos dias 01 e 02 de agosto no estacionamento do estádio Mané Garrincha, em Brasília.
O primeiro dia teve sua já tradicional programação dedicada ao rock mais pesado com direito ao desfile de camisas preta e longas cabeleiras. O encerramento ficou por conta do hardcore veterano do Suicidal Tendencies (EUA), liderada por Mike Muir e sua bandana azul.
Programação mais eclética e muitas pessoas chegando cedo pra acompanhar as primeiras atrações no segundo dia. Destaque para os cariocas do Canastra e a parceria de Gabriel
Thomaz e o Moveis Coloniais de Acaju (Vai Tomaz no Acaju) que interpretou diversos clássicos do rock brasiliense. Já era meia noite quando a baiana Pitty arrastou uma grande quantidade de fãs enquanto a outra metade do público já esperava pelo Muse.
AOS NOVATOS
O Palco Pílula, dedicado às apostas do festival, também teve seu público nos dois dias. Porém, a geografia não ajudava muito e os artistas sofriam com a potência do som que vinha do palco principal. "Parece um duelo de bandas", disse Pedro Veríssimo vocalista da banda gaucha Tom Bloch (foto), durante seu show no inicio da noite de sábado. Fica o desafio para o ano que vem.
Achei inacreditável os valores dos ingressos, em BSB a entrada era apenas R$20,00 + 1kilo de alimento, ou seja, 7 vezes mais barato que São Paulo.