Spleen United - Neanderthal
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ficha técnica
Nota: 4.4 / 5
Ano: 2008
Selo: Copenhagen Records
Estilos: synthrock, eletro-rock
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Spleen United - Neanderthal
Como tocar electro-rock obscuro, fazer dançar e ter mérito muito além das comparações
08.07.08 10:15
O que é o electro-rock senão a fusão encorpada dessas duas extensas raízes musicais com o adendo de uma exacerbada atitude (sonora e personalista) e muita, mas muita melodia? Escrevendo sobre o Presets, um competente exemplo atual deste nicho musical, apitaram a dica que de leve já tinha assoprado em nossos ouvidos: os dinamarqueses do Spleen United e seu segundo disco, Neanderthal, lançado no começo deste ano.

É uma competente evolução orgânica do grupo em relação a seu primeiro álbum, Godspeed Into the Mainstream (2005), em que o vocal de Bjarke Niemann era exageradamente sombrio e os sintetizadores (eles são três no Spleen) ambientavam a banda mais no redutível synth gótico, armadilha que leva à eterna ameaça de datação aos anos 80. Em Neanderthal, até a saída do baterista do grupo parece confirmar que os synths assumem agora um papel mais frondoso e atual. Assim como o Presets, o electro-rock do grupo (graças a Deus) está mais para bases lineares berlinenses do que o Depeche Mode em si. E isso mesmo que "Suburbia", faixa de abertura do disco e segundo single, tragam a lembrança imediata ao grupo e alguns momentos despertem o deja-vu musical. Veja o clipe abaixo, ou ouça a faixa.


Clipe de "Suburbia"

Flash Content
Spleen United - Suburbia (mp3)

Ainda sobre as inevitáveis comparações, o Spleen, junto com o Presets, forma um duo atraente e mais visceral (com culhões, mesmo) à canastrice dp She Wants Revenge ou à aura emo disfarçada de indie do Interpol. Quando é roqueiro, o Spleen pende até para o pop 60s, ficando mais para Type O Negative do que para essas bandas, e tem ainda a deliciosa ironia da faixa intitulada "Everybody Wants Revenge", a mais obscura do disco que, ao invés de um eterno conflito homem-mulher - por vezes mais teatral do que realmente intenso (caso do SWR), mostra o esclarecido existencialismo nórdico do Spleen. "Everybody praise the lord / because the end is just another start / and everybody wants to change."

Esse é dos discos mais aclamados na Dinamarca esse ano, país que, apesar da modéstia musical perto de pólos como Suécia e Islândia, tem seu poderio musical na Escandinávia - o disco saiu pela copenhagen Records, mesmo selo da divertida, porém nada unânime loirada do Alphabeat. A banda, que foca suas apresentações na sua terra natal, é pouco conhecida na imensidão internacional (nos EUA então, são completos estranhos), mas são atrações de peso no Roskilde 2008 e em shows por toda a Dinamarca. E para quem, como nós, é fascinado pela cultura escandinava, fica a dica do filme "O Grande Chefe" (2007), em que o dinamarquês Lars Von Trier mostra numa estranha configuração de câmeras várias vicissitudes e deliciosos clichês dos povos escandinavos (no caso, islandeses, dinamarqueses e 400 anos de picuinhas que remetem a guerras, dominações e afins).



VOZEIRÃO NAS PISTAS
Quem não se interessa por beats quando o assunto é electro-rock vai gostar da meticulosa dramaticidade da voz de Bjarke: um pulo no pop (rimas fáceis, sotaque fácil, tom galanteador sem ser adocicado) e outro na visceralidade do electro (o "fator Presets", bem presente na ótima "My Jungle Heart").

"Dominator", faixa instrumental, exime a necessidade de remixes. É perfeita para o submundo clubber com sua levada crescente e loop ao fundo, épica e suja, cabendo tanto numa pista de maximal ou numa festinha de roqueiros da Rua Augusta. E claro, no Grind, pela afetação obscura. "66", outra de levada crescente (quase progressiva) tem efeitos quase tranceiros, como uma interessante (e dançante) fusão da base com o vocal.

O êxito do Spleen United está na evolução da banda fora do campo fértil do rock - aqui é mais electro do que rock -, na personalidade latente no vozeirão em cada synth linear e obscuro, e na boa produção de Neanderthal, que mostra uma banda madura e capaz de soar revigorante num gênero tão passível de datação. Mas cuidado com o overplay, porque o caldo musical aqui é tão grosso que pode enjoar.
MP3
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Spleen United - My Tribe (mp3)

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Spleen United - Everybody Wants Revenge (mp3)

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Spleen United - Dominator (mp3)

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Spleen United - 66 (mp3)

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Spleen United - My Jungle Heart (mp3)


Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
3 comentários
Fabiano Spadari
Fabiano Spadari(08.07.08)
0AprovadoQueima
Ja virei fã da banda! Não é todo dia que aparece um CD como esse, ne? E o rraurl ta incrivel! parabens!
 Markan
Markan (08.07.08)
0AprovadoQueima
O Rraurl é 50% conteúdo e 50% comentários.

Por isso é tão legal.

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CAio C B
CAio C B(08.07.08)
0AprovadoQueima
Essa banda é muito bom eu nao conhecia, conheci depois de um comentario na resenha do presets, o som tem aquele cilma "escandinavo", banda top e sem filuras...my tribe e my jungle sao boas mas o restante do album é du caraio...