Quinteto de Seattle foge das sombras do rock sujo e se joga numa electro-disco animada
Se você não consegue engolir o nome engraçadinho da banda, você vai deixar de conhecer treze das mais dançantes faixas de electro-disco do ano. Saídos direito de Seattle, a cidade do grunge - felizmente, sem carregar nenhuma influência do sombrio e sujo movimento -, o quinteto se aproxima de artistas como Scissor Sisters, CSS (inspiração declarada) e Junior Senior em seu leve álbum de estréia,
Glistening Pleasure.
Começando com mais groove que todos os comparsas do electro-rock, "Me + Yr Daughter" reúne em pouco mais de quatro minutos todas as possibilidades exploradas durante os 46 minutos totais do CD. Vocais divididos entre a empolgação convidativa de Luke Smith e a ironia anasalada de Shaun Libman, que quando seu unem soam um tanto quanto os Klaxons nos momentos de coral futurístico. A guitarra funkeada, cercada por uma densa névoa britânica, pertence às pistas tanto quanto
cigarros pertencem aos clubes. Porém, se tem algo que os fazem soar como NPSH são os seus synths. Os gordos e pesados e fazendo papel de baixo, enquanto os oitentistas, mais agudos e climáticos, desfilam pelas casas do teclado em suas notas espaçadas prontas para ser desenhadas num "air synth" esquisitão.
Claire England, a senhora baixo eletrônico, também canta. Na maioria das vezes só para engrossar o coro, mas quando recebe a chance dá para notar a versatilidade da moça. Seu timbre passeia pelo electro gritadinho ("Sophisticated Side Ponytail"), pela doçura lisérgica ("Mouth Full Of Bones") e finaliza na suavidade pop ("Bedroom Costume").
KEEP STRICTLY ON THE DANCEFLOORE o Natalie Portman's ainda quer mais. Eles querem festa. Por isso, para ajudar Liam Downey Jr. a dar um ar menos sério ao álbum, todos os integrantes da banda são batedores de palmas natos. "Holding Hands In The Shower" é praticamente construída com a união de mãos (sintéticas) e um sintetizador
a lá trance-Jovem-Pan. Por sorte, ele perde essa identidade farofeira com ajuda da poderosa linha de vocal, que se transforma num rap brincalhão repleto de "yo"s e "you've got it"s.
"Beard Lust" e "Sophisticated Side Ponytail", ambas presentes no EP da banda, puxam o álbum para um lado mais lúdico com suas letras estúpidas. As bases, apesar de melhor produzidas, ainda estão simplistas demais se comparadas ao restante do disco. Não a ponto de as deixarem deslocadas das outras doze faixas, mas adicionando mais um elemento ao caldeirão de misturas, o electro-rock.

Porém nem tudo é música direta para as pistas. As temáticas sobre relacionamentos (sempre elas) diminuem o bpm, acrescentam frases de impacto e escurecendo o som dos sintetizadores. Com '
ninguém sabe o quanto eu preciso de seu amor' ('oh no one knows, how much I need your love'), "Mouth Full Of Bones" podia ser simplesmente mais uma balada cafona, mas ao contrário, ela eleva o nível da CD e ganha até uma irmã (mais feia e menos necessária, é verdade) com "L.A. Noir".
Excelente álbum de estréia. Daqueles que não almejam inventar a roda, mas que passam longe dos modelos mais comuns no mercado. Vale pelo jorro de energia, pelas melodias pegajosas e pela inteligente mistura do electro, disco, rock e bom humor. Afinal, nem todo álbum tem o intuito de iniciar uma revolução. Alguns só querem começar uma festa.