Uma noite com o Village People
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
  • Currently 1.00/5
Nota: 1.0 (1 voto)
login para votar!
ficha técnica
Nota: 3.5 / 5
Ano: 2008
Estilos: disco, pop
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Uma noite com o Village People
Em mais uma tour por todo o Brasil, uma visão clássica (e não menos festeira) da disco music, nas coreôs do famoso sexteto americano
19.05.08 12:20
Pagando R$ 25 e doando um quilo de alimento em Taubaté, ou desembolsando R$ 1000 pelo camarote na cidade de Olinda, milhares de pessoas assistiram aos shows do Village People no começo deste mês. O grupo norte-americano esteve em nada menos que oito cidades brasileiras e se apresentou em lugares tão diversos como o rodeio de Jaguariúna e o sofisticado Via Funchal, em São Paulo.

Não foi a primeira vez o Village People esteve no Brasil e, ao contrário do que pode sugerir o parco interesse da imprensa nos rapazes, não deve ser a última. Ao menos, isso é o que sugere o comparecimento do público no espetáculo que a reportagem especial do rraurl.com acompanhou.

O trânsito no entorno do Via Funchal, na rua Pequetita (Vila Olímpia), costuma indicar a lotação da casa. Na quinta-feira do show as calçadas não estavam atulhadas de ambulantes, nem a rua explodia de carros, mas os estacionamentos já penduravam as placas de "lotado" um após o outro. Assim, não demorou em confirmar que bastante gente havia comprado ingresso e que esse público disposto a pagar vinte reais por uma vaga com seguro já ocupava as mesas do espetáculo.

No bar da esquina, os mais atrasados entornavam os últimos goles de cerveja, enquanto um cabeleireiro do bairro reclamava. "Está muito caro cem reais. Deixei minhas clientes fazendo a hidratação porque elas desistiram de entrar e ficaram no salão mesmo".

Dentro da casa, a assessora de imprensa avisava a reportagem que o show iria começar em poucos minutos. Enquanto isso, o DJ André Pomba, sozinho num palco gigante e escuro, tocava sucessos num som bem abafado. Música dos anos 80 que as mesas diagramadas cartesianamente pareciam gostar. Em volta delas, um público na média dos 35 anos, dividido em número igual de homens e mulheres, conversando e comendo.

"O que mais tem saído hoje é tábua de frios. Tem muita pizza-aperitivo também, mas hoje é mais frios mesmo", explica o garçom Ubiratan. Alerta com os pedidos que não param, ele serve bastante álcool também. "Caipirinha", decreta ao responder qual a bebida mais pedida da noite. Além do drique de fruta, eram garrafas de vinho branco o que mais se via nas mesas. Algumas com grupo de até doze pessoas.

Finalmente, depois da drag Silvety Montila fazer um preâmbulo, intimando o público a ser mais animado que seus pares cariocas, o show começa. Não há banda nem cenário. Apenas uma grande tela que ocupa o fundo do palco, desenhada com a paisagem urbana de Nova Iorque. Os sete integrantes entram enfileirados e o policial-vocalista toma a frente. Com o som bem mais poderoso, límpido, as luzes começam a piscar e um quarto da platéia já dança de pé. O Policial canta a clássica "Macho Man" com toda força e fica claro que é pré-gravada a base de instrumentos e a batida que lhe acompanha. Outra música e pausa para as saudações. "Obrigado" e "São Paulo" são as únicas palavras em bom português, mas ele ri, é simpático e os outros integrantes o acompanham nos backing vocals cantando a plenos pulmões.

COREÔ!
Todos os cantores fazem a mesma coreografia e o clima entre o público e os artistas parece o de velhos conhecidos se vendo novamente. Não há grande ovação, mas à sua maneira, todo mundo fica à vontade, se divertindo. A única troca de roupas do grupo é, na verdade, de chapéus. Exceção ao Soldado, que num movimento atrás da coxia troca o uniforme militar verde e cáqui por um da marinha, todo branco.

A potência vocal do Policial cobre o palco de melodia e na metade do show ele confidencia ter criado no Brasil a coreografia de YMCA, lá nos anos 70, quando a banda ainda imatura já tocava por essas bandas "Brasil e Canadá foram os primeiros países em que fizemos sucesso", lembra, confessionando. Nessa altura, várias pessoas dançam em frente ao sexteto e fotografam freneticamente a evolução do grupo. Uma versão de "You Make Me Feel (Might Real)" (Sylvester) ecoa nos alto-falantes e o show corre sem apuros, como se todos esperassem exatamente aquilo.

Expectativas controladas, o Village People retorna para um bis que a platéia sequer pediu e cantam "YMCA", com o público de pé, fazendo a coreografia com os braços. "Go West", outro clássico mais relembrado pelos jovens na versão do Pet Shop Boys, infelizmente ficou de fora.

Poucos mais de uma hora e meia depois, as luzes de serviço se acendem e calmamente a platéia vai embora. Satisfeito, o público não ensaia pedir mais bebida e rápido esvazia o local, como se nem se lembrassem do clima de festa instaurado ali poucos minutos antes. Vão embora inclusive a mulher fantasiada em roupas vermelhas de couro e o rapaz alto, que dançava sozinho com fantasia de operário da construção civil.

Os dois, numa multidão com centenas, eram os únicos especialmente vestidos para a ocasião. Num show de um grupo famoso pela caracterização, não seria exagero encontrar mais gente fantasiada. Mas não aconteceu assim naquela noite. O Village People teve uma platéia cativa, mas que era mais ligada aos seus hits de sucesso que aos trejeitos gays do grupo. A própria escalação da "banda", quase onipresente em todo o Brasil, também aponta que o panorama gay está um pouco mais mainstream.

Essa aproximação se mostra bem forte nesta semana, quando a Parada Gay atulha mais de 3 milhões de pessoas em São Paulo. O número nos shows do Village People é bastante menor, mas compartilha o mesmo público de gente interessada em se divertir, fora da questão político-sexual.

Naquela noite, a previsão da drag Salete Campari, sentada numa mesa central com alguns amigos estava confirmada: "Até o fim do show, todo mundo levanta e vira uma festa". Para os próximos dias e anos, será bom se continuar assim.

Fotos: Lucas Lima (UOL)

Danilo Poveza
Danilo Poveza
comentários
1 comentários
Augustuzs Neto
Augustuzs Neto(19.05.08)
-1AprovadoQueima
Danilo, fala a verdade.
O lugar tava ou não tava cheirando a provolone à milanesa?
Rsrs