Palavrões e sugestões de assassinato estão reunidos no debut da dupla cearense
19.05.08 13:40
O Montage foi uma das primeiras bandas de electro-rock a fazer barulho na cena nacional. A dupla formada por Daniel Peixoto, performer e vocalista, e Leco Jucá, responsável pelas programações e bases instrumentais, ganhou capa de grandes jornais, repercussão internacional e até matéria no Guardian. Entre os principais motivos para o rebuliço em torno do duo de Fortaleza estão as performances extremas de Daniel, que aproveita sua androginia e montação naturais para desafiar os brios do público com palavrões e atitude depravada.
Clipe de "Hi Oprah!"
O álbum de estréia do Montage, I Trust My Dealer, acaba de ser lançado digitalmente pela Trama Virtual, e reúne alguns dos principais sucessos do projeto. Além da música que dá título ao trabalho, há também a mística "Raio de Fogo", "Benflogin" e "MSFG" (Money, Sucess, Fame, Glamour). A primeira impressão que salta ao ouvido enquanto se ouve o debut é a crueza das produções. Os timbres são bem semelhantes em quase todas as faixas, o que dá a sensação de um trabalho extremamente linear, ainda que pouco rico em paisagens sonoras.
A maior candidata a surpresa do álbum é "Floor Floor Floor", claramente influenciada pela explosão do funk carioca na cena indie via Bonde do Rolê. Apesar do famoso sample de bateria "tamborzão" ter sido trocado por uma base emprestada do Miami bass, até o chavão "tum tá tum tum tum tá" é reproduzido por Daniel. É baile funk com cara de Montage, sintético e com letra falando sobre rapaduras, raparigas e ordenando: "Shake shake your ass / Shake shake your ass".
MATE O PRESIDENTE Há espaço também para expressão de ideários políticos em I Trust my Dealer. "Presidente Americano" incita o assassinato de George W. Bush - talvez um pouco tarde demais, neste apagar das luzes republicanas em 2008. As letras são sempre simples, repetitivas e têm jeito de lavagem cerebral. Quem não se perturba ao ouvir "Você tem / você tem / ... / Que matar / que matar / ... / O presidente filho da puta americano" por longos minutos?
O Zeitgeist electroclash que aparece no trabalho do Montage também é inegável. Formada há três anos, a dupla bebeu litros influências de Miss Kittin e de Gigolôs, ainda que processadas através de uma brasilidade carregada de sotaque nordestino. A temática Party Monster "drogas / fama / sexualidade" percorre quase todo o álbum.
Pena que I Trust My Dealer tem como carros-chefe os hits mais antigos do duo, como o próprio nome do álbum sugere. Afora os exemplos citados acima, a maioria das novidades não impressiona, talvez por estar carregado de uma sonoridade que tem tudo para se tornar cada vez mais datada. Ainda que precisem ser dilapidadas com carinho, as incursões pelo Miami bass são alguns dos momentos mais refrescantes do disco.
Apesar do som do Montage não ser exatamente original e ainda soar como uma reunião de faixas demo, a proposta da dupla se mantém ousada. Desafiar o purismo gramatical com letras cantadas em um inglês cambaleante, assumir com orgulho o sotaque e a opção pela língua portuguesa em algumas canções (sem falar das performances de Daniel) torna a dupla única no cenário brasileiro. Exótico e extremo, o Montage pode não ter a sonoridade mais apurada de nossa safra eletrônica, mas é exemplo de como uma postura provocadora e anárquica pode ser um bom começo para uma carreira de sucesso.
O Leco é um puta produtor, o Daniel tem uma presença de palco como poucos... Certeza que ainda vamos ter muitas noticias boas mundo a fora em relação ao trabalho deles!
Valliun, vale um.
Francamente...
DA-TA-DO
mesclando o inglês com português, eu diria que é bem so so...