Como as coisas vão rápido: ainda era 2001 quando Santi White, única negra em uma escola na Philadelphia, estudante de percussão, decidiu deixar seu emprego de A&R da Epic Records para produzir
How I Do, disco de estréia da amiga e cantora Res, que já naqueles longinquos começo de anos 00 propunha uma saudável mistura de reggae, rock e hip hop. Salto para abril de 2008 e White, após ser vocalista da banda de ska-punk Stiffed, chama atenção ao agraciar o cover de "Pretty Green" do The Jam no álbum
Versions do super-produtor Mark Ronson (2007) e ter lançado dois singles ("Creator" em 2007 e "L.E.S. Artistes" em 2008), agora atende por Santogold. E mais: é "artist to watch" da Rolling Stone norte-americana, tem um
MySpace bombado onde colocou quase todas as faixas do seu recém-lançado álbum homônimo, tem datas para shows até o fim do ano em todo o hemisfério-norte e acabou de fazer uma das mais elogiadas apresentações do
Coachella. O álbum, que vazou para as redes em abril último, é fácil um dos lançamentos mais excitantes do bombado ano de 2008, e só perde quando comparado a explosiva apresentação da cantora ao vivo - um mix de pop com inspiração 80, dub, rock e ska, cantado a plenos pulmões e surpreendente voz.
Por quê? Bom, o mais fácil é pedir para você escutar o streaming das faixas aí embaixo. Mas eu vou ajudar. Quando "Creator" bombou na rede em meados do ano passado, as comparações com a singalesa-hype M.I.A. foram imediatas - colabora aqui a amizade das duas, timbre metálico de voz e a estética meio ragga/meio terceiro-mundista, aquela coisa de bandleader-negra-com-roupas-muito-coloridas. Fato é que as duas bebem em fontes similares e dividem produtores, mas enquanto M.I.A. tem a seu favor o fator guerrilheira e abre-alas de uma postura feminina politizada, Santi White canta. E como canta.
A VOZ COMANDAProcurando algo de ruim para pontuar no disco, tenho que ser franca. A voz da bandleader é o grande destaque, (ouça "I'm a Lady", a balada do disco, que poderia estar em um disco da Deborah Harry) mas não fica atrás a produção musical (Diplo, o falecido Disco D, Chuck Tree dos Bad Brains e XXXchange do Spank Rock) e o ecletismo proposital mostrado em faixas díspares como "Lights Out" (melódica e quase shoegazer, com a voz leve por cima de guitarrinhas e bateria inofensiva) e "My Superman" (velhos fãs do dark rock dos 80 vão lembrar de Siouxsie Sioux, das grandes vocalistas do rock, diga-se). Esses são momentos que pegam quem se propõe a escutar o disco com vontade - algo que eu tenho feito sem parar nas últimas duas semanas - mas para tirar pés do chão e ganhar bons remixes para pista, Santogold traz "You Find a Way" (no álbum em excelente remix de Switch & Sinden), "L.E.S. Artistes", hit certo e "Say Aha", ska-rock que não faria feio em uma discoteca de rock brasileiro nos anos 80.
Ecletismo sem soar perdido é raro, e é aqui que o disco
"Santogold" triunfa. Sem falar que em nenhum momento Santi e seu time parecem estar
tentando demais. As influências 80s, as faixas para pistas, a voz negra e forte, a pegada ragga e dub, até mesmo os momentos quase fanstasmagóricos ("Anne", lá no final, fantástica), tudo parece fluir com a mesma naturalidade com que Santi, em sua singela regata branca e cabelo assimétrico, vomita petitas de ouro na capa do disco.
Santogold está aqui para ficar, espero. E espero também engrossar o coro que ganha força no twitter e afins: alô festivais de marca de telefone celular, parem de olhar para sucessos de dois anos atrás e tragam essa mulher pra tocar aqui ainda em 2008!
"L.E.S. Artistes" vídeo oficial"You'll Find a Way" ao vivo no Coachella 2008"Creator", ao vivo no Coachella 2008
lembra um pouco o black eye peas q eu a.d.o.r.o!!!
[ www.djnato.myblog.com.br ]
http://br.youtube.com/watch?v=RwmngHgYUdk
Bem diferente das outras faixas.