A palavra "exaustão" está na boca dos opositores do minimal techno, que são muitos. Se o gênero já foi sinônimo de novidade, hoje sofre de um mal que ataca suas raízes de forma aguda - a escassez de novos
bons artistas. A freqüência com que surgem nomes de talento como Pantha du Prince e Efedemin parece não dar conta de revigorar o gênero, que aos poucos se dilui pelos (saudáveis) caminhos do pop, trilhados por produtores como Supermayer e Gui Boratto.
Mas também há aqueles que não arredam o pé. E não o fazem por teimosia, mas por terem encontrado uma assinatura muito particular e indissociável de seu próprio nome. Villalobos se achou no campo das sonoridades étnicas; Dominik Eulberg fez o mesmo pela via do IDMinimal e False através do techno abstrato. Entre essas assinaturas particulares, o norte-americano Bruno Pronsato se destaca pelo viés orgânico e glitch que confere aos seus loops e arranjos mínimos.

Antigo baterista de uma banda de metal no
berço do grunge, o nome latino é apenas um pseudônimo do produtor Steven Ford.
Why Can't We Be Like Us, seu segundo álbum, saiu na virada do ano pela Hello? Repeat e sucede
Silver Cities, elogiado LP de estréia de Bruno que chegou ao mercado em 2004.
Why Can't We… reúne nove faixas (a maioria chega próxima aos dez minutos) de batidas quebradas em compasso 4/4. Como qualquer composição de minimal techno faria, elas ganham força pela percussão variada e dançante, que compensa a falta de frases instrumentais melodiosas. A diferença aqui está na inconstância dos arranjos, que podem se derreter em dissonâncias inesperadas ou dar lugar a samples de elementos orgânicos saídos do nada.
O carro chefe do álbum é "What They Wish", que começa com um loop vacilante de bateria e desemboca num batuque tribal que deixaria a Timbalada disposta a dançar. Apesar da faixa não desenvolver muito além do que já pode ser ouvir em seus primeiros minutos, ela se perdura por mais de nove minutos, incluindo dedilhados deslocados de piano e vocais femininos recortados.
TIMBRAGEM EXÓTICAPronsato não abusa apenas de timbres alienígenas e de defeitos especiais para compor o diferencial de suas músicas. Se uma primeira ouvida dá a impressão de que as faixas não passam do velho esquema de gotas sonoras sobrepostas, uma análise cartesiana prova que há muito mais por baixo desse oceano de texturas.
É legal ouvir, por exemplo, as variações sutis na velocidade de "Same Faces, Different Names", que dão a impressão de que a música está engasgando. Ou então as batidas sujas que disputam espaço com as sinetas assépticas de "At Home I'm a Tourist". Nesses aspectos,
Why Can't We Be Like Us soa como se tivesse sido produzido dentro de uma garagem, por um Isolée vestindo camisa de flanela e calça jeans surrada.
O trabalho de Bruno Pronsato pode não ser novidade para quem já o conhecia desde
Silver Cities, mas a forma inventiva com que ele compõe o mantém entre os derradeiros mártires do minimal. E adicione ao currículo de Bruno um último adendo - tudo isso sem ter a carteira carimbada pelo governo chileno ou chamar chucrute de
sauerkraut.
Especial...
não é a toa que djs como Magda por exemplo recheiem seus sets com musicas do cara.
o cara é bão!!!!