O bom retorno de Erykah Badu
Part One (4th World War)
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ficha técnica
Nota: 3.9 / 5
Ano: 2008
Selo: Universal Motown
Estilos: hip hop
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O bom retorno de Erykah Badu
Diva da black music moderna, Erykah volta com trilogia em 2008, após longo hiato criativo
08.04.08 18:25
Enquanto grande parte do pop recorre aos produtores de sempre, e novas garotas de bom gogó gritam alto para saber de quem é a maior voz, uma rainha da soul moderna volta com tudo: Erykah Badu.

A americana de exóticos traços e fashionismo intenso lançou em fevereiro seu quarto disco, New Amerykah Part One (4th World War), primeiro de uma trilogia em CD a ser fechada esse ano com o Part Two (Return of the Ankh) (julho) e o Lowdown Loretta Brown (fim do ano). É um retorno que, segundo a própria cantora, representa o ponto alto de sua carreira. Um alívio após o longo hiato criativo de toda essa década, culpa das atenções dispensadas a seus dois filhos pequenos e a um writer's block surgido depois do sucesso de Baduizm (1997), três milhões de cópias vendidas, grammies e lugar no altar de "nova-Billie Holiday".

New Amerykah (Part One) vem com single de bom potencial, "Honey", groove de levada oldskool e letra romântica que é tudo que a megalômana Mariah Carey gostaria de ser. Tanto é que até soa como Mariah. O vídeo é criativo e traz a não menos ególatra Erykah reinventando capas de famosos discos com seu belo rosto.


Erykah Badu - Honey

NADA POP
"Honey" é uma exceção no disco, já que estamos falando de uma "new amerykah. A neo-soul que ela ajudou a criar há dez anos (junto com D'Angelo, Jill Scott e Angie Stone) vem polida num constante swing oldskool, bem anos 70, e de levada lo fi, minimalista mesmo. É o caso de "The Healer", com vocal de letargia egípcia, cheio de sinetas e backings abafados.

Erykah é um mito do mulherio musical, sua personalidade e imagem vêm antes que a própria música, e seu som, apesar da sutileza a la Nina Simone, se identifica mais com o hip hop do que com a soul lo fi, fato aprofundado em New Amerykah. ("The Healer": It's bigger than religion / hip-hop / it's bigger than my nigga / hip-hop / it's bigger than the government).

A sonoridade black abstrata, bem eletrônica, foi moldada com a produção de Madlib e 9th Wonder, verdadeiros pesquisadores das minúcias do hip hop antigo, e que entraram em contato com Erykah após ela descobrir os computadores há poucos anos. "Todo mundo me mandando músicas, dizendo ‘Erykah, venha, queremos você de volta, você precisa tocar assim, ser assim. (..) Eu pude cuidar da vida ao mesmo tempo que ficava com os fones, online, com os garotos produzindo, eu cozinhando, e depois cantando em cima de uma idéia que tínhamos juntos", lembra a cantora em entrevista ao New York Times.

"My People" tem refrão homônimo único, ninando uma base gangsta que nem de longe lembra a falsa periculosidade dos rappers atuais, com seus casacos de pele e dentes de ouro. Como já dito, a essência de Erykah é em parte seu próprio mito, e por mais que o álbum se proponha político e universal, o mote dela é falar de si mesma. Algo a ser relevado e até apreciado, já que a cantora o faz com um sutil bom lirismo. "Sometimes I dont know what to say / so many leaders to obey / but I was born on saviors day, yes so I chose me", diz a letra de "Me", entre base de baltidas em palminhas e um sax morno.

BADUÍSMO 2008
O CD de 12 faixas soa imenso pelo detalhamento especial de cada faixa e as nuances do vocal de Erykah, que podem ir de estranhos gemidos rasgados ("Twinkle") à finesse do melhor jazz feminino ("The Cell").

Desde que se estabeleceu com o jazz, a música negra tem um ponto forte na pretensão de seu sucesso. Algo que encontra cansaço no hip pop atual, mas que no caso de Erykah é um exemplo atual da força pessoal que um artista pode exprimir, da imagética à música. E o leque que essa nova fase de Erykah representa, indo do pop oldskool ao break grooveado passando pelo hip hop enxuto, é um statement que coloca Ms. Badu no rol de diva eterna, fardo pesado que ela sabe sustentar e manterá mesmo que o disco não venda milhões e milhões. O que provavelmente não irá acontecer.
MP3
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Erykah Badu - The Healer (mp3)

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Erykah Badu - Me (mp3)

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Erykah Badu - My People (mp3)

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Erykah Badu - Soldier (mp3)

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Erykah Badu - Twinkle (mp3)

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Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
14 comentários
kaks
kaks(13.04.08)
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mesmo já sabendo, é bom confirmar que nessa aí dá pra confiar
Bruna Guedes
Bruna Guedes(10.04.08)
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Ela arrasa! Não sou tão fã deste, amo o anterior, mas acho que é tb hábito, pois cada vez que vc ouve um disco dela vc vai aumentando a afinidade... vou ouvir mais vezes o novo!

Cybass
Cybass(09.04.08)
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Jade, não foi uma crítica ditera a vc, mas sim até mesmo com a proria erykah por não gostar de um album que eu gosto muito, mesmo sabendo que sou um dos poucos :)
Patrícia Dietrich
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Worldwide Underground é um album bem complicadinho...não soa tao gostoso qto os anteriores e ate mesmo este new amerykah.

ela arrasa...tbem sou supeita...fazia um tempão q nao escutava badu....e agora nao paro..novo e os antigos.

realmente chic!
gabi
gabi(09.04.08)
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..e vamos aguardar a segunda parte em julho!!