Vamos falar de pop. De
poperô, expressão essa surgida depois do abrasileiramento de "Pump Up The Jam", do Technotronic, e que serviu basicamente para designar toda a música dance, de festinha e de rádio FM dos anos 90. No underground, era só
dance mesmo, ou
baba, para os mais intolerantes.
Mesmo porque o Technotronic foi sempre louvado no tal underground, e se vamos falar de pop (e de poperô), nada melhor que falarmos do Ace of Base. Esse quarteto sueco, formado por Ulf Ekberg, Jonas Berggren (aka Joker) e suas irmãs Jenny e Linn nos vocais são autores de hits indefectíveis como "All That She Wants" e "Happy Nation", que ajudaram a fomentar toda uma onda de pop dançante com influências de dub e reggae. Nada tão experimental assim, a Jamaica entra nessa história pela levada animada e dançante. Bons exemplos da época: Inner Circle, Shabba Ranks e Maxi Priest. O AoB era só o lado mais plastificado e escandinavo disso tudo.
As músicas citadas acima foram gravadas por volta de 1992, tendo já estourado na Dinamarca e Suécia essa época, e adentrando Reino Unido, Estados Unidos e qualquer outro país do mundo em que uma FM estivesse no ar em 1993.
Happy Nation (Europa),
Happy Nation U.S. Version (Europa) e
The Sign (EUA - ahn? - foram os nomes das diferentes, vastas (e confusas) edições do
debut dos suecos.
Live @ Israel (1993)

Era uma época, como
Douglas Carr, produtor da banda, bem frisou, as pessoas compravam discos, então o mercado permitia essa promiscuidade de
releases. Aqui no Brasil a versão U.S. foi das mais vendidas, tendo inclusive chegado ao disco de ouro. No resto do mundo, mais superlativos: single mais vendido do ano nos EUA, 14 primeiros lugares e 23 milhões de discos vendidos no total. Fora as polêmicas: a fã alemã que invadiu a casa da família Berggren com uma faca, as ligações excusas de Ulf Ekberg com a racista extrema-direita da Suécia, e por aí vai...
SÓ NÚMEROS NÃO BASTAMOK, números são a moeda-forte do superficialismo musical do pop, mas não é difícil entender o alcance do Ace of Base. A música eletrônica já não era uma novidade, e o formato FM era uma opção para quem não gostava de pista enfumaçada e rave no mato. Outro fator foi o acesso a batidas eletrônicas reais para jovenzinhos que não saíam e só tinham a rádio como informação musical (meu caso e de muitos de vocês, presumo). Digo de fato porque a construção eletrônica da banda é calcada num acid house simplificado com perfuminho de música raver (nem me arrisco a chutar "hardcore techno"). Convenhamos que isso já não era antigo para o promissor ano de 1992. Algumas faixas de
Happy Nation/The Sign são mais cruas nesse sentido, como "Fashion Party" e "Dancer In a Daydream" (ouça abaixo).
Flash Content
Ace of Base - Fashion Party (mp3)
Ace of Base - Fashion PartyFlash Content
Ace of Base - Dancer in a Daydream (mp3)
Ace of Base - Dancer In a DaydreamDe resto, é uma formula dance que deu certo: 100 BPMs ou pouco acima; baixo de dub melodioso de paradas tão longas que quase soa eventual; bons versos, letras fáceis, sotaque quase nulo e bom trabalho de backing vocal; efeitos como spots, flautinhas, assobios, sussurros; baterias bobas de cadência artificial e até canto gregoriano ("Happy Nation", um clássico!),
algo que estava em alta na época.
Ah, que delícia, tour no Rio!

Claro que dance provém da eletrônica e de todas suas origens subseqüentes, mas o resultado aqui é pop impecável - o juízo de valor da produção fica por conta da subjetividade de cada um. É um tipo de música feita para singles, óbvio que as mais "acid" que estão no player ali em cima não foram lançadas sozinhas e nunca venderiam como "The Sign" o fez. Então o resultado no álbum é uma sensação de que tudo soa meio extensivamente repetitivo, todas as músicas parecem ter a mesma intro, a mesma pegada de fliperama de dança japonês. Essa impressão fica ao ouvir na seqüência "Living in Danger", "Don't Turn Around" e "Wheel of Fortune", os singles que rasparam o tacho do álbum.
DÉCADENCE SANS ÉLÉGANCEMas como toda fórmula chega a um resultado preciso e imutável (com o adendo que na música uma hora o ouvido cansa), o Ace of Base mastigou até cansar o êxito de
Happy Nation/The Sign, se aventurou num mediano segundo álbum (
The Bridge - 1995), e lá pelo terceiro (
Cruel Summer - 1998) eles já estavam
cantando no Planeta Xuxa para divulgar o trabalho. Só faltaram as tenebrosas versões em espanhol, como bem fizeram seus conterrâneos do Roxette e do ABBA, outros cases de sucesso do pop. Assim como o underground, o pop é incansável dentro de suas limitações.
Tanto sucesso rendeu hiatos que a grana de milhões de discos podiam bancar, e o Ace of Base existe até hoje, sem uma das vocalistas, e prepara um novo disco. Shows pela Europa acontecem até hoje.
O pop eletrônico, mais que o pop rock, soa mais simples pela sua concepção em batidas, que não dá tanta bola para versos - eis de onde surge a infame denominação
bate-estaca -, mas sempre e sempre será uma fácil porta de entrada a um mundo dançante em que os mais dedicados, no futuro, poderão se gabar de ouvir techno, minimal ou space disco. São esses os maiores apreciadores do underground, os que cansaram do próprio mainstream.
na verdade era Fashion Party..
hahahaha
boas lembrancas!!!
eu adoraaaava Dancer In a Daydream!!!
aspirando o eletronico... cds difiiiiirceis de achar na epoca!! :)