Público eleva espírito do Interpol
Paul Banks se escondendo nas sombras
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ficha técnica
Nota: 4.2 / 5
Estilos: pós-punk, rock, indie
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Interpol @ Via Funchal (11.03)
12.03.08 15:35
Interpol @ Via Funchal (11.03)
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Público eleva espírito do Interpol
Banda nova iorquina se apresentou no Via Funchal ontem (11.03) na capital paulista
12.03.08 20:45
Recebidos pela platéia como grandes astros, pontualmente às 22h10, o quarteto - acompanhados por um tecladista de apoio - entra em ordem, quase um fila indiana, aos berros e gritos histéricos. Com música clássica de background eles apanham seus instrumentos e esboçam um cumprimento intimista. Hora de apagar as luzes brilhantes e deslanchar "Pioneer to the Falls", aqui celebrada como vitória em Copa do Mundo.

Já na segunda música, "Obstacle 1", cantada em coro pela massa, a onda de calor tomava conta da casa de shows que criou um constante êxodo das pessoas próximas ao palco para lugares mais distantes, levemente atingidos por um preguiçoso ar-condicionado. Porém, ao me tornar uma dessas pessoas, percebi que não era apenas o ar que não conseguia atingir a todos, o som perdia a clareza e se tornava tão abafado quanto o clima.

Kessler, o mais empolgado
Kessler, o mais empolgado
No palco, cada uma possui sua postura independente. Paul Banks, vocalista/guitarrista, aparenta estar em posição vulnerável e desconfortante encarando o microfone. No entanto, sua voz grave passa uma acolhedora segurança ao desfilar em letras estranhamente românticas. Daniel Kessler, guitarrista, se mostra o mais animado, posando de rockstar e dançando engraçado do lado direito do palco. Carlos D., baixista, é a encarnação do blasé. Metido a cool, ele fazia caras e bocas olhando para o nada. Já Sam Fogarino, baterista, era o único sem o modo Interpol de se vestir (ternos, camisas e casacos). De camiseta ele maltratava bumbos e pratos ao investir no peso da batida.

HITS, HITS E MAIS HITS!
Os hits se tornavam gigantescos com ajuda de uma eufórica e embasbacada platéia, que por vezes, superavam o vocal de Paul Banks, sempre a pedir aos técnicos para aumentar o volume do seu microfone. "Slow Hands", " Evil" e "The Heinrich Maneuver" devem ter elevado mais graus a um já ardente termômetro. Porém, faixas como "Rest My Chemistry" e "The Lighthouse", assustaram não-fãs da banda e aumentaram filas de banheiros e bares, por sua extrema lentidão.

Após 15 músicas, as luzes se apagam e a banda se retira do palco. Após palmas, gritos e os cinco minutos clássicos de intervalo, o grupo retorna somente com músicas do álbum Turn On the Bight Lights, uma das melhores estréias da década. "NYC" foi emocionante ao extremo, a euforia era grande demais para tal música tão intimista. Foi dispensável a sacada de acender todas as luzes na parte de em que ele dizia para acendê-las na música - "Turn On The Bright Lights!". A surpresa da noite ficou pela adição de "Stella Was A Diver And She Was Always Down"; uma das preferidas de muita gente e inconstante nos tracklists da banda. A épica história de Stella, repleta de duplos sentidos e momentos de maltratar coração, se transformou numa longajam session não muito virtuosa, mas que re-animou a casa quando a bateria começou a seguir a linha de "PDA", que encerrou a noite de forma correta.

O show mostrou que apesar de funcionar como uma máquina de elementos (e personalidades) desconexos, o Interpol possui sincronia suficiente para soar quase perfeitos (em comparação com as músicas em estúdio). Um pouco mais de espírito de gangue não faria mal aos americanos, mas não dá para esperar calor deles no momento em que cantam sobre amores perdidos e sonhos desfeitos. Aliás, o Via Funchal já nos ofereceu calor demais, nem sei por que estou reclamando.

Lista de faixas
01. Pioneer to the Falls
02. Obstacle 1
03. NARC
04. C'Mere
05. The Scale
06. Say Hello To The Angels
07. Mammoth
08. No I In Threesome
09. Hands Away
10. Slow Hands
11. Rest My Chemistry
12. The Lighthouse
13. Evil
14. The Heinrich Maneuver
15. Not Even Jail
Bis:
16. NYC
17. Stella Was A Diver And She Was Always Down
18. PDA

Raphael Caffarena
Raphael Caffarena
www.imyouare.com
comentários
4 comentários
Cauê
Cauê(14.03.08)
0AprovadoQueima
Apesar de ter ficado distante do palco pude ver e ouvir perfeitamente o show, a música deles ao vivo não muda "nada" comparado ao do CD, os caras são foda.

Raphael, escreve muito bem, joinha pra você.
Clarys
Clarys(13.03.08)
1AprovadoQueima
show maravilhoso. fora q no via funchal sempre dá pra ficar pertinho do palco sem perrengues.
pinalt
pinalt(13.03.08)
1AprovadoQueima
Joy Division e afins... Sim, querendo ou não são influências no Interpol. Sons ótimos, porém são passado, estamos no fim dos 00's, e o Interpol soube muito bem como reviver os gloriosos para a música, anos 80, com toques de séc. XXI. Enfim, o show foi para mim PERFEITO!

Para quem quiser ver, minha opinião completa sobre a apresentação... http://pinalt.blogspot.com
Rodrigo
Rodrigo (13.03.08)
-4AprovadoQueima
Estou esperando pela imitação do New Order. Se bem que vestidos daquele jeito dificilmente alguém da banda se sinta torturado, com vontade de dar cabo à própria vida. Vão lançar o mais do mesmo nos próximos 15 discos em vinte anos de carreira.