Kitsuné Maison Compilation 5
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
  • Currently 4.00/5
Nota: 4.0 (2 votos)
login para votar!
ficha técnica
Nota: 3.4 / 5
Ano: 2008
Selo: Kitsuné Music
Estilos: electro, pop, rock, new rave, maximal
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Kitsuné Maison Compilation 5
5ª compilação do selo francês se divide entre emos e conhecidos produtores da eletrônica
12.02.08 13:25
Começa o ano e, deixada a poeira de 2007 pra trás, é hora de vida nova. Vem a calhar então o lançamento no começo de fevereiro da quinta compilação do selo/loja francês Kitsuné Music, já consagrado celeiro de esquisitices e boas novas da tríade - ou híbrido - da eletrônica, do rock e do pop.

Numa sinopse prévia, Kitsuné Maison Compilation 5 vale alguma nota pelas poucas faixas excelentes criadas por gente experiente (Fischerspooner, Alan Braxe, Digitalism) e outras (mais poucas ainda) novidades curiosas (David E. Sugar, AutoKratz).

Não tem a aura de novidade dos tempos de big-bang new rave da Kitsuné Maison 3 (2006, com Klaxons, SMD, Boys Noize, Gossip); nem tem a baciada de deliciosas novidades da quarta edição da coletânea, lançada ano passado e que trouxe ao mundo gente como Crystal Castles, The Whip, Foals, Dragonette, Hadouken e outros.

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM
Fischerspooner, 2008
Fischerspooner, 2008
Mais do que às raves dos anos 90, todo esse neo-electro deve muito ao electroclash, que permitiu experimentações e exageros pop em tempos que a linearidade, o BPM e o loop eram dogmas na eletrônica. Lembra do Fischerspooner? Hits bobinhos e hedonistas, afetação e performance? Legal, mas tudo fadado à datação e a um marasmo próximo.

Eis que eles voltam com glórias nessa Kitsuné 5. "The Best Revenge" é pop classudo, não tem cancro oitentista synth-pop e mostra um Casey Spooner em forma: do bom jogo entre vocais/backing-vocals e nos blips duelando com trompetes, é um ressurgimento bom de se ver do grupo nova-iorquino.

O produtor Alan Braxe está desde os tempos de primórdios Daft Punk na ativa, numa carreira discreta e prolífica, que tem hits pontuais ("Rubicon") e remix históricos com seu parceiro Fred Falke (Goldfrapp, Kelis). Para a Kitsuné, Monsieur Braxe brinca de Timbaland tranceiro com a rasgada "Addicted". Um tranceu bem europeu, alma hip hop cheia de gritos abafados e esparsos, numa levada black music eletrocutada que é só cantar qualquer letra do Justin por cima que encaixa.

E da vizinha Alemanha vem o Digitalism, que não passa despercebido na coletânea com a o techno-rock epopéico de "Pogo", remixado por eles mesmo na uplifting versão "Digitalism's Robotic Remix".

REMIXES POR QUILO
Coletâneas às vezes pecam pela incoerência, com seus momentos discrepantes que assustam e não permitem que o álbum seja "redondo". A Kitsuné 5 sofre um pouco desse mal, culpa de alguns remixes. Veja por exemplo a descabida versão hardcore de "XR2" (M.I.A.) e a questionável versão guitar-trance para "Homecoming", fofura indie dos Teenagers. Parece faixa mal-encomendada, acabou ficando um AbSuRdiNhO feita por gente desconhecida (Silverlink vs Kick Like a Mule; Gentleman Drivers), só para constar outros famosos na coletânea.

Desnecessário, assim como o remix lesbo-Nintendo-punk do Cansei de Ser Sexy para "Fuck Friend", dos franco-ingleses do Bitchee Bitchee Ya Ya Ya. Nesse caso, prefira a original, rockzão feminino cru, rápido e rasteiro.

Em breve, numa pista próxima de você
Em breve, numa pista próxima de você
FALANDO EM ROCK, O FATOR EMO
ft_emo_200.jpgAs guitarras passam meio batidas nessa coletânea comparada aos bons produtores, que acertaram a mão na fusão de diferentes estéticas eletrônicas (o electro-pop sabor caramelo de "To Yourself" de David E. Sugar; e "Circulate", que tem neo-trance chupinhado de "Go", do Moby, nas peripécias do sempre criativo francês Rex the Dog).

E deve-se atentar a um sinal dos tempos:os emos. Já se passam alguns poucos anos, tempo suficiente desde que jovens de olhos pintados e sexualidade duvidosa dançavam em 2006 ao som de "I Write Sins Not Tragedies", do Panic at The Disco. Alguns eminhos já fizeram 18, 19 anos, e agora dançam ao som das batidas - alguns já devem até ter tomado uma balinha. Então o electro-rock é uma saída viável para quem foi emo e agora se enxerga mais como roqueiro alternativóide, que "curte umas baladas". Sério, é um público a se atender num futuro bem próximo.

Pin Me Down
Pin Me Down
"Cryptic" é o exemplo máximo. Rockão da dupla Pin Me Down, formada - veja só! - pelo guitarrista Russel Lissack (Bloc Party) e a vocalista Milena Mepris, tem bass de New Order, gogó pop estriônico de Gwen Stephani e guitarrinhas acelaradas, raivosas..., emo!

No mais, a quinta compilação da Kitsuné vale pelos momentos de diversão e os poucos momentos de espanto musical. Do lado das guitarras, algo mais maduro e além da gritaria adolescente poderia ter sido elaborado (No Kitsuné 4 eles tiveram a decência de convocar o Whitey).

Talvez isso seja uma prova de que, nesse mundo new rave, o melhor mesmo sejam as fusões eletrônicas trabalhando a serviço do pop rock, e não guitarras de 20 e poucos anos querendo dominar por completo o lugar das batidas na pista. É um acordo justo, e se até o Fischerspooner conseguiu provar isso, acho que estamos combinados, meus caros emos.
MP3
Flash Content
Fischerspooner - The Best Revenge (mp3)

Flash Content
Alan Braxe - Addicted (mp3)

Flash Content
David E. Sugar - To Yourself (mp3)

Flash Content
Pin Me Down - Cryptic (mp3)

Flash Content
Kitsune - 09Pogo (Digitalism's Robotic Remix)-Digitalism (mp3)


Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
11 comentários
Raphael Caffarena
O problema dessa compilação é que ela é bem irregular. Valeu pelo David E. Sugar, que fez a música mais legal que eu ouvi esse ano. Em compensação aquele remix da M.I.A.... corram e se tranquem!
Ricardo
Ricardo(14.02.08)
1AprovadoQueima
Também achei essa resenha estranha até demais ...
Acho que o autor tá precisando ouvir mais música, e prestar mais atenção nas coisas que diferenciam um estilo do outro.
Mas também continuo a gostar do site mesmo assim.
Thiago Augusto
Thiago Augusto(14.02.08)
1AprovadoQueima
gosto muito da compil e ponto.
infatuation
infatuation(14.02.08)
1AprovadoQueima
desculpe mas o gosto duvidoso ficou a cargo da resenha. mas gosto do site.
Rogério Brandão
0AprovadoQueima
Nem tenho muita paciência pra ouvir as compliações da Kitsuné apesar de gostar bastante de alguns artistas lançados pela gravadora.

Esse lance do fator emo é coisa séria! Na festa que freqüento tem acontecido de cara que tinha cabelo preto c/ franja mudar o visual descolorindo o cabelo e usando modelitos indie.

E esse Pin Me Down é orrével mesmo. Que coisa mais genérica e oca.