Radiohead - In Rainbows (Disco 2)
Sai a fórmula pop e entra a melancolia experimental do grupo inglês
16.01.08 16:30
Já cansou de ouvir falar em Radiohead nesses últimos tempos, né? Mas respire fundo e mantenha a calma, pois mesmo enquanto o primeiro disco do pacote In Rainbows, último álbum do grupo, abarrota o noticiário e chega ao topo das listas de vendas, ainda é possível apreciar a música da banda sem ter que saltar sobre o turbilhão que a envolveu nos últimos tempos. Isso porque, passando despercebida pelas manchetes das máquinas noticiosas está uma pequena e singela seleta de oito faixas do grupo que, apesar de não terem aparecido em webcasts ou arapucas do gênero, valem a apreciação solitária e silenciosa - é o disco dois de In Rainbows.
O álbum é parte do pacote especial que foi vendido por 40 libras via Internet. Claramente destinado aos fãs mais aguerridos, veio com a missão de satisfazer aos gostos permissivos a experimentações de forma e é, esteticamente, menos acessível que o primeiro disco. Mas ao contrário do que os ingleses já haviam feito em Kid A e Amnesiac, a viagem aqui segue por um lado bem mais orgânico. Os sintetizadores, quando aparecem, servem apenas para inflar atmosferas e preencher os interlúdios.
ESPAÇO PARA ABSTRAÇÃO
Talvez por ter sido composto sem comprometimento com as prateleiras de lojas, Yorke e sua trupe abusaram da licença poética e despojaram o disco do forte apelo pop que marcou o seu siamês. As guitarras envolventes de "15 Steps" deram lugar a músicas sem letra ou forma definida ("MK1" e "MK2"), enquanto os versos viciantes de "Jigsaw Falling Into Place" sucumbiram a infindáveis dedilhados de piano. As músicas são, em sua maioria, mais melancólicas e climáticas, e a banda parece mais confortável para assumir riscos e elaborar metáforas conceituais ("4 Minute Warning", por exemplo, dura quatro minutos).
"Last Flowers To The Hospital" é fruto nu de piano, violão, voz e silêncio - há muito espaço para divagações pessoais enquanto Yorke salta de um verso para outro. Em "Up On A Ladder", destaque do álbum, uma batida seca em compasso 4x4 martela abafada sob a guitarra de Greenwood. Subitamente, a música é invadida por um chiado alto, crepitante, que quase compromete a clareza do resto do arranjo - é o lado mais abstrato do Radiohead brotando de onde não se espera.
O disco dois de In Rainbows é curto, composto por material extra que não coube em seu primo pop. "4 Minute..." começa com uma textura alienígena, carregada de distorção, e desemboca em uma balada de boteco. A gravação dos instrumentos parece distante, abafada, como se tivesse sido feita após uma tarde regada a doses de cerveja quente em um recanto esquecido do mundo. Já "Go Slowly" não poderia ser mais lenta, guiada por uma marcha (fúnebre?) de teclas em câmera-lenta.
Se você tem esse disco em mãos, não espere um trabalho mais legal que o primeiro. Com exceção de "Bangers & Mash", que toma um ritmo linear e claro, não há nenhum hit fácil. A conclusão, que aparece rápido, é que o Radiohead não preparou um álbum para rivalizar e disputar as atenções do mainstream com In Rainbows. O disco-estratagema dos ingleses está seguro em sua posição privilegiada de ícone pop e não será esse gêmeo de gênero insólito que vai canibalizar o posto de seu irmão.
Ca entre nós, seja o Radiohead ou Thom Yorke, esta é uma das fusoes mais interessantes que existem entre o rock mais que o alternativo e a musica com fortes tendencias eletronicas minimalistas !!!!
O show destes caras é um dos que eu mais espero assistir em minha vida, pois é imperdivel esta live performance !!!
http://music.guardian.co.uk/news/story/0,,2241598,00.html