Primeiro álbum do promissor selo alemão Mobilee Records viaja bem nas possibilidades da música click
O mundo pode escolher estar minimalista ou
maximalista. Certamente depende do freguês e da ocasião. Ou do estimulante que se tem em mãos. Se for o instigante álbum
Pan-o-rama, da dupla alemã Pan-Pot, a direção a se tomar é o minimalismo de um excelente 4x4. As faixas entram em um universo do qual fazem parte sonoridades de Green Velvet e Richie Hawtin, por exemplo, seja pelos vocais profundos ou pelas camadas sonoras.
A construção das dez faixas de
Pan-o-Rama é cheia de climas, mas sem afetação; beira o lounge chic, mas mantém a marcação forte. "A idéia desse primeiro álbum é apontar diferentes possibilidades musicais do Pan-Pot, da house ao techno, pegando só nossos elementos favoritos. No final é um minimal techno mesmo, mas é diferente", explicaram Tassilo Ippenberger e Thomas Benedix no estúdio do selo Mobilee, que lançou o disco no final de 2007.
Quando os encontrei em Berlim, Tassilo e Thomas estavam finalizando nesse estúdio um remix para Anja Scheneider, a dona do Mobilee. Aliás, o selo foi apontado como o
segundo melhor selo de 2007 pelo site Resident Advisor, e esse álbum é uma das razões da boa colocação - a faixa "Charly" está entre as
30 melhores do ano passado no mesmo site. Eles confessam imensa alegria por terem conhecido Anja e estar hoje no selo depois de cinco anos se apresentando pelo underground de Berlim. "A gente se conheceu na escola de engenharia de som aqui em Berlim, nessa época fazíamos muitas festas e ela foi nossa convidada em uma delas. Foi só mostrar algumas faixas e ela nos convidou para gravar", lembra Tassilo.
O NOME
Pan Pot é o controle do panorama estéreo, que posiciona o sinal de um canal de entrada nos canais estéreo de saída, mais à esquerda ou à direita. A dupla também admite que o título do álbum tem a ver com o famoso Panorama Bar do clube Berghain , em Berlim, onde os domingos não têm fim.
Mas no começo o Pan-Pot era um trio, tinha Marco Ressman que dava um toque housy ao projeto. Da mesma forma que conheceram Anja, cruzaram com Ressman numa festa e logo estavam gravando as primeiras tracks como Pan-Pot em 2005. Na virada de 2006 para 2007 Ressman partiu em carreira solo e Tassilo e Thomas prepararam o primeiro álbum do Pan-Pot, que vem a ser também o primeiro álbum lançado pelo Mobilee.
Os diferentes backgrounds, influências e referências marcaram o som original do Pan-Pot. E é exatamente essa música autoral que está impressa no álbum. O primeiro single escolhido para detonar o disco foi "Charly", que tem um vocal grave de Hugh Bretcha (que ninguém sabe quem é!) e um impulso 4x4 potente para qualquer pista de dança. "Dog's Dinner" viaja em momentos mais progressivos e cheios de timbres, mas nunca escorrega e mantém o peso do bumbo.
A faixa "Threesixty" abre de maneira gradual e formidável o álbum, seguida da minimalística "Ape shall never kill ape" deep no vocal e nas batidas. Depois de uma seqüência mais techno (às vezes sisuda), caímos no final em "Faces", co-produzida por Vincenzo (aka
Vincenzo Ragone), que é uma deep house leve e alegre. Mas não há espanto. Como Tassilo e Thomas me explicaram, Pan-Pot vem dessa "potência panorâmica" que vai de um estilo ao outro com marca própria.
;)