Cobblestone Jazz VS Thelonious Monk
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ficha técnica
Nota: 4.3 / 5
Ano: 2007
Selo: Wagon Repair
Estilos: techno, house, jazz, acid, minimal
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Cobblestone Jazz VS Thelonious Monk
Colocamos a trupe de Matthew Jonson diante de um dos grandes nomes do jazz
12.12.07 18:20
Não foi apenas o nome do Cobblestone Jazz que me levou a resenhar o novo disco do trio após uma overdose auditiva de Thelonious Monk - figurão jazzista conhecido por seus solos desconcertados e pouco usuais. Matthew Jonson, líder do grupo de techno improvisado, é discípulo confesso do pianista e ao ouvir o álbum de estréia dos canadenses, 23 Seconds, fica difícil negar as semelhanças com o som que brotou nas comunidades negras dos Estados Unidos na primeira metade do século passado.

A escolha por Thelonious - e mais especificamente por seu álbum Straight, No Chaser, de 1967 - também foi motivada pelo fato de que seu estilo de improvisação, com notas indo parar em alturas inesperados da escala e caindo de cabeça em métricas insólitas, diz muito respeito ao trabalho que o Cobblestone faz com seus sintetizadores nesse debut. O trio canadense, que tem formação e treinamento musical nas escolas do jazz, usa teclados analógicos para romper o minimalismo de suas faixas com solos extensos e intrincados sobre vocoders espaciais e samples fantasmagóricas. Tudo é gravado e apresentado sem automações, totalmente ao vivo.

(vejam o solo de piano de Thelonious aos três minutos desse vídeo para ter uma idéia melhor do que estou dizendo)



O som do Cobblestone Jazz nasceu para as pistas, mas passa longe do uso da força. Seu trunfo está na hipnose, nos graves arredondados que fazem as pálpebras se fecharem. Os arranjos, por mais que insistam em começar com uma bateria seca e bleeps tímidos, aos poucos se espalham e tomam conta do espectro sonoro como uma malha envolvente e intrincada. Assim como as faixas de Straight, No Chaser, construídas apenas com piano, baixo e sax sobre uma bateria sumária, a linha de força de 23 Seconds está no convite à apreciação estética de suas construções.

TIMBRES E RUÍDOS
"Lime In Da Coconut" é um reflexo bem acabado desse paralelo entre a sonoridade imprevisível de Monk e as reviravoltas operadas por Jonson. A faixa desfila por mais de nove minutos uma linha de sintetizador mutante, que apesar de se manter fiel a um mesmo timbre do início ao fim, desanda em notas inesperadas, toma caminhos mais graves e repentinamente volta para o alto da escala musical disparando agudos saídos do nada. Se alguém tivesse apresentado um synth endiabrado para Thelonious antes dele compor "Locomotive" ou "Green Chimneys", o resultado não poderia sair muito diferente.
monk
O dedilhado irrequieto, que desfia timbres do sax e do piano, é outra referência gritante que remete às composições do estadunidense. É só adiantar "Dump Truck" - um dos maiores hits do Cobblestone e que aparece no álbum como bônus - até seus cinco minutos e vinte e entender onde está o elo. Sobre os graves computadorizados e bleeps esporádicos começa um incansável exercício de teclas que segue por minutos a fio sem parar, mudando seu ritmo e sua geometria sem aviso quase até o fim da faixa. "Slap The Back" faz o mesmo, mas com um timbre ainda mais orgânico passeando em meio a ruídos digitais.

FATOR ACID
A melhor faixa do álbum vem como bônus. "India In Me" já havia aparecido em compilações como a Fabric 34, mixada por Ellen Allien, com seus vocais efêmeros e fantasmagóricos. E se a levada sensual que dá o tom da música não te convencer, espere até pouco depois da metade da track, quando começa a emergir sobre o arranjo uma linha de sintetizador afogadora de neurônios. Lição tomada com honrarias da escola mais ácida da house oitentista.

23 Seconds ainda inclui um segundo disco ao vivo, gravado durante uma apresentação do trio em Madri, no começo desse ano. As músicas são mixadas e deixam claro o porquê da versatilidade e das improvisações terem se tornado o principal cartão de visitas do grupo. Destaque para a "Untitled Live Improvisation" e seu efusivo sax digital extraído de algum chip de vídeo-game defeituoso.

Ouvir o som do Cobblestone Jazz é um saudável exercício de observação e de deleite auditivo. E a experiência se torna ainda mais divertida e proveitosa quando o techno dos canadenses é apreciado a partir de uma perspectiva apresentada aos desvios formais de Thelonious Monk. Se você ainda não se decidiu o que vai fazer em algum dos dias de verão que se aproximam, essa é sem dúvida uma sugestão mais que recomendada para dias de sol e regados a algum destilado.
MP3
Flash Content
Cobblestone Jazz - India In Me (mp3)

Flash Content
Cobblestone Jazz - Lime In Da Coconut (mp3)

Flash Content
Cobblestone Jazz - Untitled Live Improvisation (mp3)


Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
twitter.com/marcvs
comentários
9 comentários
Felicio Marmitex
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Que mash-up de idéias mais bacana!!!
Parabéns!
Manu
Manu(14.12.07)
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Thelonious manda! Finger my piano!
Raul Cornejo
Raul Cornejo(13.12.07)
1AprovadoQueima
Enquanto forma, a resenha está mais para um ensaio, enquanto tentativa, risco assumido de estabelecer relações e não necessariamente chegar a conclusões. Quanto ao conteúdo cerne não é a repetição mecânica, algo q está bem longe do Jazz contemporâneo do Monk, mas sim na simplicidade da fluidez dos temas. Me gustó mucho.
pablo
pablo(13.12.07)
0AprovadoQueima
FUDIDO !!!!!! SALVE MATERIAS ASSIM !!!
Gil Barbara
Gil Barbara(13.12.07)
otimo disco e otima resenha! parabens!
Eu sou fã da macanização hipnotica!
e Thelonious é rei!!