Shinichi Osawa - The One
Álbum de produtor japonês é bom, mas exagera em influências óbvias como Daft Punk e o electro-rock de Justice e Digitalism
Nesta primeira oportunidade de resenha serei rigoroso para ir direto ao assunto: há um certo oportunismo em parte do mundo musical. Ou uma latente crise criativa. A bronca é por conta do álbum The One, lançado pelo DJ e produtor japonês Shinichi Osawa.
Oportunismo porque até pessoas avessas à badalação do combo "música eletrônica / noite" - meu caso -, sabem que Daft Punk é influência-mor há uma década, com uma intensificação desse poder no último ano. Então me parece que inúmeros artistas de 2007 são em parte apenas clones de Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter.
É sinal da mutação orgânica cada vez mais efêmera na fusão de elementos musicais, tanto é que o Justice, convenhamos, tem sua identidade e grande fama calcada na batida mais hardcore, o tal maximal, certo? Mas é na real um sobrinho bem sucedido de Daft Punk. De uma acelerada em suas batidas, do loop filtrado em repetição que agora perde o balanço house music e vai parar em infindáveis camadas na espacialidade musical.
O senhor Osawa fez um álbum de catorze boas canções, há que se dizer, mas a impressão inicial e que fica é de que há mais coisas entre o céu e o Daft Punk/Digitalism do que supõe a nossa vã filosofia. "The Golden" tem guitarras eletrônicas, clima uplifting (adoro a expressão) e gritos cortados de uma óbvia festa colorida em neon e tênis Nike Terminatr. "Electro411" é uma mentira de título, pois electro era definição até anteontem. Agora virou esse maximal, nada mais que um techno filtrado de batidas marcadas e vocais de tungstênio num BPM antes quebrado, agora geométrico.
BOAS CANÇÕES
Um viva para as músicas de cunho pop de The One. "Star Guitars" é uma rosada versão para o hit do Chemical Brothers, que buscou na sutileza moderna do Au Revoir Simone seu diferencial. "Our Song" é um lampejo romântico no coração dessa juventude new rave, vocal quase emo de tão cantarolado e riffs Franz Ferdinand que aparecem de surpresa entre os BPMs. E "Dreamhunt" funde as características dessas duas músicas.
"Rendezvou" é divertida. Parece-me que há um sample de voz do Simply Red numa base que liquidifica batidas, sintetizadores e explosões house, de novo lembrando esse novo french touch (ele é japonês!). Mas volto com a bronca, senhor Shinichi. Nem de perto há sinal de seu passado acid jazz a frente do baixo na banda Mondo Grosso: "Last Days" é como se o Les Rythmes Digitales fosse remixado pelo Digitalism.
Dá para dizer que muito dessa geração pós-2006 ainda não conseguiu ir além de saudar suas influências de pós-adolescente. E o que está podre neste Reino da Dinamarca é o fato de que há muita visibilidade e espaço para fama nessa previsível estética, que não precisa ser necessariamente revolucionária, mas podia ao menos maneirar as referências. Apesar de fazer canções e batidas muito boas, uso a expressão que está na boca do povo como cutucão crítico: Sr. Shinichi Osawa, o senhor é um fanfarrão!
Mais resenhas, plz. Pessoas experientes sempre têm boas coisas a dizer. :)
Eu achei o disco divertido! Babinha, tipo Roisin!
:D