No Mato com Dominik Eulberg
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ficha técnica
Nota: 3.7 / 5
Ano: 2007
Selo: Cocoon
Estilos: techno, minimal, click-house
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No Mato com Dominik Eulberg
Novo álbum do produtor alemão saiu pela Cocoon e nós ouvimos as faixas imersos num matagal urbano em São Paulo
05.12.07 19:35
Pouca gente sabe do prazer que é passar uma manhã nublada no parque ouvindo minimal techno. E depois de ler a notícia de que o alemão Dominik Eulberg, conhecido amante da natureza e de aves selvagens, estava lançando um novo álbum pela Cocoon - apenas alguns meses depois de seu trabalho anterior, Heimische Gefilde, ter saído pela Traum -, resolvi procurar no meio do mato a fonte da prolificidade do produtor.

Fui escutar Bionik dentro do Parque Tenente Siqueira Campos, o famigerado Trianon, para tentar entender de que maneira o clima úmido dos matagais inspira Eulberg a domar suas sonoridades borbulhantes. O lugar não podia ser mais adequado, já que ele é um pedaço de verde incrustado em um dos maiores blocos de concreto do país - a avenida Paulista, em São Paulo. A mistura do som de folhas farfalhando com buzinas abafadas pela densa folhagem do lugar combinou perfeitamente com a atmosfera do álbum, que permeia do começo ao fim a relação paradoxal entre o mecânico e o natural.

FAUNA ARTIFICIAL
Os estalos e ruídos característicos do minimal, que no isolamento de um quarto silencioso podem não fazer muito sentido, vão se fundindo aos poucos com os cliques e bleeps da vegetação. Foi inevitável, ao primeiro canto de pássaro de "Der Traum vom Fliegen" ("O Sonho de Voar", em alemão) olhar para a copa das árvores em volta e, constatado que não havia nenhum bem-te-vi sobre minha cabeça, colocar a música para tocar novamente. E para meu alívio, lá pelos três minutos da faixa realmente aparece a sample de algum passarinho camuflado pela flora intrincada e sintética de Dominik.

O barulho de lufadas de vento repentinas arrastando folhas secas serviu mais de uma vez como instrumento (literalmente) orgânico nesse arranjo híbrido. O assovio estridente e frenético de insetos imaginários ou o grunhido metalizado de alguma ave - como o que abre "Freche Früchte" -, idem. Todos aparecem em Bionik, curiosamente vestidos com trajes sintéticos sob alguma linha melódica de sintetizador. Até o som de uma fonte de água que estava nas proximidades parecia ter sido sampleada para a construção de algumas linhas de baixo do álbum.
O Trianon
O Trianon

É como se todos os elementos das músicas se revelassem vivos sob o estímulo da clorofila e do cheiro forte de terra que havia no parque. É difícil, talvez impossível, não imaginar - nesse contexto - que é o barulho de um grilo irrequieto que acompanha a belíssima linha melódica de "Löwenzahn-Luftwaffe". E foi assombroso quando, ao fim da mesma música, um casal de maritacas empoleiradas em algum galho do Trianon começou um duelo vocálico quase que acompanhando o tempo da faixa. Lisérgico.

DUALISMO EULBERGUIANO
O lado mais mecânico do disco, que me fez lembrar do pandemônio urbano que se passava a poucos metros dali, aparece com força em "Autopfoten", com seus estouros de metal enferrujado, e "Haifischflügel", repleta de graves distorcidos e arrastados. O caráter mutante das músicas de Dominik, que tornou a excêntrica "Die Rotbauchunken vom Tegernsee" um hit, não aparece tão acentuado em Bionik, mas as variações de humor e os elementos que saltam de surpresa para dentro dos arranjos não faltam. "Rückenschwimmzipper" é um exemplo, com suas repentinas mudanças de direção, incursões distorcidas ou mergulhos no silêncio puro.

Mas ainda assim, a maior parte das músicas serve ao propósito de contemplação interior ou exterior, o que depende do lugar e estado de espírito em que você está. No fim das contas, a impressão é de que os paradoxos propostos por Dominik em Bionik - do nome do disco ao título das faixas - têm muito mais a ver com nosso cotidiano do que uma primeira audição pode revelar. Talvez seja o palpite de um produtor que acredita que seja possível o convívio pacífico entre o cheiro de asfalto e o de grama molhada, ou de maneira mais óbvia, que pode haver vida e emoção correndo pelas veias geladas do techno.
MP3
Flash Content
Dominik Eulberg - Autopfoten (mp3)

Flash Content
Dominik Eulberg - Der Traum Vom Fliegen (mp3)

Flash Content
Dominik Eulberg - Loewenzahn-Luftwaffe (mp3)

Flash Content
Dominik Eulberg - Rueckenschwimmzipper (mp3)


Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
twitter.com/marcvs
comentários
9 comentários
dAlbergaria
dAlbergaria(10.12.07)
0AprovadoQueima
Mas faltou colocar a melhor música do disco - pra mim :D

Lotuseffekt

Vale 14.90 no beatport, até pra quem não é DJ.
Pedro Cunha
Pedro Cunha(10.12.07)
0AprovadoQueima
O Dominik alcança os limites da eletrônica. Outro sujeito que eu recomendo, tão viajante quanto, é o Pantha du Prince.
Vinícius Mayer
Vinícius Mayer(08.12.07)
1AprovadoQueima
Foda d+
Tapa na cara da burguesia isso
B.RU.NO
B.RU.NO(07.12.07)
2AprovadoQueima
Gostei muito do texto também...
e Dominik Eulberg é uma potência do minimal... não tem nem o que dizer
sete
sete(05.12.07)
-1AprovadoQueima
Mas não vale chamar o Parque Trianon de mato. Sério.